De 2012 só me recordo do amor. Tive ao meu lado um grande amor, principalmente quando perdi meu amor maior (minha mãe). Por isso só posso falar que esse foi um ano de amor. Amor em todos os tons, sons, gostos, texturas, aromas, calores, tamanhos e intensidades.
Mas se perdi minha mãe, como pode ter sido um ano de amor? Por todo o amor que recebi de volta. De quem esteve ao meu lado todos os dias, dando amor, compartilhando os choros e o colo aconchegante e seguro pra me refugiar; dos meus amigos que me consolaram e ajudaram; da minha família e principalmente do meu pai ao aprendermos a nos amar ainda mais. Pode parecer ridículo, mas também recebi de minha mãe. Sua partida deixou um universo de amor dentro de todos os que a amavam.
Termino o ano com uma lista de tristezas e perdas, mas outra de alegrias e realizações também. Nada irá substituir as ausências (em especial da minha mãe), mas devemos viver um dia por vez. Amanhã nascerá outro Sol, outro dia, outro mês, outro ano, outra chance de ser feliz mais uma vez.
Ultimamente não tenho estado na minha melhor condição mental e espiritual, por isso não vou me alongar no último post do ano. Não tenho muitas expectativas para 2013. Espero que seja um ano de saúde e paz. Que tenhamos coragem e força pra enfrentar o que está por vir e fé para não desistir.
Feliz 2013!
Maria Bethânia - Tocando em Frente
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Adeus - I
Enquanto na TV homenagens eram prestadas a uma falecida apresentadora, cantora e atriz, eu já me encontrava triste sem saber ao menos o motivo. Coloquei minha mala sobre a cama e a fiz para voltar. Mesmo que ainda faltasse tanto tempo para retornar, quis (sem saber o motivo) deixar tudo pronto para minha volta.
Na rua, comprei a lembrança que faltava. Um quadro retratando a santa ceia, algo que minha mãe sonhara por tantos meses. Enfim, achei um que lhe agradaria. Peguei o celular para avisá-la, mas hesitei no último segundo. Que tal fazer uma surpresa? Desliguei e fui dar um passeio noturno à beira-mar, um último brinde e depois descansar. Ainda assim algo parecia estranho desde o sábado pela manhã.
O telefone toca, minha mãe!? Pelo adiantado da hora achei estranho, mas o que poderia ter acontecido? Com certeza ela me perguntaria sobre algo relativo à viagem e se alguém iria me buscar do aeroporto. Atendi brincando e perguntando o quê ela queria. Do outro lado meu irmão aos prantos me pergunta onde estou, me pede pra ser forte e avisa que nossa mãe havia desencarnado...
Não me lembro bem o que aconteceu depois disso. Com muita dificuldade e passado algum tempo cheguei ao hotel aos prantos, sentei na cama e rezei pela alma da minha mãe. Minutos depois enviei duas ou três mensagens e recebi dezenas de telefonemas e mensagens.
Outra vez minha memória falha e agora já estou a caminho do aeroporto. Perto da meia noite alguém me liga, mais choro, mais inércia, mais nada. Uma noite sentado, sob um ar condicionado me congelando e eu tremendo de medo. Não queria voltar, mas também sabia que fazia parte da vida enterrar meus mortos.
Já de volta à Brasília, meus primos me esperavam. Choramos, nos abraçamos e eu ainda parecia estar dormindo. Esperava acordar ou ver ao chegar sorrindo e me dizer que tudo não passou de uma brincadeira. Até agora estou esperando.
Em casa outra sessão de choros a cada novo abraço e desejo de me reconfortar. Me vi tentando reconfortar tantos, a começar pelos meus avós e pelo meu irmão deitado em minha cama, dopado pelos remédios de tarja preta e como se quisesse meu perdão, jurou ter feito de tudo para salvá-la.
A casa revirada e suja descrevia toda a tragédia ocorrida ali horas atrás. Talvez depois de tudo isso, meu pai tenha descreditado ainda mais que Deus possa existir. Não que ele precisasse de novos argumentos, isso ele têm de sobra, mas talvez agora ele tivesse motivos reais para descrer. Ao me ver, veio emocionado me abraçar. Não sei ao certo se foi eu quem o acalmou, ou se ele me deixou nervoso.
Não houveram despedidas, tudo repentino como ela queria que fosse sua partida. Mas tenho a certeza que nem mesmo ela queria que fosse tão doloroso para todos nós. Agora seríamos apenas nós dois (eu e meu pai) e toda falta que minha mãe deixou. Terceiro elemento que se faz muito mais presente e preenchedor de espaços dentro dos nossos dias daqui por diante.
Alcione e Maria Bethânia - Sem Mais Adeus
Na rua, comprei a lembrança que faltava. Um quadro retratando a santa ceia, algo que minha mãe sonhara por tantos meses. Enfim, achei um que lhe agradaria. Peguei o celular para avisá-la, mas hesitei no último segundo. Que tal fazer uma surpresa? Desliguei e fui dar um passeio noturno à beira-mar, um último brinde e depois descansar. Ainda assim algo parecia estranho desde o sábado pela manhã.
O telefone toca, minha mãe!? Pelo adiantado da hora achei estranho, mas o que poderia ter acontecido? Com certeza ela me perguntaria sobre algo relativo à viagem e se alguém iria me buscar do aeroporto. Atendi brincando e perguntando o quê ela queria. Do outro lado meu irmão aos prantos me pergunta onde estou, me pede pra ser forte e avisa que nossa mãe havia desencarnado...
Não me lembro bem o que aconteceu depois disso. Com muita dificuldade e passado algum tempo cheguei ao hotel aos prantos, sentei na cama e rezei pela alma da minha mãe. Minutos depois enviei duas ou três mensagens e recebi dezenas de telefonemas e mensagens.
Outra vez minha memória falha e agora já estou a caminho do aeroporto. Perto da meia noite alguém me liga, mais choro, mais inércia, mais nada. Uma noite sentado, sob um ar condicionado me congelando e eu tremendo de medo. Não queria voltar, mas também sabia que fazia parte da vida enterrar meus mortos.
Já de volta à Brasília, meus primos me esperavam. Choramos, nos abraçamos e eu ainda parecia estar dormindo. Esperava acordar ou ver ao chegar sorrindo e me dizer que tudo não passou de uma brincadeira. Até agora estou esperando.
Em casa outra sessão de choros a cada novo abraço e desejo de me reconfortar. Me vi tentando reconfortar tantos, a começar pelos meus avós e pelo meu irmão deitado em minha cama, dopado pelos remédios de tarja preta e como se quisesse meu perdão, jurou ter feito de tudo para salvá-la.
A casa revirada e suja descrevia toda a tragédia ocorrida ali horas atrás. Talvez depois de tudo isso, meu pai tenha descreditado ainda mais que Deus possa existir. Não que ele precisasse de novos argumentos, isso ele têm de sobra, mas talvez agora ele tivesse motivos reais para descrer. Ao me ver, veio emocionado me abraçar. Não sei ao certo se foi eu quem o acalmou, ou se ele me deixou nervoso.
Não houveram despedidas, tudo repentino como ela queria que fosse sua partida. Mas tenho a certeza que nem mesmo ela queria que fosse tão doloroso para todos nós. Agora seríamos apenas nós dois (eu e meu pai) e toda falta que minha mãe deixou. Terceiro elemento que se faz muito mais presente e preenchedor de espaços dentro dos nossos dias daqui por diante.
Alcione e Maria Bethânia - Sem Mais Adeus
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quarta-feira, 2 de março de 2011
Dicionário Musical: amor (10)
Amor: afeição profunda; objeto dessa afeição; conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual; afeto a pessoas ou coisas; paixão; entusiasmo.
Cássia Eller - Todo amor que houver nessa vida
João Bosco - Quando o amor acontece
Sandra de Sá - Retratos e canções
Léo Jaime - Eu preciso dizer que te amo
Maria Bethânia - Amor de índio
Armandinho - Eu juro
Pepeu Gomes e SNZ - Mil e uma noites de amor
Cássia Eller - Todo amor que houver nessa vida
João Bosco - Quando o amor acontece
Sandra de Sá - Retratos e canções
Léo Jaime - Eu preciso dizer que te amo
Maria Bethânia - Amor de índio
Armandinho - Eu juro
Pepeu Gomes e SNZ - Mil e uma noites de amor
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Dicionário Musical: amor (6)
Amor: afeição profunda; objeto dessa afeição; conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual; afeto a pessoas ou coisas; paixão; entusiasmo.
Paulinho Moska e Angela Ro Rô - Amor, meu grande amor
Cartola - O mundo é um moinho
Chico César e Maria Bethânia - Onde estará o meu amor?
Zélia Duncan - Pelo sabor do gesto
Apoena - Toda forma de amor
Cássia Eller - Gatas extraordinárias
Maria Rita - O que é o amor?
Pedro Mariano - Quase amor
Paulinho Moska e Angela Ro Rô - Amor, meu grande amor
Cartola - O mundo é um moinho
Chico César e Maria Bethânia - Onde estará o meu amor?
Zélia Duncan - Pelo sabor do gesto
Apoena - Toda forma de amor
Cássia Eller - Gatas extraordinárias
Maria Rita - O que é o amor?
Pedro Mariano - Quase amor
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Encontros Internacionais 13
Moska e Johansen, Bethânia e Portuondo, encontros internacionais dos mais belos.
Paulinho Moska e Kevin Johansen - No voy a ser yo
Maria Bethânia e Omara Portuondo - Cio da terra
Paulinho Moska e Kevin Johansen - No voy a ser yo
Maria Bethânia e Omara Portuondo - Cio da terra
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Momento Vinícius de Moraes
Soneto do amor total
(Vinícius de Moraes)
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Maria Bethânia - Soneto do amor total
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sexta-feira, 9 de julho de 2010
Momento Natália Correia
A defesa do poeta (Natália Correia)
Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei
Senhores professores que pusestes
a prêmio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis
Senhores heróis até os dentes
puro exercício de ninguém
minha covardia é esperar-vos
umas estrofes mais além
Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer.
Maria Bethânia - A defesa do poeta/ Apesar de você
Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei
Senhores professores que pusestes
a prêmio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis
Senhores heróis até os dentes
puro exercício de ninguém
minha covardia é esperar-vos
umas estrofes mais além
Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer.
Maria Bethânia - A defesa do poeta/ Apesar de você
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
São João
João Batista é um dos personagens bíblicos mais famosos. Filho de Isabel, prima de Maria, o santo anunciou a vinda do primo, Jesus Cristo e posteriormente o batizou. Tido como um profeta, citado nos livros do antigo testamento, São João é também um dos mais populares e mais festejados santos do catolicismo.
Segundo dos três santos que inspiram e são comemorados nas festas juninas por todo o país. São João Batista, protetor das mulheres grávidas. Fica aqui nossa homenagem ao santo e às futuras mamães. Feliz São João!
Pitty - Mulher Barriguda
Simone e Zélia Duncan - Grávida
Maria Bethânia - São João, Xangô menino
Segundo dos três santos que inspiram e são comemorados nas festas juninas por todo o país. São João Batista, protetor das mulheres grávidas. Fica aqui nossa homenagem ao santo e às futuras mamães. Feliz São João!
Pitty - Mulher Barriguda
Simone e Zélia Duncan - Grávida
Maria Bethânia - São João, Xangô menino
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domingo, 20 de junho de 2010
Tremendão 5.0 - parte II
O programa também comemorava os 69 anos de vida do cantor. Prosseguindo com o especial do Altas Horas, continuamos com os encontros e homenagens ao nosso Tremendão. Abrimos a segunda parte desse tributo com Erasmo Carlos e Luiz Melodia cantando a sua fama de mau.
Erasmo Carlos e Luiz Melodia - Minha fama de mau
Erasmo Carlos e Roberta Sá - Do fundo do meu coração
Erasmo Carlos e Fernanda Abreu - Coqueiro Verde
Erasmo Carlos e Maria Bethânia - Sentado à beira do caminho
Erasmo Carlos e Marcelo D2 - Sou uma criança não entendo nada
Erasmo Carlos e Sandra de Sá - Festa de Arromba
Erasmo Carlos e Luiz Melodia - Minha fama de mau
Erasmo Carlos e Roberta Sá - Do fundo do meu coração
Erasmo Carlos e Fernanda Abreu - Coqueiro Verde
Erasmo Carlos e Maria Bethânia - Sentado à beira do caminho
Erasmo Carlos e Marcelo D2 - Sou uma criança não entendo nada
Erasmo Carlos e Sandra de Sá - Festa de Arromba
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Tremendão 5.0 - parte I
Erasmo Carlos é um dos maiores compositores e artistas brasileiros. Parceiro de Roberto Carlos antes mesmo dos tempos de Jovem Guarda, o Tremendão (como ficou conhecido) também completou 50 anos de carreira. Mais uma vez prestamos nossa devida homenagem pegando carona no programa Altas Horas, dedicado ao artista.
Erasmo Carlos e Adriana Calcanhoto - Gatinha Manhosa
Erasmo Carlos e Paula Toller - Vem quente que estou fervendo
Erasmo Carlos e Maria Bethânia - As canções que você fez pra mim
Erasmo Carlos e Frejat - Filho único
Erasmo Carlos e Marcelo Camelo - Eu sou terrível
Erasmo Carlos e Wanderléia - É preciso Saber viver
Erasmo Carlos e Adriana Calcanhoto - Gatinha Manhosa
Erasmo Carlos e Paula Toller - Vem quente que estou fervendo
Erasmo Carlos e Maria Bethânia - As canções que você fez pra mim
Erasmo Carlos e Frejat - Filho único
Erasmo Carlos e Marcelo Camelo - Eu sou terrível
Erasmo Carlos e Wanderléia - É preciso Saber viver
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domingo, 2 de maio de 2010
Momento Fausto Fawcet
Odalisca Andróide*
Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador.
*fragmento do texto Disco Voador, de Fausto Fawcet
Maria Bethânia - Odalisca Andróide/ Tocando em frente
Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador.
*fragmento do texto Disco Voador, de Fausto Fawcet
Maria Bethânia - Odalisca Andróide/ Tocando em frente
terça-feira, 16 de março de 2010
Agora!?
Agora é todo o tempo que tenho. É o que me restou de ontem e o que tenho para o meu amanhã. "Fale agora, ou cale-se para sempre". "Não deixe pra depois o que você pode fazer agora". "A hora é agora". "Só posso se for agora". As necessidades e as vontades são mimadas, precisam ser supridas de imediato. E agora?
A urgência dos nossos tempos não vale para as coisas realmente importantes, aquelas que geralmente não temos tempo. Não temos esse "agora". Depois, mais tarde, daqui a pouco... mais do que expressões, tornaram-se noções distantes de tempo. Logo agora? Sabe Deus quando virá este instante que tanto adiamos. O imediato só vale para os nossos anseios.
Agora é so um verbete perdido em algum dicionário pouco usado, largado na estante, por falta de tempo. Aconteceu ainda agora.
Agora é tão pouco que mal termino de dizer e já acabou. Terminou ainda agora, quando fiz disso uma pequena citação no tempo.
Maria Bethânia - Debaixo d'água/Agora
A urgência dos nossos tempos não vale para as coisas realmente importantes, aquelas que geralmente não temos tempo. Não temos esse "agora". Depois, mais tarde, daqui a pouco... mais do que expressões, tornaram-se noções distantes de tempo. Logo agora? Sabe Deus quando virá este instante que tanto adiamos. O imediato só vale para os nossos anseios.
Agora é so um verbete perdido em algum dicionário pouco usado, largado na estante, por falta de tempo. Aconteceu ainda agora.
Agora é tão pouco que mal termino de dizer e já acabou. Terminou ainda agora, quando fiz disso uma pequena citação no tempo.
Maria Bethânia - Debaixo d'água/Agora
domingo, 14 de março de 2010
Ultimatum
Mandado de despejo aos mandarins do mundo
Fora tu,
reles
esnobe
plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade
e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro
Ultimatum a todos eles
E a todos que sejam como eles
Todos!
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
Que nem te queria descobrir
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo
Vós, anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
Para quererem deixar de trabalhar
Sim, todos vós que representais o mundo
Homens altos
Passai por baixo do meu desprezo
Passai aristocratas de tanga de ouro
Passai Frouxos
Passai radicais do pouco
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
Descascar batatas simbólicas
Fechem-me tudo isso a chave
E deitem a chave fora
Sufoco de ter só isso a minha volta
Deixem-me respirar
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
Do que todas as janelas que há no mundo
Nenhuma idéia grande
Nenhuma corrente política
Que soe a uma idéia grão
E o mundo quer a inteligência nova
A sensibilidade nova
O mundo tem sede de que se crie
Porque aí está apodrecer a vida
Quando muito é estrume para o futuro
O que aí está não pode durar
Porque não é nada
Eu da raça dos navegadores
Afirmo que não pode durar
Eu da raça dos descobridores
Desprezo o que seja menos
Que descobrir um novo mundo
Proclamo isso bem alto
Braços erguidos
Fitando o Atlântico
E saudando abstractamente o infinito."
Álvaro de Campos, em 1917
Abaixo o texto completo na voz de Maria Bethânia.
Fora tu,
reles
esnobe
plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade
e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro
Ultimatum a todos eles
E a todos que sejam como eles
Todos!
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
Que nem te queria descobrir
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo
Vós, anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
Para quererem deixar de trabalhar
Sim, todos vós que representais o mundo
Homens altos
Passai por baixo do meu desprezo
Passai aristocratas de tanga de ouro
Passai Frouxos
Passai radicais do pouco
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
Descascar batatas simbólicas
Fechem-me tudo isso a chave
E deitem a chave fora
Sufoco de ter só isso a minha volta
Deixem-me respirar
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
Do que todas as janelas que há no mundo
Nenhuma idéia grande
Nenhuma corrente política
Que soe a uma idéia grão
E o mundo quer a inteligência nova
A sensibilidade nova
O mundo tem sede de que se crie
Porque aí está apodrecer a vida
Quando muito é estrume para o futuro
O que aí está não pode durar
Porque não é nada
Eu da raça dos navegadores
Afirmo que não pode durar
Eu da raça dos descobridores
Desprezo o que seja menos
Que descobrir um novo mundo
Proclamo isso bem alto
Braços erguidos
Fitando o Atlântico
E saudando abstractamente o infinito."
Álvaro de Campos, em 1917
Abaixo o texto completo na voz de Maria Bethânia.
Maria Bethânia - Ultimatum
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Dicionário Musical: água
Água: líquido incolor e inodoro, composto de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio;
Timbalada - Água Mineral
Maria Bethânia - Debaixo d'água/Agora
Jorge Ben Jor - Alkahool
Beth Carvalho e Hamilton de Holanda - Água de chuva no mar
O Teatro Mágico - Camarada D'água
Marisa Monte - Tenho sede/Segue o seco
Timbalada - Água Mineral
Maria Bethânia - Debaixo d'água/Agora
Jorge Ben Jor - Alkahool
Beth Carvalho e Hamilton de Holanda - Água de chuva no mar
O Teatro Mágico - Camarada D'água
Marisa Monte - Tenho sede/Segue o seco
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Dicionário Musical: olho
Olho: o órgão da visão, nos animais e no homem.
Armandinho - Pela cor do teu olho
Diana Krall - Este seu olhar
Jorge Aragão e Emílio Santiago - Espelhos d'água
Paulinho Moska - Seu olhar
Maria Bethânia - Olhos nos olhos
Armandinho - Pela cor do teu olho
Diana Krall - Este seu olhar
Jorge Aragão e Emílio Santiago - Espelhos d'água
Paulinho Moska - Seu olhar
Maria Bethânia - Olhos nos olhos
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Encontros Internacionais - 10
Nosso primeiro vídeo começa com grandiosas cantoras. As duas são divas de seus países e grandes nomes da música latina. A cubana Omara Portuondo faz seu encontro e sua estreia no Brasil Musicado ao lado de ninguém menos que Maria Bethânia.
Maria Bethânia e Omara Portuondo - Só vendo que beleza
Da nossa hermanita Argentina, chega a rapper Malena. Convidada pelo Rappa para dividir os vocais na faixa Óbvio, do álbum O silêncio que precede o Esporro.
O Rappa e Malena - Óbvio
Já que Cuba esteve presente no primeiro vídeo, Simone traz seu convidado diretamente da ilha para cantar na tv espanhola um clássico da nossa música.
Simone e Pablo Milanés - Iolanda
Terminamos com um francês, mas que tem o carisma e a música latina presentes em sua carreira. Manu Chao, com os Paralamas do Sucesso, canta no nosso último vídeo de hoje (apenas aúdio): Soledad cidadão.
Os Paralamas do Sucesso e Manu Chao - Soledad cidadão
Maria Bethânia e Omara Portuondo - Só vendo que beleza
Da nossa hermanita Argentina, chega a rapper Malena. Convidada pelo Rappa para dividir os vocais na faixa Óbvio, do álbum O silêncio que precede o Esporro.
O Rappa e Malena - Óbvio
Já que Cuba esteve presente no primeiro vídeo, Simone traz seu convidado diretamente da ilha para cantar na tv espanhola um clássico da nossa música.
Simone e Pablo Milanés - Iolanda
Terminamos com um francês, mas que tem o carisma e a música latina presentes em sua carreira. Manu Chao, com os Paralamas do Sucesso, canta no nosso último vídeo de hoje (apenas aúdio): Soledad cidadão.
Os Paralamas do Sucesso e Manu Chao - Soledad cidadão
domingo, 27 de dezembro de 2009
Dicionário Musical: paz
Paz: tranquilidade pública; concórdia; sossego; cessação de hostilidades; silêncio; descanso.
Natiruts - Em paz
Verônica Ferriani - Me deixa em paz
Gilberto Gil - A paz
Ivete Sangalo e Maria Bethânia - Muito obrigado, axé
Maria Rita - Minha Alma ( a paz que eu não quero)
Titãs - Pela paz
Paz! São os votos do Brasil Musicado para o 2010 de todos.
Natiruts - Em paz
Verônica Ferriani - Me deixa em paz
Gilberto Gil - A paz
Ivete Sangalo e Maria Bethânia - Muito obrigado, axé
Maria Rita - Minha Alma ( a paz que eu não quero)
Titãs - Pela paz
Paz! São os votos do Brasil Musicado para o 2010 de todos.
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Natal musical!
Véspera de Natal, noite de ceia e reunião familiar. Que a data seja mais do que uma simples noite de troca de presentes e muita comida e bebida. Afinal, comemora-se, nas casas de tradição religiosa cristã, o nascimento de Jesus Cristo.
Boas Festas - Maria Bethânia
Assim como o nascimento do menino Jesus, que hoje seja um dia de renascer a esperança, a paz e o amor em nossos corações. Que o espírito natalino seja entendido em seu real sentido, e que renasça em cada um de nós um novo homem e mulher. Um ser mais humano e melhor.
O último vídeo é a música mais tocada em todas as lojas durante este período, mas acho que é um dos melhores em nossa música para representar a data. Sem mais enrolação um Feliz Natal a você e sua família!
Então é Natal - Simone e as Meninas Cantoras de Petrópolis
Boas Festas - Maria Bethânia
Assim como o nascimento do menino Jesus, que hoje seja um dia de renascer a esperança, a paz e o amor em nossos corações. Que o espírito natalino seja entendido em seu real sentido, e que renasça em cada um de nós um novo homem e mulher. Um ser mais humano e melhor.
O último vídeo é a música mais tocada em todas as lojas durante este período, mas acho que é um dos melhores em nossa música para representar a data. Sem mais enrolação um Feliz Natal a você e sua família!
Então é Natal - Simone e as Meninas Cantoras de Petrópolis
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Simone
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Deusa das águas doces
Oxum é um Orixá feminino da nação Ijexá adotada e cultuada em todas as religiões afro-brasileiras. Orixá das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza. Sentada na beira do rio, com seu espelho na mão direita, a vaidosa deusa africana comemora hoje o seu dia.
Maria Bethânia - Canto de Oxum
Devido ao sincretismo que o candomblé foi obrigado a sofrer, a deusa passou a ser assimilada com a imagem da Imaculada Conceição, no catolicismo. Os negros proibidos de exercer sua crença e religião se viram obrigados a burlar a opressão e associar suas entidades aos santos católicos.
Davi Moraes - É D'Oxum
Maria Bethânia - Canto de Oxum
Devido ao sincretismo que o candomblé foi obrigado a sofrer, a deusa passou a ser assimilada com a imagem da Imaculada Conceição, no catolicismo. Os negros proibidos de exercer sua crença e religião se viram obrigados a burlar a opressão e associar suas entidades aos santos católicos.
Davi Moraes - É D'Oxum
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Musicalmente consciente
Ainda em comemoração ao dia da consciência negra, continuo com homenagens à Zumbi dos Palmares e aos milhões de negros escravizados por todo o mundo.
Maria Bethânia- Yáyá Massemba
Jorge Ben Jor - Zumbi
Natiruts - Palmares 1999
Nação Zumbi - Cidadão do mundo
Maria Bethânia- Yáyá Massemba
Jorge Ben Jor - Zumbi
Natiruts - Palmares 1999
Nação Zumbi - Cidadão do mundo
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