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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Consciência... negros, brancos, índios e mulatos!

Desde a semana passada vejo um certo burburinho a respeito das cotas para negros em concursos públicos. Uma maioria, esmagadora, se posicionando contrária a ideia de que a medida adotada por universidades em todo o país se estenda às repartições públicas.

Acho válido o objetivo das cotas. Acredito na defesa da medida como um "reparador" dos danos causados em mais de 500 anos de discriminação e abuso contra uma grande parcela do nosso país. Não precisa ser um profundo conhecedor da história para saber o que se passou com os milhões de homens, mulheres e crianças arrancados do continente africano e levados mundo a fora para servir aos senhores e senhoras religiosos e bondosos (que contribuíram muito bem com o reino e iam à igreja aos domingos).

Um colega de jornalismo, professor de uma conceituada universidade federal, esbravejou quando me posicionei a favor da medida, anos atrás. Logo ele respondeu que não tinha culpa nenhuma de nada e não poderia pagar "Eu não fiz nada contra os negros". Fiquei sem entender. Um jornalista, professor universitário, intelectual, cineasta, com um discurso tão inflamado e cheio de ódio. Por quê?

Não consegui achar motivo, no fundo dos olhos verdes e da pele rosada do colega. Mas talvez todo o contexto em que ele se encontrava podia dizer por si só. Não tenho a pele negra, mas me considero negro por saber bem do meu passado, do meu avô com seus quase 90 anos e do meu bisavô que morreu com mais de cem anos. Ou mesmo do meu pai, mais claro do que eu, mas com um dos cabelos black powers e grisalhos mais maneros que conheço. Assim como sei das minhas raízes indígenas (da bisavó pega a laço que todos temos) e europeias também (com meus avós, bisavós e tios-avós de olhos verdes, azuis e cor-de-mel).


Ellen Oléria - Zumbi


Meu bisavô nascido no início da década de 1880, viu um Brasil que nenhum de nós viu. Por pouco ele não nasceu escravo (salvo pelo "Ventre Livre"), mas sentiu o poder de uma discriminação de quase 400 anos sobre um povo que nunca teve direitos. Nasceu vendo pais analfabetos, morreu analfabeto e deixou uma dezena de filhos analfabetos. Com certeza virá alguém dizer que não estudaram porque não quiseram. Não, caras-pálidas! Não estudaram porque não puderam e o trabalho era fundamental para sua sobrevivência.

Trabalhar de domingo à domingo, sob Sol e chuva para garantir o mínimo do mínimo, recebendo muito pouco (ou quase nada). Ainda assim ultrapassou os cem, viu um século inteiro de pequenas melhorias, mas não o suficiente para que os filhos tivessem uma vida tão melhor quanto a dele. Alguns viveram e morreram na mesma casa minúscula, de teto baixo, quatro cômodos e que (muito tempo depois) ganhou o luxo de um banheiro dentro de casa.

Não quero, de maneira alguma, comover quem quer que seja com esses relatos, mas acho que as cotas reparam (ainda que tardiamente) um mal histórico. Os negros "recém-libertos" se viram escravos da miséria e ignorância numa escala ainda pior do que quando pertenciam aos seus senhores. O "favor" que a princesa lhes fez tinha, muito mais, uma pressão internacional por trás do que um bondoso gesto real. Os ex-escravos se viram livres, mas sem estudos e ninguém disposto a pagar por um serviço que antes eles faziam gratuitamente.

Quando os senhores se viam no direito de pagar por algo, a esmola era dada com a má vontade que dizem dar até dor de barriga em quem recebe. Sem estudos, moradia, emprego e logo sem saúde, o que fazer para não morrer de fome, nem ver seus filhos morrerem? A resposta se dá com milhares de negros presos por furtos e roubos, resultando numa triste relação de "amor" e ódio com a polícia e que todos sabemos o final.

Chico César - Respeitem meus cabelos brancos


A história do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, tem um importante capítulo a partir do momento em que recebeu milhares desses ex-escravos, dando origem à centenas de cortiços no centro da capital (com péssimas condições sanitárias) e, posteriormente, após uma política de "higienização social" criou-se as favelas cariocas. Quais oportunidades você acha que se criaram para os negros apenas nos cem anos que meu bisavô viveu? O que, magicamente, melhorou com a abolição?

O grande problema é que as cotas tornaram-se uma solução de médio prazo, hoje temos colhido bons resultados das medidas adotadas pelas universidades há cerca de dez anos. Mas que outras medidas, além das cotas, tem se buscado? (talvez elas existam, mas desconheço) Ainda se sofre muito com o preconceito no nosso país e as estatísticas comprovam onde é que "o bicho pega".

Uma pesquisa apresentada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) traz dados preocupantes sobre a questão da violência contra a população negra do país. De acordo com o instituto o adolescente negro brasileiro tem quatro vezes mais chances de ser assassinado do que um branco. Ainda de acordo com a pesquisa, na década de 1980 a média de idade de negros vítimas de homicídio era de 26 anos, hoje ela é de apenas 20 anos. Segundo Daniel Cerqueira, chefe da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das Instituições e da Democracia (Diest)mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”¹.

Para a pedagoga Jussara de Barros "O dia da consciência negra é uma forma de lembrar o sofrimento dos negros ao longo da história, desde a época da colonização do Brasil, tentando garantir seus direitos sociais. (...) marcado pela luta contra o preconceito racial, contra a inferioridade da classe perante a sociedade. Além desses assuntos, enfatizam sobre o respeito enquanto pessoas humanas, além de discutir e trabalhar para conscientizar as pessoas da importância da raça negra e de sua cultura na formação do povo brasileiro e da cultura do nosso país"². 

Natiruts - Palmares 1999


A data é comemorada em 20 de novembro, em homenagem à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e um dos maiores combatentes da escravidão (ainda que alguns historiadores afirmem que até mesmo Zumbi teve seus escravos). Mas não vim aqui polemizar, nem desmerecer, ou supervalorizar ninguém. Afinal, o que define pessoas boas e ruins está mais fundo do que a derme ou a epiderme. 

Este post é uma provocação à refletirmos sobre problemas históricos em nosso país. A história dos negros é sofrida, humilhante e cruel. As religiões de origem africana, os costumes, os estilos musicais e tudo referente à cultura negra sempre foram as que mais sofreram/sofrem preconceitos dentro de nossa sociedade.

Ninguém precisa concordar com meus argumentos, mas que a gente consiga refletir a respeito. Apóio as cotas universitárias para alunos de escolas públicas. Acho que isso atende tanto aos negros, pardos, mulatos e a muitos brancos que vivem uma situação de privação de dificuldades financeiras. Mas as cotas para negros transcende a questão de renda. Ela toca no âmbito do preconceito, que associada à baixa renda é muito mais cruel e desumana. As cotas buscam restabelecer um laço social de inclusão do negro e da sua cultura dentro da nossa sociedade.

Apenas acho que ninguém pode desmerecer, ou ridicularizar o sistema de cotas sem antes apresentar um bom argumento, uma outra opção para reparar os danos, ou uma solução para o fim do preconceito dentro da nossa sociedade. Para mim quem apenas critica, sem ao menos conseguir dialogar sobre o assunto, me parece um menino mimado e birrento que não teve seu pedido atendido de imediato e ao ver o irmão receber um presente qualquer se sente no direito de receber algo melhor.


Zeca Baleiro - Alma não tem cor


¹fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-17/ipea-jovem-negro-corre-37-vezes-mais-risco-de-assassinato-do-que-branco 
²fonte: http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-nacional-da-consciencia-negra.htm


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Último post!?

Uma lista grande de coisas vêm me acontecendo desde o fim de Setembro. Tudo de ruim resolveu passar por mim e tirar um sarro do meu juízo. Perdas, derrotas, fracassos, tristezas, mágoas... que algumas vezes no meu dia não sei em qual delas pensar primeiro. É claro que o dia começa pelas ausências e pelo coração disparado, pensando em mais um dia vazio pela frente. O restante vem chegando conforme as horas passam e as atividades rotineiras vão nos lembrando de tudo o que nos falta.

Minha vida ainda não parou. Continua a saculejar pra lá e pra cá, revirando tudo e por vezes nem me dando tempo de respirar. Dizer sim no automático e depois me questionar, esquecer quase tudo que me dizem ou que deveria lembrar, lembrar da morte da minha mãe e surtar, dormir mal, passar um dia não tão melhor assim, não ter vontade de fazer nada, tomar remédios para tentar ficar sóbrio diante da vida e ainda me olhar no espelho e não me reconhecer.

Acho que a lição da temporada 2012 do seriado da minha vida tem a ver com sanidade mental, ou maturidade sentimental. Paciência, amor, saudade, raiva e tristeza nunca foram tão bem compreendidos e bem sentidos por mim (nos seus significados mais plenos). Hoje tento domá-los e dosá-los, mas na melhor das hipóteses tenho apenas conseguido perceber quão grandes e intensos são cada um desses sentimentos. Quão pequeno sou diante da destruição que esse furacão de sensações causa em minha vida.

O exercício diário de paciência tem sido uma lição na qual ando errando muito. A irritação exagerada por coisas tão medíocres que antes passariam por mim como pequenos divertimentos diários, mas que hoje parecem ofensas cruéis. Ou mesmo a vivência do amor em suas mais variadas vertentes, que me alimenta e me fortalece a cada novo dia. Amor companheiro, amor amigo, amor familiar e o amor paternal. Como é perturbador viver tantas coisas que se tornaram incontroláveis, enquanto também se vive outras tantas surpreendentes.

Por causa dessa inconstância, temo enlouquecer antes que termine cada novo dia. Em casa a ausência materna é tão presente que fere e acaba com tudo. A cachorra que passou dias sem comer, a TV que ninguém assiste, o marido que se escorou pelas paredes para não cair, a planta que morreu, o rádio que se calou, a mãe que quer morrer pra acompanhar a filha, a neta baleada, a sogra que não para de chorar e um filho quase a perder a fé em Deus.

Não sou nenhum doente terminal morrendo e sentindo dores que não passam mesmo medicadas. Não perdi tudo e todos de maneira violenta. Não estou a ver meus filhos morrerem de fome. Posso listar algumas dezenas de situações piores do que a minha, mas ninguém poderá dizer que não existe tanto sofrimento no que venho passando. Como já ouvi tantas vezes: Cada um sabe onde o calo aperta. E o meu calo aperta no peito, bem forte e pesado.

Falei tanto sobre a saudade aqui no blog, mas foi presunção minha pensar que a conhecia, ou que a havia sentido. Saudade não é falta, não é ausência, não é tristeza e não são lembranças. Saudade é tudo isso, duas vezes maior e pior. É uma dor fela da puta que não pára, aumenta, dilacera, queima, lateja e apenas nos adormece por alguns minutos em nosso dia para voltar maior no dia seguinte. Saudade é a dor da certeza de que você jamais terá aquilo de volta.

Há dias venho remoendo o fim do blog. Como um ruminante, guardo a ideia num canto qualquer e sempre que posso trago à tona para mastigar e tentar digerir. Por quê faria isso? Falta de leitores, falta de criatividade, falta de inspiração, falta de ânimo, falta de tesão... Não faltam motivos para encerrar meus devanios virtuais. Minha cabeça nunca esteve tão sobrecarregada como agora e minha alma nunca se sentiu tão pesada.

Esse texto, por exemplo, é, disparado, um dos piores postados aqui. Ele não segue uma linha de raciocínio e apenas traz um monte de informações jogadas ao acaso num desabafo de ideias e frustações. Os tempos de inspiração e textos "legíveis" se foram.

A impressão é de que o que ficou por aqui foi sofrimento, que traz impaciência, alimenta a raiva, motiva um choro, dói a cabeça, piora a gastrite e volta na saudade, que gera mais sofrimento, trazendo mais impaciência, alimentando outra vez a raiva, motivando novos choros, doendo a cabeça, atacando a gastrite e enlouquecendo enquanto se sente mais saudade, mais sofrimento, mais impaciência... mais solidão.

Zeca Baleiro e Margareth Menezes - Último post

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Brasília 5.1

Parabéns Brasília!

Pablo Neruda

"Em terra percebo a amplidão da cidade: Brasília não tem portas porque é espaço claro, extensão mental, claridade construída.
Burle Marx, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, a trilogia procriadora de cidades radiantes.

A catedral: uma rosa férrea que abre na altura grandes pétalas até o infinito. Brasília isolada no seu milagre humano, no meio do espaço brasileiro, é como uma imposição da suprema vontade criadora do homem.

Daqui nos sentiremos dignos de voar aos planetas"

Amigo de outros notórios comunistas, como Oscar Niemeyer (em visita a Brasília, Neruda ficou encantado com os significados da cidade para a construção do novo mundo) - Correio Braziliense, 12 de julho de 2004

Oswaldo Montenegro e Zeca Baleiro - Leo e Bia

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dicionário Musical: canção

Canção: canto; composição poética destinada geralmente a ser cantada.

Zeca Baleiro - Fiz Esta Canção


Ana Carolina - A canção tocou na hora errada


Lulu Santos - Esta Canção/Tempo Espaço


Sandy Lima - As canções que você fez pra mim


Leoni e Herbert Vianna - Canção pra quando você voltar


Mallu Magalhães - Nossa Canção

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília 5.0

Minha bela cidade chega aos 50 anos. Uma senhora menina, com problemas, com virtudes, feita de gente e sujeita a erros e acertos. Uma cidade viva, ampla, com espaços para não sufocar aqueles que se apaixonarem pela sua arquitetura. Uma cidade seca, empoeirada, verde, concretada e coberta pelo céu mais bonito do mundo. Parabéns Brasília, te amo!

Alceu Valença - Te amo Brasília


Os Paralamas do Sucesso - Vital e sua moto


Biquini Cavadão - Eduardo e Mônica


Djavan - Linha do Equador


Oswaldo Montenegro e Zeca Baleiro - Léo e Bia


Legião Urbana - Dezesseis


Os Paralamas do Sucesso - Brasília 5:31

terça-feira, 6 de abril de 2010

Encontros Musicais 06/04

Mais uma vez os encontros de gerações acontecem aqui no Brasil Musicado. Começamos por Gilberto Gil e Maria Rita, homenageando a inesquecível Elis Regina.

Gilberto Gil e Maria Rita - Amor até o fim


Luiz Melodia e Cássia Eller - Juventude transviada


João Bosco e Yamandú Costa - Linha de passe


Gal Costa e Zeca Baleiro - Vapor Barato/À flor da pele


Sandra de Sá e Toni Garrido - Não vá

segunda-feira, 15 de março de 2010

Encontros Musicais - 15/03

Os encontros de hoje representam grandes parcerias que renderam álbuns inteiros com estes duetos. Começando pela parceria de Pedro Luís (e a sua parede) com o mestre Ney Matogrosso.

Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede - O mundo


Titãs e Os paralamas do Sucesso - Marvin


Fagner e Zeca baleiro - Palavras e Silêncio


Simone e Zélia Duncan - Mãos Atadas


Roberto Carlos e Caetano Veloso - Wave

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dia da bandeira

Um dos mais importantes símbolos de um país é a sua bandeira. Mas as bandeiras representam também times de futebol, equipes esportivas, estados e cidades/municípios. As bandeiras surgiram na Idade Média quando tropas hasteavam um pedaço de pano em um estandarte e levavam à frente das tropas para que o batalhão "identificasse o seu pessoal".

As cores da nossa bandeira*

No caso da bandeira brasileira, o verde traria à lembrança o primeiro objeto que funcionou como bandeira: os ramos arrancados das árvores pelos homens primitivos em atitude espontânea de alegria. O verde nos remeteria ainda à nossa filiação com a França, à juvenilidade do país e ao imenso mar, literariamente verde nos escritos de José de Alencar.

O amarelo, por sua vez, representaria nossa riqueza mineral e a aventura dos bandeirantes à procura do ouro. De maneira poética, nos levaria à imagem do sol, astro que nos garante condições essenciais de sobrevivência.

Numa homenagem à Nossa Senhora, padroeira de Portugal e do Brasil, o azul, ao lado da cor branca, nos colocaria no esquema bandeirológico latino-americano, onde predominam essas duas cores: azul e branca.

E finalmente o branco. Traduzindo nossos desejos de paz, nos inclui nas filosofias que enxergam Deus como plenitude do ser e do poder, assim como o branco é a plenitude das cores.

*Fonte: COIMBRA, Olavo Raimundo. A Bandeira do Brasil: raízes histórico-culturais. Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 1972

Zeca Baleiro - Bandeira

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Histórias cantadas

Quantos livros você já leu até hoje? Muitos? Poucos? Nenhum? Aproveite a data e comece, hoje, mais um (ou o primeiro). E já que o assunto é livro, apresento canções que trazem nos títulos os nomes de famosos personagens da literatura mundial.

Engenheiros do Hawaii - Dom Quixote


Zélia Duncan e Hamilton de Holanda - Capitu


O país possui tantas músicas que narram histórias que algumas poderiam, facilmente, se transformar em obras-primas da nossa literatura. É a música brasileira contando suas histórias no dia do livro.

Zizi Possi e Luiza Possi - João e Maria


Zeca Baleiro - Heavy metal do Senhor


Gilberto Gil e Os Mutantes - Domingo no parque


Legião Urbana* - Soldados

*Cenas do Filme Pearl Harbor

Nenhum de Nós - Camila, Camila


Racionais MC's - Diário de um detento


sábado, 3 de outubro de 2009

Todo dia é dia de música popular brasileira - parte 7

Adriana Calcanhoto sutilmente envolve nossos ouvidos com sua voz serena. Mesmo quando dedica um álbum inteiro as crianças ela consegue ser pop e conquistar a todos. Admirada mundo à fora, em especial em Portugal, Calcanhoto é uma das mais talentosas compositoras da atualidade.

Adriana Calcanhoto - Metade


João Rubinato, ou como era realmente conhecido: Adoniran Barbosa, foi a prova concreta de que o samba podia ser feito na selva de pedra. Figura única de nossa música, irreverente, de voz rouca, o paulistano Adoniran fez samba para que todos pudessem admirar. Cantando o português de forma errada, se aproximou e conquistou o grande público.

Adoniran Barbosa - As mariposa


Tim Maia é outra daquelas figuras folclóricas de nossa música. Seja o sacana e bem-humorado ou o resmungão pedindo mais retorno, Tim deixa muitas saudades em seus fãs. Talentoso, de voz potente e bela, sua carreira de sucessos se confunde com o abuso de drogas. Talvez o defeito que mais tenha desagradado seus fãs, era o fato de que nem sempre ele aparecia nos seus shows e apresentações nas tvs.

Tim Maia - Do Leme ao Pontal


Dos grandes sambistas que você conhece atualmente, boa parte tem Beth Carvalho como madrinha. A cantora vem de uma época em que muitas mulheres estavam se destacando nas rodas de samba. Entre elas: Alcione, Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus.

Beth Carvalho - As rosas não falam



O Rappa foi uma das boas surpresas da década de 1990. Com as críticas socias impregnadas em suas letras a banda carioca, sem um estilo definido, se definiu muito bem em cada protesto que cantou. Hoje, sem Marcelo Yuka, principal letrista, a banda perdeu o brilho de antes, mas ainda tem um público fiel onde quer que vá.

O Rappa - Minha Alma (a Paz que Eu Não Quero)


Alagoano de talento indiscutível, Djavan é unanimidade entre jovens e adultos. O compositor e cantor nordestino sabe muito bem levar o romantismo em suas canções. Na estrada há tanto tempo ainda se mantêm criativo e com talento de sobra.

Djavan - Te devoro


Dorival Caymmi compôs para nossos maiores intérpretes. O samba do baiano atravessou o mundo e está entre nossas músicas mais conhecidas internacionalmente. Entre suas principais intérpretes está Carmem Miranda. Caymmi deixou, além de uma bela obra, uma musical e talentosa família que continua levando seu nome e a tradicional música baiana adiante.

Dorival Caymmi e Gal Costa - Só louco


O rock da década de 1980 foi criativo e debochado com o fim da ditadura. Dentre as inúmeras bandas da época, os Titãs foram os que mais reuniram talentos em um só lugar. Mesmo com a saída de Arnaldo Antunes, Nando Reis e a morte de Marcelo Frommer, os paulistanos continuam emplacando hits ainda hoje. Os roqueiros sabem como se manter no voraz mecado e se renovar agradando e conquistando novos públicos.

Titãs - Porque eu sei que é amor


Acredito que o sonho de toda intérprete seja cantar como Maria Bethânia. A baiana talvez seja, atualmente, a nossa maior intérprete. Bethânia construiu sua carreira com seu canto e seu repertório, sem viver às margens do talento do irmão, Caetano Veloso. Assim como Clara, a cantora sempre trouxe em seu repertório canções que falassem dos orixás e dos elementos das religiões afrobrasileiras, mas também soube falar do amor.

Maria Bethânia - Olhos nos olhos


Se engana quem pensa que o Maranhão é lugar de pouca inspiração musical. Zeca Baleiro é um dos novos e geniais nomes da nossa música. O talentoso compositor é de uma nova geração que ainda tem muito para contribuir à nossa música.

Zeca Baleiro - Lenha


Se espanta quem ouve pela primeira vez, Clementina de Jesus. Com uma voz única a grande sambista é quase desconhecida atualmente. Uma de nossas grandes figuras musicais, ela está entre as maiores vozes negras de nosso país. Pena que pouca gente (re)conheça e admire seu trabalho.

Clementina de Jesus - Ensaboa



Brasília também contribuiu musicalmente para nossa música popular. O Natiruts deixou o Lago Paranoá e surfou em outras ondas por todo o país. A banda representa o mais bem sucedido caso de reggae dentro da nossa música, atualmente. Frutos da geração pós-Cidade Negra, os brasilienses sabem como levar seu público ao delírio.

Natiruts - Reggae power


A Legião Urbana foi, com certeza, a maior banda de rock do Brasil. Quem conseguiu compor e entender tão bem o que se passava com seus fãs como fez Renato Russo? Quem conseguiria fazer uma canção de quase dez minutos de duração se tornar um clássico e ser tocada em rádios? A Além desses e de tantos outros feitos, a Legião conseguiu vender milhões de cópias fazendo pouquíssimos shows. Em cada apresentação milhares de fãs se apertavam em estádios e ginásios para ver de perto as históricas apresentações da banda brasiliense.

Legião Urbana - Faroeste caboclo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dicionário Musical: feliz

Feliz: afortunado; próspero; satisfeito; contente; que denota alegria; abençoado; bendito; protegido.

Barão Vermelho - Pro dia nascer feliz


Natiruts - Quero ser feliz também


Hoje - Leila Pinheiro


Zeca Baleiro - Proibida pra mim

sábado, 12 de setembro de 2009

Setembro, mês sete (hein?)

Setembro é o nono mês do ano e dura 30 dias, disso todo mundo sabe (acredito). Mas o nome se deve à palavra latina septem (sete), nomeação recebida no tempo em que o mês era o sétimo no calendário romano, que começava em março.

Com as mudanças nos calendários e os meses que homenageavam os imperadores, setembro tornou-se o nono mês e consequentemente alterou a ordem dos meses seguintes.

Zeca Baleiro - Bandeira


Setembro, mês da independência e que por muito tempo será lembrado como o mês em que ocorreram os ataques terroristas às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos. Enfim, que venha mais um setembro em nossas vidas.

domingo, 30 de agosto de 2009

Encontros Musicais - 30/08

Zeca Pagodinho é um dos personagens mais queridos e carismáticos que a música brasileira já viu. Até quem não gosta de samba tem uma certa simpatia pelo boêmio carioca. Hoje o irreverente sambista vem para mostrar alguns dos vários encontros de sua carreira.

Zeca Pagodinho e Martinho da Vila - Mulheres


Zeca Baleiro e Zeca Pagodinho - Samba do Approach


Beth Carvalho e Zeca Pagodinho - Camarão que dorme a onda leva


Zeca Pagodinho e Ivete Sangalao - Falsa baiana/Deixa a vida me levar


Zeca Pagodinho, B Negão, Black Alien, Daniela Mercury, Marcelo D2, Negra Li, Paula Lima, Vanessa Camargo e Vanessa da Mata - Verdade

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Salve Moska!

Esta postagem vem carregada de fanatismo e admiração. Cantor, compositor, instrumentista, ator... arte é algo levado a sério por nosso aniversariante de hoje. Muitos não conhecem sua genialidade, outros desconhecem que o conhecem, mas já cantarolaram pelo menos uma de suas canções.

Paulinho Moska - Pensando em você


O músico, de 42 anos, têm feito muito sucesso além de nossas fronteiras "sulamericanas". Gravando canções de Jorge Drexler e Kevin Johansen conquistou nosso "hermanos" e fez novos amigos e parceiros. Em uma apresentação ao lado dos amigos, argentino e uruguaio, os três foram chamados de trio mercosul. Aqui se apresenta com a amiga e parceira Zélia Duncan.

Paulinho Moska e Zélia Duncan - Idade do céu


Amigo de muitos dentro da mpb, Moska vem de uma geração cheia de talentosos compositores, instrumentistas e cantores. Como nesse encontro com seus quatro amigos.

Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Paulinho Moska e Marcus Suzano - Acredite ou Não/Heloísa mexe a cadeira/ Deixa isso pra lá


Os cinco gravaram esta canção para um dos álbuns de Moska. A qualidade do vídeo não é das melhores, mas vale o registro dos cinco ao vivo.

Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Paulinho Moska e Marcus Suzano - O mundo


Talento, genialidade e irreverência marcam a sua carreira. Desde os tempos em que fazia parte do grupo Inimigos do Rei (começo dos anos 1990) traz o humor para suas composições. O vídieo não é dos melhores, mas...

Inimigos do Rei - Adelaide


Paulinhos Moska (ou Moska) muitos anos de vida. Muito sucesso e música na sua vida.

Paulinho Moska - Quantas Vidas


Fechamos com o fim dos tempos na versão do nosso aniversáriante. A canção foi tema de abertura de um seriado da Tv Globo na década de 1990. O vídeo é um compilado de imagens feito por um fã.

Paulinho Moska - Último Dia

sábado, 22 de agosto de 2009

Dia do Folclore

O nome vem do inglês Folk-lore (folk: povo, nação, família e lore: instrução, conhecimento, saber). O que traduzido seria algo como sabedoria popular. O rico folclore brasileiro, em algum momento de nossa vida, nos causou surpresa e encanto quando contado por nossos professores ou pelos mais velhos. Lendas e conhecimentos que ultrapassaram os séculos e são contados de geração para geração.

Já que o assunto é folclore, me rendo à sensualidade e o charme da cantora Céu (que traz a sua própria lenda cheia de sapos e príncipes). A jovem é reconhecida e admirada internacionalmente por seu trabalho, mas ainda busca seu público por aqui. O vídeo é um trecho do programa do Canal Brasil, zoombido, apresentado pelo compositor e cantor Paulinho Moska.

Céu - Lenda


Quem nunca ouviu uma lenda que falava de um ser místico e levado que vive pelas matas pregando peças nas pessoas? Pulando com uma perna só, de gorro vermelho e fumando seu cachimbo ele chega aos nossos vídeos de hoje. Em 1982 a rede Globo apresentou um especial com vários nomes da nossa música para comemorar o centenário de Monteiro Lobato. Jorge Ben Jor ficou encarregado de representar o Saci Pererê, popularizado nos contos do escritor.

Jorge Ben Jor - Saci Pererê


A bela sereia na beira do rio penteando seus cabelos, Iara - a mãe d'água, encantou muitos em várias partes do mundo. No Brasil ganhou este nome, mas para algumas religiões de origem africana a dona dos rios e das cachoeiras atende por outro nome.

Zeca Baleiro - Mamãe Oxum


Sereias que nadam em nossos rios e saem dos nossos mares para sambar na beira da praia. Na voz da saudosa Clara Nunes, que encanta cercada por seus orixás.

Clara Nunes - Conto da Areia


Salve o Saci, o Curupira, a Iara, a Mula sem cabeça e todo o folclore brasileiro!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Agosto, mês do desgosto

Diz o dito popular que Agosto não é o melhor dos meses. Mais do que uma simples rima, reza a lenda que tudo começou há muito tempo, lá em Portugal.

Segundo a história, as portuguesas nunca se casavam no oitavo mês do ano por ser uma época em que os navios das expedições partiam à procura de novas terras. Casar em Agosto significava não apenas ficar sozinha, sem a tão esperada lua-de-mel, mas correr o sério risco de ficar viúva. Crença trazida até nós pelos colonizadores portugueses.

Verdade ou não, o dito virou superstição e ainda hoje muitos evitam se arriscar e não marcam viagens, mudanças ou casamentos durante o mês. Afinal, vai que acontece um desgosto de verdade?

Fagner e Zeca Baleiro - Balada de Agosto



O nome Agosto é uma homenagem dos romanos ao imperador Augusto que na época vivia uma importante fase de conquistas, entre elas a do Egito.