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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Consciência... negros, brancos, índios e mulatos!

Desde a semana passada vejo um certo burburinho a respeito das cotas para negros em concursos públicos. Uma maioria, esmagadora, se posicionando contrária a ideia de que a medida adotada por universidades em todo o país se estenda às repartições públicas.

Acho válido o objetivo das cotas. Acredito na defesa da medida como um "reparador" dos danos causados em mais de 500 anos de discriminação e abuso contra uma grande parcela do nosso país. Não precisa ser um profundo conhecedor da história para saber o que se passou com os milhões de homens, mulheres e crianças arrancados do continente africano e levados mundo a fora para servir aos senhores e senhoras religiosos e bondosos (que contribuíram muito bem com o reino e iam à igreja aos domingos).

Um colega de jornalismo, professor de uma conceituada universidade federal, esbravejou quando me posicionei a favor da medida, anos atrás. Logo ele respondeu que não tinha culpa nenhuma de nada e não poderia pagar "Eu não fiz nada contra os negros". Fiquei sem entender. Um jornalista, professor universitário, intelectual, cineasta, com um discurso tão inflamado e cheio de ódio. Por quê?

Não consegui achar motivo, no fundo dos olhos verdes e da pele rosada do colega. Mas talvez todo o contexto em que ele se encontrava podia dizer por si só. Não tenho a pele negra, mas me considero negro por saber bem do meu passado, do meu avô com seus quase 90 anos e do meu bisavô que morreu com mais de cem anos. Ou mesmo do meu pai, mais claro do que eu, mas com um dos cabelos black powers e grisalhos mais maneros que conheço. Assim como sei das minhas raízes indígenas (da bisavó pega a laço que todos temos) e europeias também (com meus avós, bisavós e tios-avós de olhos verdes, azuis e cor-de-mel).


Ellen Oléria - Zumbi


Meu bisavô nascido no início da década de 1880, viu um Brasil que nenhum de nós viu. Por pouco ele não nasceu escravo (salvo pelo "Ventre Livre"), mas sentiu o poder de uma discriminação de quase 400 anos sobre um povo que nunca teve direitos. Nasceu vendo pais analfabetos, morreu analfabeto e deixou uma dezena de filhos analfabetos. Com certeza virá alguém dizer que não estudaram porque não quiseram. Não, caras-pálidas! Não estudaram porque não puderam e o trabalho era fundamental para sua sobrevivência.

Trabalhar de domingo à domingo, sob Sol e chuva para garantir o mínimo do mínimo, recebendo muito pouco (ou quase nada). Ainda assim ultrapassou os cem, viu um século inteiro de pequenas melhorias, mas não o suficiente para que os filhos tivessem uma vida tão melhor quanto a dele. Alguns viveram e morreram na mesma casa minúscula, de teto baixo, quatro cômodos e que (muito tempo depois) ganhou o luxo de um banheiro dentro de casa.

Não quero, de maneira alguma, comover quem quer que seja com esses relatos, mas acho que as cotas reparam (ainda que tardiamente) um mal histórico. Os negros "recém-libertos" se viram escravos da miséria e ignorância numa escala ainda pior do que quando pertenciam aos seus senhores. O "favor" que a princesa lhes fez tinha, muito mais, uma pressão internacional por trás do que um bondoso gesto real. Os ex-escravos se viram livres, mas sem estudos e ninguém disposto a pagar por um serviço que antes eles faziam gratuitamente.

Quando os senhores se viam no direito de pagar por algo, a esmola era dada com a má vontade que dizem dar até dor de barriga em quem recebe. Sem estudos, moradia, emprego e logo sem saúde, o que fazer para não morrer de fome, nem ver seus filhos morrerem? A resposta se dá com milhares de negros presos por furtos e roubos, resultando numa triste relação de "amor" e ódio com a polícia e que todos sabemos o final.

Chico César - Respeitem meus cabelos brancos


A história do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, tem um importante capítulo a partir do momento em que recebeu milhares desses ex-escravos, dando origem à centenas de cortiços no centro da capital (com péssimas condições sanitárias) e, posteriormente, após uma política de "higienização social" criou-se as favelas cariocas. Quais oportunidades você acha que se criaram para os negros apenas nos cem anos que meu bisavô viveu? O que, magicamente, melhorou com a abolição?

O grande problema é que as cotas tornaram-se uma solução de médio prazo, hoje temos colhido bons resultados das medidas adotadas pelas universidades há cerca de dez anos. Mas que outras medidas, além das cotas, tem se buscado? (talvez elas existam, mas desconheço) Ainda se sofre muito com o preconceito no nosso país e as estatísticas comprovam onde é que "o bicho pega".

Uma pesquisa apresentada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) traz dados preocupantes sobre a questão da violência contra a população negra do país. De acordo com o instituto o adolescente negro brasileiro tem quatro vezes mais chances de ser assassinado do que um branco. Ainda de acordo com a pesquisa, na década de 1980 a média de idade de negros vítimas de homicídio era de 26 anos, hoje ela é de apenas 20 anos. Segundo Daniel Cerqueira, chefe da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das Instituições e da Democracia (Diest)mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”¹.

Para a pedagoga Jussara de Barros "O dia da consciência negra é uma forma de lembrar o sofrimento dos negros ao longo da história, desde a época da colonização do Brasil, tentando garantir seus direitos sociais. (...) marcado pela luta contra o preconceito racial, contra a inferioridade da classe perante a sociedade. Além desses assuntos, enfatizam sobre o respeito enquanto pessoas humanas, além de discutir e trabalhar para conscientizar as pessoas da importância da raça negra e de sua cultura na formação do povo brasileiro e da cultura do nosso país"². 

Natiruts - Palmares 1999


A data é comemorada em 20 de novembro, em homenagem à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e um dos maiores combatentes da escravidão (ainda que alguns historiadores afirmem que até mesmo Zumbi teve seus escravos). Mas não vim aqui polemizar, nem desmerecer, ou supervalorizar ninguém. Afinal, o que define pessoas boas e ruins está mais fundo do que a derme ou a epiderme. 

Este post é uma provocação à refletirmos sobre problemas históricos em nosso país. A história dos negros é sofrida, humilhante e cruel. As religiões de origem africana, os costumes, os estilos musicais e tudo referente à cultura negra sempre foram as que mais sofreram/sofrem preconceitos dentro de nossa sociedade.

Ninguém precisa concordar com meus argumentos, mas que a gente consiga refletir a respeito. Apóio as cotas universitárias para alunos de escolas públicas. Acho que isso atende tanto aos negros, pardos, mulatos e a muitos brancos que vivem uma situação de privação de dificuldades financeiras. Mas as cotas para negros transcende a questão de renda. Ela toca no âmbito do preconceito, que associada à baixa renda é muito mais cruel e desumana. As cotas buscam restabelecer um laço social de inclusão do negro e da sua cultura dentro da nossa sociedade.

Apenas acho que ninguém pode desmerecer, ou ridicularizar o sistema de cotas sem antes apresentar um bom argumento, uma outra opção para reparar os danos, ou uma solução para o fim do preconceito dentro da nossa sociedade. Para mim quem apenas critica, sem ao menos conseguir dialogar sobre o assunto, me parece um menino mimado e birrento que não teve seu pedido atendido de imediato e ao ver o irmão receber um presente qualquer se sente no direito de receber algo melhor.


Zeca Baleiro - Alma não tem cor


¹fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-17/ipea-jovem-negro-corre-37-vezes-mais-risco-de-assassinato-do-que-branco 
²fonte: http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-nacional-da-consciencia-negra.htm


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fábrica de Pesadelos

Que o papel aceita de tudo, isso não é novidade. Aliás, escrito o mundo se torna tão bonito e perfeitinho que nos orgulhamos de nossa humanidade. Pode-se criar leis que ofereçam direitos e deveres sem se esquecer de ninguém. Nas linhas é possível erguer um país justo e igualitário e corrigir os desenganos que o tempo cometeu.

Pena que quando saímos do papel pouco se concretiza. Em especial a assistência social, tão bonita em sua normatização. Tão garantidora de direitos que pode comover o mais desavisado que lê-la, acreditando que o mundo a concretiza. A verdade por trás de tudo isso é que os governantes entendem o serviço social como uma mera forma de assistencialismo que devolve aos seus governos votos importantes a cada 4 anos.

Após quase um ano em um abrigo público constato o completo abandono do Estado e o reflexo sentido por mim, a frágil ponta da linha que liga excluídos adolescentes de rua ao governo. Uso excessivo de drogas, vandalismo, tráfico, roubos, violência gratuita, algumas vezes a tentativa de coagir a nós que tentamos garantir-lhes os mínimos direitos e tendo como único apoio do sistema a "metodologia" da Polícia Militar (inimiga número 1 dos jovens em situação de rua).

Meu local de trabalho (nas piores condições estruturais possíveis) se localiza, ironicamente, próximo a um belíssimo canteiro de obras. Um estádio que receberá nações e será palco de possíveis alegrias a cada país representado. Até por quê, no "país do futebol" é imprescindível garantir uma bela Copa do Mundo e mostrar a capacidade da nossa nação em receber as Olimpíadas em 2016.

Afinal, o que garante votos? Abrigos que cuidam de idosos, moradores de rua, mulheres com problemas mentais e crianças? Ou a distribuição de pão, leite e auxílios que incentivam famílias a terem mais e mais filhos sem se importar de maneira eficaz com o planejamento familiar e a melhora social? Quase ia me esquecendo, as famílias que recebem os auxílios são, em parte, as mesmas que por vários motivos vêem seus filhos se envolverem no crime, traficarem, morarem na rua, se drogarem e chegarem até abrigos iguais ao que trabalho.

Como nos alertou um colega de trabalho, ex-morador de rua, "menino de rua é igual onça, todo mundo defende, mas ninguém chega perto". No mais alto escalão da secretaria, promessas eternas de que tudo há de melhorar enquanto adolescentes são presos, mortos, traficam, são estuprados, viciados, agredidos, rejeitados, prostituídos e os servidores públicos que os assistem adoecem, são agredidos, ameaçados e com pouco mais de dois meses perdem todos os sonhos de que era possível mudar muitas vidas.

O sonho não é de todo em vão. Algumas poucas almas podem ser salvas, não por ajuda de um governo, mas por desejo de mudança do jovem. Como ovos de tartarugas enterrados na areia da praia, de cada mil, um consegue superar a natureza e sobreviver.

Natiruts e GOG - Quem Planta Preconceito

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Encontros Internacionais 15

Entra ano, sai ano, todos querem abrasileirar suas músicas. Começamos por Natiruts e a participação porto riquenha de Willy Rodriguez.

Natiruts e Willy Rodriguez (Banda Cultura Profética) - Au de cabeça


Seguimos com Paulinho Moska e o amigo argentino Kevin Johansen, um dos mais "brasileiros" entre os artistas internacionais.

Paulinho Moska e Kevin Johansen - Waiting for the Sun to Shine


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dicionário Musical: amor (9)

Amor: afeição profunda; objeto dessa afeição; conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual; afeto a pessoas ou coisas; paixão; entusiasmo.


Vanessa da Mata - Amado*

*cenas do filme O fabuloso destino de Amelie Poulain

Frejat - Como é grande o meu amor



Natiruts - Deixa o menino jogar



Leila Pinheiro e Roberto Menescal - Oceano


Jay Vaquer - Pais e filhos



Secos e Molhados - O patrão nosso de cada dia




Cidade Negra - A sombrada maldade

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dicionário Musical: calma

Calma: calor atmosférico; hora mais quente do dia; calmaria; tranquilidade; quietude.

Natiruts - Naticongo


Mart'nália e Zélia Duncan - Calma


Casuarina - Meu drama (Senhora Tentação)


Roberta Campos - Idade do céu


Los Hermanos - De onde vem a calma


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Clássico é clássico!

O sucesso de Gilberto Gil mostra-se presente ainda em muitos palcos pelo Brasil. Jorge Vercilo revisita o clássico do baiano em sua versão voz e violão.

Jorge Vercilo - Palco


A genialidade de Gil também inspira outros jovens artistas. Fecho o post de hoje com o Natiruts prestando sua homenagem ao nosso mestre da MPB.

Natiruts - Vamos Fugir

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Canções Amigas

Ai, ai.. Rafa é mais uma daquelas criaturas especiais que a vida me deu de presente. Tantos lances que vivemos na faculdade, na pós, na vida e no fim estávamos contando com o outro pra rir e dar aquela força.

Loira, ruiva, morena, não importa como esteja é sempre a mesma menina-mulher de sempre. Minha parceira de "lombras", de shows, de Cruzex, de confissões, de conselhos, de atenção, de palhaçadas, de trabalho e da vida. Eita Anápolis, bons tempos aqueles hein Rafa?

Enfim, essa moça tá muito bem guardada entre as melhores. Ainda espero meu bolo de "ervas finas" no meu aniversário, viu? Só a galera, o reggae, a chapada e o bolo. kkkkkkkkkk

Natiruts - Naticongo

terça-feira, 23 de março de 2010

Nossa missão

Semana passada visitando o blog da minha professora, colega de radialismo e jornalismo, mestre e amiga Adriane Lorenzon (Loló), me encantei com um belíssimo texto a respeito das missões que cada um tem nessa vida.

Acredito naquela máxima de que não viemos aqui para passear. Pelo menos o passeio fica pra depois de cumprirmos nossas obrigações. Vale conferir. Abaixo o link para o texto.

Dri Loren para maiores - A missão de cada um

Natiruts - Nossa Missão

domingo, 27 de dezembro de 2009

Dicionário Musical: paz

Paz: tranquilidade pública; concórdia; sossego; cessação de hostilidades; silêncio; descanso.

Natiruts - Em paz


Verônica Ferriani - Me deixa em paz


Gilberto Gil - A paz


Ivete Sangalo e Maria Bethânia - Muito obrigado, axé


Maria Rita - Minha Alma ( a paz que eu não quero)


Titãs - Pela paz


Paz! São os votos do Brasil Musicado para o 2010 de todos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Interatividade musical!

Os regueiros (brasilienses) do Natiruts estão com uma promoção que tem mobilizado seus fãs internautas. A banda está compondo uma música em parceria com os seus seguidores no twitter. A próxima etapa deve ser a construção do refrão e começará neste sábado (12/12).

No próprio site, a banda explica a promoção.

"A gente nunca sabe o quanto vai durar o Natiruts. Nem se o nosso futuro será de mais sucesso ou de ostracismo. Na realidade pensarmos nisso é importante mas não é o motivo pelo qual cuidamos do Natiruts. Temos consciência de que todas as coisas que rolaram até hoje com a banda tiveram uma participação direta de vocês, o público. Então depois de treze anos de existência, o que nos importa são as opiniões das pessoas que usam seu precioso tempo para compartilharem momentos de música e de sonhos com a gente. Principalmente nos shows, lugar onde o Natiruts é totalmente Natiruts. Sabemos que hoje somos a voz para muitas pessoas, aqui e em alguns lugares do globo. E achamos que chegou o momento de vocês serem a sua prórpia voz. Abram os seus corações e não tenham medo de exporem seus sentidos e sentimentos porque com certeza existe um outro alguém, em algum lugar, que irá se identificar e se emocionar com eles." Natiruts.

Para mais informações acessem o site: http://natiruts.uol.com.br/promo/
E sigam a banda no Twitter: http://twitter.com/natirutsoficial

No trabalho recente deles foi gravado um dueto cheio de suingue com a cantora Cláudia Leite.

Natiruts e Cláudia Leite - Sorri, sou rei

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Musicalmente consciente

Ainda em comemoração ao dia da consciência negra, continuo com homenagens à Zumbi dos Palmares e aos milhões de negros escravizados por todo o mundo.

Maria Bethânia- Yáyá Massemba


Jorge Ben Jor - Zumbi


Natiruts - Palmares 1999


Nação Zumbi - Cidadão do mundo

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Brasil: futebol, praia e intolerância

Nossas belas praias, o futebol, a música e um povo alegre, receptivo e livre de preconceitos são "imagens meramente ilustrativas" criadas mundo afora e que escondem uma grande marca de intolerância e preconceito impregnada no Brasil. Religião, cor da pele, sexo, desigualdade social e tantos outros "motivos" são responsáveis por muitas das atitudes intolerantes.

Em tempos de ataques terroristas, terrorismo para mim é não poder ser, ou pensar como eu bem quiser. É não saber do que o outro será capaz ao descobrir que não compartilho de suas opiniões. Seja quando um vestido curto torna-se motivo para xingar e humilhar uma mulher, ou quando a fé em Deus, em Buda ou até a mesmo a descrença faça com que as pessoas acreditem serem melhores ou piores do que o outro.

Apesar de tudo, ainda vivemos em um país que não faz guerras internas para impor religiões ou dogmas. Uma nação que depois de séculos de escravidão começa a devolver aos negros seu espaço dentro da sociedade (mesmo que timidamente). Mas só isso não é o suficiente, nem o bastante para nos livrar dessa chaga.

Que no dia internacional para a tolerância sejamos um povo melhor. Que não sejamos apenas uma imagem, mas uma constatação de que somos tolerantes ao que nos é diferente. Afinal, liberdade é poder escolher o que se quer.

Natiruts e GOG - Quem planta preconceito

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nordestino, povo de contrastes

O nordeste do nosso país ainda é uma das regiões mais pobres e de maior desigualdade social. A falta de chuva no sertão, a exploração sexual infantil no litoral, que movimenta milhões com o turismo, ou mesmo o carnaval milionário de Salvador que exclui a população local e "abre alas" à classe média e alta de todo o país, são algumas das feridas mais expostas.

Natiruts - Palmares 1999


Nordeste de Zumbi. Nordeste de Palmares. Nordeste de séculos de escravidão e tirania.

Ellen Oléria - Zumbi


Nordeste de contrastes, enquanto a miséria acontece ali ao lado, um cenário paradisíaco se forma à frente. Uma população sem estudos e oportunidades que abandona tudo e se arrisca nas vorazes capitais em outras regiões do país. Movimento migratório surgido desde a época da "abolição da escravatura", no fim do século XIX e no início do século XX. Em busca de uma vida melhor, os imigrantes pobres e negros, encontraram nas metrópoles muito trabalho, pouco dinheiro e a violência de sobra (gratuita e sem limites).

Zé Ramalho - Admirável gado novo


Nordeste de fé e sofrimento. Nordeste que cria seus próprios santos. Nordeste de crença e esperança na ajuda divina.

Tim Maia - Padre Cícero


E mesmo com tantas mazelas, esse povo ainda ri, ainda sabe como ser feliz. Salve o dia do nordestino, salve!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Encontros Musicais 06/10

Por mais que nosso país seja um ponto de encontro de tantas culturas, raças e credos, existem encontros que ninguém, ou poucos, puderam pensar em fazer. Entre eles está unir reggae e funk, como no encontro abaixo.

Natiruts e Dj Malboro - Natiruts Reggae power


Esse inusitado encontro foi promovido pela multinacional Coca-cola em parceria com a Mtv. Além desse encontro, na minha opinião bem sucedido, aconteceram outros um tanto quanto "polêmicos". Me diga o que você acha de unir Paralamas e Calypso no mesmo palco? Talvez por algum preconceito musical, nem todos os fãs (dos roqueiros) gostaram.

Os Paralamas do Sucesso e Calypso - Loirinha bombril


Mas houveram outros encontros que foram unânimidade entre o público dos dois artistas. Como no caso das jovens Pitty e Negra Li.

Pitty e Negra Li - Você vai estar na minha

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quando bicho vira inspiração musical

Não são poucos os casos em que os bichos ganham vez e tornam-se fonte de inspiração da nossa música. Em comemoração ao dia das aves e o dia mundial dos animais nossos artistas homenageiam a fauna.

Alceu Valença - Como dois animais


Natiruts - Presente de um Beija-flor


Waldick Soriano - Eu não sou cachorro não


Vanessa da Mata - História de uma gata


Afroreggae - Mosca na sopa


Caetano talvez seja um dos nossos compositores que mais se inspira na vida animal. Cruzando o elemento animal ao humano, o compositor deu origem a grandes sucessos da MPB.

Caetano Veloso - O leãozinho


Gal Costa - Vaca profana


João Donato - A rã


Caetano Veloso - Tigresa

sábado, 3 de outubro de 2009

Todo dia é dia de música popular brasileira - parte 7

Adriana Calcanhoto sutilmente envolve nossos ouvidos com sua voz serena. Mesmo quando dedica um álbum inteiro as crianças ela consegue ser pop e conquistar a todos. Admirada mundo à fora, em especial em Portugal, Calcanhoto é uma das mais talentosas compositoras da atualidade.

Adriana Calcanhoto - Metade


João Rubinato, ou como era realmente conhecido: Adoniran Barbosa, foi a prova concreta de que o samba podia ser feito na selva de pedra. Figura única de nossa música, irreverente, de voz rouca, o paulistano Adoniran fez samba para que todos pudessem admirar. Cantando o português de forma errada, se aproximou e conquistou o grande público.

Adoniran Barbosa - As mariposa


Tim Maia é outra daquelas figuras folclóricas de nossa música. Seja o sacana e bem-humorado ou o resmungão pedindo mais retorno, Tim deixa muitas saudades em seus fãs. Talentoso, de voz potente e bela, sua carreira de sucessos se confunde com o abuso de drogas. Talvez o defeito que mais tenha desagradado seus fãs, era o fato de que nem sempre ele aparecia nos seus shows e apresentações nas tvs.

Tim Maia - Do Leme ao Pontal


Dos grandes sambistas que você conhece atualmente, boa parte tem Beth Carvalho como madrinha. A cantora vem de uma época em que muitas mulheres estavam se destacando nas rodas de samba. Entre elas: Alcione, Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus.

Beth Carvalho - As rosas não falam



O Rappa foi uma das boas surpresas da década de 1990. Com as críticas socias impregnadas em suas letras a banda carioca, sem um estilo definido, se definiu muito bem em cada protesto que cantou. Hoje, sem Marcelo Yuka, principal letrista, a banda perdeu o brilho de antes, mas ainda tem um público fiel onde quer que vá.

O Rappa - Minha Alma (a Paz que Eu Não Quero)


Alagoano de talento indiscutível, Djavan é unanimidade entre jovens e adultos. O compositor e cantor nordestino sabe muito bem levar o romantismo em suas canções. Na estrada há tanto tempo ainda se mantêm criativo e com talento de sobra.

Djavan - Te devoro


Dorival Caymmi compôs para nossos maiores intérpretes. O samba do baiano atravessou o mundo e está entre nossas músicas mais conhecidas internacionalmente. Entre suas principais intérpretes está Carmem Miranda. Caymmi deixou, além de uma bela obra, uma musical e talentosa família que continua levando seu nome e a tradicional música baiana adiante.

Dorival Caymmi e Gal Costa - Só louco


O rock da década de 1980 foi criativo e debochado com o fim da ditadura. Dentre as inúmeras bandas da época, os Titãs foram os que mais reuniram talentos em um só lugar. Mesmo com a saída de Arnaldo Antunes, Nando Reis e a morte de Marcelo Frommer, os paulistanos continuam emplacando hits ainda hoje. Os roqueiros sabem como se manter no voraz mecado e se renovar agradando e conquistando novos públicos.

Titãs - Porque eu sei que é amor


Acredito que o sonho de toda intérprete seja cantar como Maria Bethânia. A baiana talvez seja, atualmente, a nossa maior intérprete. Bethânia construiu sua carreira com seu canto e seu repertório, sem viver às margens do talento do irmão, Caetano Veloso. Assim como Clara, a cantora sempre trouxe em seu repertório canções que falassem dos orixás e dos elementos das religiões afrobrasileiras, mas também soube falar do amor.

Maria Bethânia - Olhos nos olhos


Se engana quem pensa que o Maranhão é lugar de pouca inspiração musical. Zeca Baleiro é um dos novos e geniais nomes da nossa música. O talentoso compositor é de uma nova geração que ainda tem muito para contribuir à nossa música.

Zeca Baleiro - Lenha


Se espanta quem ouve pela primeira vez, Clementina de Jesus. Com uma voz única a grande sambista é quase desconhecida atualmente. Uma de nossas grandes figuras musicais, ela está entre as maiores vozes negras de nosso país. Pena que pouca gente (re)conheça e admire seu trabalho.

Clementina de Jesus - Ensaboa



Brasília também contribuiu musicalmente para nossa música popular. O Natiruts deixou o Lago Paranoá e surfou em outras ondas por todo o país. A banda representa o mais bem sucedido caso de reggae dentro da nossa música, atualmente. Frutos da geração pós-Cidade Negra, os brasilienses sabem como levar seu público ao delírio.

Natiruts - Reggae power


A Legião Urbana foi, com certeza, a maior banda de rock do Brasil. Quem conseguiu compor e entender tão bem o que se passava com seus fãs como fez Renato Russo? Quem conseguiria fazer uma canção de quase dez minutos de duração se tornar um clássico e ser tocada em rádios? A Além desses e de tantos outros feitos, a Legião conseguiu vender milhões de cópias fazendo pouquíssimos shows. Em cada apresentação milhares de fãs se apertavam em estádios e ginásios para ver de perto as históricas apresentações da banda brasiliense.

Legião Urbana - Faroeste caboclo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dicionário Musical: feliz

Feliz: afortunado; próspero; satisfeito; contente; que denota alegria; abençoado; bendito; protegido.

Barão Vermelho - Pro dia nascer feliz


Natiruts - Quero ser feliz também


Hoje - Leila Pinheiro


Zeca Baleiro - Proibida pra mim

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Brilhante Gonzaguinha

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, ou Gonzaguinha, completaria hoje 64 anos se estivesse vivo. Compositor e cantor, o músico foi um dos mais brilhantes de sua geração. A morte prematura é uma perda sentida ainda hoje por fãs e músicos brasileiros. Seu primeiro sucesso foi uma das inúmeras composições censuradas pela ditadura.

Gonzaguinha - Comportamento geral


Filho do também cantor e compositor Luiz Gonzaga (Gonzagão) e de Odaleia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil, que morreu de tuberculose, aos 22 anos. Os inúmeros shows de Gonzagão pelo Brasil fizeram com que o pequeno Júnior, órfão com apenas dois anos, fosse criado pelos padrinhos Dina e Xavier.

Gonzaguinha - O que é o que é?


Gonzaguinha conquistou fãs e artistas com suas composições belas e geniais. Simone, Ivans Lins (amigo de juventude e pareceiro), Maria Bethânia e até mesmo Elis Regina cantaram suas músicas. Ainda hoje vários artistas incluem suas canções no repertório.

Elis Regina - Redescobrir/Fascinação


Gonzaguinha e Roberto Ribeiro - E vamos à luta


Simone - Sangrando


Natiruts - Espere por mim morena


Leila Pinheiro - Feliz


Maria Bethânia e Gonzaguinha - Explode coração


Negra Cor - Um homem também chora


Gonzaguinha deixou mais uma geração de talentosos Gonzagas, o músico é pai dos cantores Daniel Gonzaga e Fernanda Gonzaga, frutos do seu primeiro casamento. A caçula é a cantora e atriz Amora Pêra, filha da atriz Sandra Pêra (irmã de Marília). Daniel possui uma imensa semelhança vocal com o pai e vem trilhando sua carreira no cenário musical.

Simone e Daniel Gonzaga - Começaria tudo outra vez


Já as "meninas", Fernanda e Amora, cantam juntas no grupo Chicas, ao lado de Isadora Medella e Paula Leal.

Simone e Chicas - Apenas queria que você soubesse


Simone além de amiga foi, talvez, a maior intérprete das canções de Gonzaguinha. Canções atuais e que permanecem vivas, eternizando o compositor. Salve a música brasileira! Salve Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior!

Simone - É

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Dia do Educador Físico

No dia do educador físico não dá pra ficar parado. E começamos fazendo uma leve caminhada na companhia do "titã" Nando Reis.

Nando Reis - Por onde andei


Tudo bem, se você não quiser sair sem rumo e nos acompanhar, se apronte e siga seu caminho solitário. Mas provavelmente a galera do Natiruts também estará fazendo o mesmo.

Natiruts - Andei só


Agora que já fizemos nosso aquecimento, encerramos com Rita Ribeiro. A maranhense aperta o passo e começa uma corrida puxada contra o tempo.

Rita Ribeiro - Contra o Tempo