Obrigado! Agradeci como se todo aquele carinho me tivesse sido dado como um favor. Não foi, mas me serviu como um remédio que há muito precisava. Tem me feito bem, tão bem que acho que a cada nova vez que estamos juntos me reapaixono.
A música, a paisagem, o pôr-do-sol, você e quase me esqueci que ao nosso redor tinha um universo inteiro. A cena era linda, vai? Digna de filme com aqueles morros, o horizonte e todas as cores de um fim de dia em Brasília. Quem já viu entende a beleza.
Estava pensando como o destino já cruzava nossos caminhos há muito tempo. Você morou na minha rua, estudou no meu colégio, mas precisamos de tanto tempo pra nos "enxergarmos". Será que esse lance deveria ter rolado antes? Não... tudo no seu tempo.
Isso tá bobo, né? Então num tem jeito, to apaixonado mesmo. Putz...
Kleiton e Kledir - Paixão
quarta-feira, 12 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Nossa vez
No andar superior do aeroporto fiquei observando os aviões. Distraído perdi a hora e você me ligou pra saber onde eu estava. Você tão feliz, tão radiante que nem precisou me contar suas histórias pra que eu pudesse entender o quanto aquela viagem tinha lhe feito bem. Seu abraço e seu olhar já me disseram tudo.
Sua ansiedade em me contar tudo te deixava com um alto nível de bobagem. Mas totalmente compreensível por tudo que viveu nos útimos três dias. Sua mãe nos olhou na cozinha conversando, assustada por me ver ali aquela hora. Logo era eu e ela que conversávamos e ríamos, mas me despedi e a deixei dormir.
Foi tão bom olhar pra você e ouvir suas histórias por horas e horas. Quantos cigarros você fumou ontem? Acho que por tabela eu fumei uns quatro. Nossa! Fazia tanto tempo que a gente não sentava e falava da vida, ria, lembrava do passado e pensava no nosso futuro. Ontem eu percebi que a felicidade nos deixa mais belos quando observei seu rosto.
E agora, como viver com tanta felicidade? Agora é a nossa vez de ser feliz, você me disse (como que fazendo uma promessa) na porta da minha casa.
Adriana Calcanhoto - Mais feliz
Sua ansiedade em me contar tudo te deixava com um alto nível de bobagem. Mas totalmente compreensível por tudo que viveu nos útimos três dias. Sua mãe nos olhou na cozinha conversando, assustada por me ver ali aquela hora. Logo era eu e ela que conversávamos e ríamos, mas me despedi e a deixei dormir.
Foi tão bom olhar pra você e ouvir suas histórias por horas e horas. Quantos cigarros você fumou ontem? Acho que por tabela eu fumei uns quatro. Nossa! Fazia tanto tempo que a gente não sentava e falava da vida, ria, lembrava do passado e pensava no nosso futuro. Ontem eu percebi que a felicidade nos deixa mais belos quando observei seu rosto.
E agora, como viver com tanta felicidade? Agora é a nossa vez de ser feliz, você me disse (como que fazendo uma promessa) na porta da minha casa.
Adriana Calcanhoto - Mais feliz
Nas noites de sábado
O café, o cigarro e o sexo barato não duraram a noite toda. Antes do sono chegar ele ainda esperava por um telefonema, uma chance de amar outra vez. Deite-se! O amor está em falta, dizia algum espírito debochado que lhe perturbava nas noites de sábado.
A companheira acordou assustada e pediu que apagasse a luz. Resmungou algo e logo dormiu outra vez. Ele levantou, atendeu ao pedido e saiu do quarto. Precisava de outro cigarro, outra dose de céu estrelado antes de chorar em silêncio.
O café forte era o sustento do homem fraco. O telefone permaneceu quieto, não o chamou, não lhe trouxe o que tanto esperava, não ligou para o seu sofrimento. Talvez por isso ele o arremessou no meio da rua. No meio do escuro que se formava em frente aos seus olhos vermelhos.
Grita! Gritaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!, a voz sussurrou em seu ouvido. E ele gritou. Sua garganta arranhada parecia não se cansar daquilo. O mundo percebeu sua dor e logo todos acordaram, mas ninguém se levantou. Ajeitaram-se, viraram-se e dormiram outra vez. O choro agora era pranto, era tanto que seu corpo se apoiou na parede e desceu até que o chão pudesse ampará-lo.
Mais um cigarro, mais um trago. A porta se abria e, enquanto fumava, a mulher apenas gritava e o xingava, ela também partiu. Melhor assim, pensou: Agora só preciso suportar a mim. Tragou todo o maço. A solidão fizera-se presente de todas as maneiras possíveis. Nem os cachorros da vizinhança quiseram latir ou demonstrar que estavam ali naquela noite.
Descalço, de bermuda e vestindo o seu casaco saiu até o supermercado para buscar seu vício. Lembrou de quando saía pela noite, andando, beijando-a. Pensou em bater na porta da casa dela, pular o muro e se matar dentro do seu quintal, mas antes precisava fumar. O dinheiro amassado em sua mão esquerda era vitimado por todo o ódio que ele sentia.
Cigarro comprado, desejo tragado, era hora de dormir. Se fosse pra morrer ou cometer suas loucuras que as fizesse amanhã. Sempre havia deixado tudo para o dia seguinte, hoje não seria diferente.
Frejat - Homem não chora
A companheira acordou assustada e pediu que apagasse a luz. Resmungou algo e logo dormiu outra vez. Ele levantou, atendeu ao pedido e saiu do quarto. Precisava de outro cigarro, outra dose de céu estrelado antes de chorar em silêncio.
O café forte era o sustento do homem fraco. O telefone permaneceu quieto, não o chamou, não lhe trouxe o que tanto esperava, não ligou para o seu sofrimento. Talvez por isso ele o arremessou no meio da rua. No meio do escuro que se formava em frente aos seus olhos vermelhos.
Grita! Gritaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!, a voz sussurrou em seu ouvido. E ele gritou. Sua garganta arranhada parecia não se cansar daquilo. O mundo percebeu sua dor e logo todos acordaram, mas ninguém se levantou. Ajeitaram-se, viraram-se e dormiram outra vez. O choro agora era pranto, era tanto que seu corpo se apoiou na parede e desceu até que o chão pudesse ampará-lo.
Mais um cigarro, mais um trago. A porta se abria e, enquanto fumava, a mulher apenas gritava e o xingava, ela também partiu. Melhor assim, pensou: Agora só preciso suportar a mim. Tragou todo o maço. A solidão fizera-se presente de todas as maneiras possíveis. Nem os cachorros da vizinhança quiseram latir ou demonstrar que estavam ali naquela noite.
Descalço, de bermuda e vestindo o seu casaco saiu até o supermercado para buscar seu vício. Lembrou de quando saía pela noite, andando, beijando-a. Pensou em bater na porta da casa dela, pular o muro e se matar dentro do seu quintal, mas antes precisava fumar. O dinheiro amassado em sua mão esquerda era vitimado por todo o ódio que ele sentia.
Cigarro comprado, desejo tragado, era hora de dormir. Se fosse pra morrer ou cometer suas loucuras que as fizesse amanhã. Sempre havia deixado tudo para o dia seguinte, hoje não seria diferente.
Frejat - Homem não chora
domingo, 9 de maio de 2010
Amor de mãe, amor pra mãe
De todo o amor do mundo, acho que o de mãe foi o que gerou todos os outros. Todo mundo que ama deve ter um pouco de mãe em si. E eu, repleto de amor, tenho duas mães em casa para nunca me faltar todo esse amor.
Minha vó, nos seus 80 e tantos anos. Minha mãe, nos seus 50 e poucos. Duas mulheres diferentes, mas o mesmo amor por mim. A primeira repete sempre que possível que eu e meu irmão não somos seus netos, somos seus filhos. Quase sempre quando ela diz isso seus olhos brilham e por vezes choram. Aliás, chorar é uma rotina pra ela. Acho que viver tanto e ter visto sua família crescer bem é motivo para muitas emoções.
A segunda, mãe biológica. Gerou e amou, como toda mãe deveria fazer. Preocupada, sem saber direito oferecer um carinho, um afeto, mas ainda assim afetuosa. Chorona também, em especial nos últimos meses quando fiz meus planos. Mas combina mais com essa a gargalhada, o deboche e a felicidade (não quero dizer que minha vó é triste ou deprimida).
Para minha mãe a vida passou a ter um sabor especial depois que ela teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral), e pra todos nós também. Quando minha mãe passou por isso uma música havia sido lançada e me marcou muito. Coincidência ou não, minha mãe também diz que essa música é sua.
Como diz a canção: Eu não sei parar de te olhar. E foi isso, não conseguia deixar de olha-la. Vigiar, querer decorar cada mínimo detalhe do seu rosto para jamais esquecê-la. Pensei no pior, como todos pensam quando algo ruim acontece. Mas o pior ficou só no pensamento, ainda bem.
Ana Carolina e Seu Jorge - É isso aí
Minha vó, nos seus 80 e tantos anos. Minha mãe, nos seus 50 e poucos. Duas mulheres diferentes, mas o mesmo amor por mim. A primeira repete sempre que possível que eu e meu irmão não somos seus netos, somos seus filhos. Quase sempre quando ela diz isso seus olhos brilham e por vezes choram. Aliás, chorar é uma rotina pra ela. Acho que viver tanto e ter visto sua família crescer bem é motivo para muitas emoções.
A segunda, mãe biológica. Gerou e amou, como toda mãe deveria fazer. Preocupada, sem saber direito oferecer um carinho, um afeto, mas ainda assim afetuosa. Chorona também, em especial nos últimos meses quando fiz meus planos. Mas combina mais com essa a gargalhada, o deboche e a felicidade (não quero dizer que minha vó é triste ou deprimida).
Para minha mãe a vida passou a ter um sabor especial depois que ela teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral), e pra todos nós também. Quando minha mãe passou por isso uma música havia sido lançada e me marcou muito. Coincidência ou não, minha mãe também diz que essa música é sua.
Como diz a canção: Eu não sei parar de te olhar. E foi isso, não conseguia deixar de olha-la. Vigiar, querer decorar cada mínimo detalhe do seu rosto para jamais esquecê-la. Pensei no pior, como todos pensam quando algo ruim acontece. Mas o pior ficou só no pensamento, ainda bem.
Ana Carolina e Seu Jorge - É isso aí
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Momento Saint-Exupéry
"Ainda que seus passos pareçam inúteis; vá abrindo caminhos como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão"
"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos."
"O Homem distingui-se dos homens. Nada se diz de essencial acerca da catedral se apenas falarmos das pedras. Nada se diz de essencial a respeito do Homem se procurarmos defini-lo pelas qualidades humanas."
"Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos."
"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos."
"O Homem distingui-se dos homens. Nada se diz de essencial acerca da catedral se apenas falarmos das pedras. Nada se diz de essencial a respeito do Homem se procurarmos defini-lo pelas qualidades humanas."
"Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos."
Bom dia!
O nascer do sol de hoje foi lindo. Muitas cores, muitos tons e as flores que enfeitavam a grama e adornavam a árvore. Cenário de filme ou uma tela pintada por um artista? Não sei dizer, mas você estava ali comigo. De alguma maneira todos estavam ali comigo.
Sem camisa e com minha calça larga (pra ficar a vontade) não senti o friozinho da manhã. Estava mais preocupado com a paisagem. Fiquei ali parado enquanto o sol surgia e o dia já se apressava em correr. As promessas para hoje talvez tenham feito todo esse lance mais especial ainda.
Na cozinha o café pronto, antes do dia começar, completava tudo. Minha mãe com seu bom humor matinal já falava alguma besteira e gargalhava, enquanto eu apenas ria e tomava meu capuccino (dessa vez acertei na mão). Minha cachorra me chamava, querendo a parte do café da manhã que lhe cabia.
Logo me veio na cabeça o seu telefonema, ontem, se desculpando com aquela cara lavada pelo nosso (des)encontro. E no celular as mensagens, as surpresas, as coisas boas que me estavam guardadas. O dia nasceu contagiante. Ria sozinho, na varanda, acompanhando o sol já vencendo o morro e ganhando o céu.
Na cabeça o pensamento bobo, "Será que você sonhou comigo?". A minha vontade naquele instante era de cantar e dançar, como Caetano:
Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara, minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara
Rappin' Hood e Caetano Veloso - Rap du bom (parte II)
Sem camisa e com minha calça larga (pra ficar a vontade) não senti o friozinho da manhã. Estava mais preocupado com a paisagem. Fiquei ali parado enquanto o sol surgia e o dia já se apressava em correr. As promessas para hoje talvez tenham feito todo esse lance mais especial ainda.
Na cozinha o café pronto, antes do dia começar, completava tudo. Minha mãe com seu bom humor matinal já falava alguma besteira e gargalhava, enquanto eu apenas ria e tomava meu capuccino (dessa vez acertei na mão). Minha cachorra me chamava, querendo a parte do café da manhã que lhe cabia.
Logo me veio na cabeça o seu telefonema, ontem, se desculpando com aquela cara lavada pelo nosso (des)encontro. E no celular as mensagens, as surpresas, as coisas boas que me estavam guardadas. O dia nasceu contagiante. Ria sozinho, na varanda, acompanhando o sol já vencendo o morro e ganhando o céu.
Na cabeça o pensamento bobo, "Será que você sonhou comigo?". A minha vontade naquele instante era de cantar e dançar, como Caetano:
Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara, minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara
Rappin' Hood e Caetano Veloso - Rap du bom (parte II)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Canções Amigas
Deus, o destino, a espiritualidade ou as histórias, o que cruzou nossos caminhos? Icógnitas que não precisamos responder nem decifrar (muito menos entender). Vamos agradecer por este encontro. Vamos rir e quando o dia for foda, quando bater aquela saudade, a gente se encontra e segue por aí. Desce para o Parque dos Jequitibás pra que eu te conte minhas histórias monstruosas, aquelas que só acontecem comigo. E você me lembre sempre o quanto sou lindinho e sou ridículo.
Se isso não resolver, a gente vai pro centro tomar uns passes e tirar a uruca de cima. Enquanto eu "arrumo confusão" e as figuras mais complicadas do mundo se interessam por mim. Na volta pra casa, já apaixonado, eu repito: "Caralho, por que me meto nessas confusões?". E você gargalha e me orienta pra sair dessas furadas antes que o bicho pegue.
A cada vez que você diz para os outros que ainda vou correr atrás de você e que vou implorar o seu amor, todos riem. Nem mesmo você leva isso a sério, como eu poderia? Tudo bem, você sabe o que impede esse "nosso amor", mas vamos falar disso depois. Michele (michelona), quem sabe na próxima vida a gente tire esse atraso e fique junto? Certeza mesmo é que ainda nessa vida ficaremos bem, rindo de todas essas "peças" que a vida nos pregou.
Armandinho - Outra vida
Se isso não resolver, a gente vai pro centro tomar uns passes e tirar a uruca de cima. Enquanto eu "arrumo confusão" e as figuras mais complicadas do mundo se interessam por mim. Na volta pra casa, já apaixonado, eu repito: "Caralho, por que me meto nessas confusões?". E você gargalha e me orienta pra sair dessas furadas antes que o bicho pegue.
A cada vez que você diz para os outros que ainda vou correr atrás de você e que vou implorar o seu amor, todos riem. Nem mesmo você leva isso a sério, como eu poderia? Tudo bem, você sabe o que impede esse "nosso amor", mas vamos falar disso depois. Michele (michelona), quem sabe na próxima vida a gente tire esse atraso e fique junto? Certeza mesmo é que ainda nessa vida ficaremos bem, rindo de todas essas "peças" que a vida nos pregou.
Armandinho - Outra vida
Momento Alice Ruiz
"Você deixou tudo a tua cara. Só pra deixar tudo com cara de saudade."
"Lembra o tempo que você sentia.
E sentir era a forma mais sábia de saber e você nem sabia?"
"Amigos não são números.
Amizade é presença permitida.
Ausência necessária.
E sempre presente."
"Se a obra é a soma das penas, pago. Mas quero meu troco em poemas."
"O amor que dedico a um amigo é algo sem palavras. É sorrir por dentro. Chorar de emoção... Calar se preciso."
"Existir não se resume a esse momento nunca.
Nesse momento existir se resume."
"Um incêndio basta pra consumar esse jogo.
Uma fogueira chega pra eu brincar de novo."
Cássia Eller - Socorro
"Lembra o tempo que você sentia.
E sentir era a forma mais sábia de saber e você nem sabia?"
"Amigos não são números.
Amizade é presença permitida.
Ausência necessária.
E sempre presente."
"Se a obra é a soma das penas, pago. Mas quero meu troco em poemas."
"O amor que dedico a um amigo é algo sem palavras. É sorrir por dentro. Chorar de emoção... Calar se preciso."
"Existir não se resume a esse momento nunca.
Nesse momento existir se resume."
"Um incêndio basta pra consumar esse jogo.
Uma fogueira chega pra eu brincar de novo."
Cássia Eller - Socorro
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Deus me esperava na esquina
Você sabe o que é planejar todo um dia e de repente as coisas não darem certo? Desencontros, telefonemas te chamando para novos compromissos e o único encontro que se concretiza é com Deus. Com Deus? Pois é, Ele mais uma vez veio bater um papo comigo. Encontrei Deus na minha esquina. Fazer o quê, Ele é quem manda.
Saí de casa na espectativa de tudo aquilo que estava pra acontecer. Já no meio do caminho recebi uma ligação de uma amiga querida, deveria ter voltado de imediato, mas como estava próximo ao meu destino agradeci o convite, me desculpei e fui até o local combinado com o pessoal. Tolice minha, Deus já havia esquematizado todo um plano para me levar até a igreja (na esquina da minha rua).
Pronto! Eu estava no local e horário combinados, ansioso e nada de aparecerem. Me ligam para dizer que não poderiam vir ao encontro, então entendo que tenho de voltar. Ir na igreja da minha esquina. Ligo para ver se ainda dava tempo, Aline (minha amiga) atende e diz que ainda está lá ajudando a pastora com a arrumação do templo. Hora de ter aquele encontro, que há semanas esperava.
Na entrada da igreja dois casais conversavam. Dois pastores, uma pastora e a esposa de um dos religiosos. Comprimentei a todos e entrei no templo, onde minha amiga estava acompanhada de outra fiel ajeitando o local. O lugar é uma loja pequena, simples e arrumada. Paredes brancas, piso de cerâmica clara e na frente, atrás do altar, um painel com uma paisagem de cachoeira. A abracei e começamos a conversar sobre um casal de amigos que estavam recém-casados.
No meio da conversa a pastora entra na igreja já falando diretamente pra mim. Uma mulher muito simples que jamais imaginaria que ela seria pastora (a visão estereotipada atacando mais uma vez). Ela chegou até mim revelando, como se diz, o que Deus tinha para me falar. Alguns podem duvidar, rir, ou acreditar fervorosamente, mas apenas leiam e no final concluam o que bem entenderem. Tive uma criação católica e envolvimento com grupos da igreja. Mas na fase adulta abri meus horizontes e busquei o conhecimento em outras religiões.
Sem seguir doutrinas eu apenas conheci o que as outras religiões pregavam. Me encantei pelos "conceitos" do Kardecismo e pelas vestimentas, a história e a música do Candomblé e da Umbanda, mas não aderi a nenhuma dessas religiões. Como está na moda dizer: apenas trabalho minha espiritualidade. Minha fé, minhas crenças profetizadas de dentro do meu quarto e do meu coração me valem muito.
A pastora, que nunca me viu e que não conhece meus anseios (minhas histórias, meus sonhos) me aliviou e me disse tudo aquilo que eu questionei durante minhas orações. Respostas que me impregnaram de uma felicidade que não se pode expressar em textos. Meu sorriso desde então ficou estampado e mais largo (quase bobo, como é quase sempre).
O encontro, o "lance", foi tão fantástico que os poucos pensamentos que tive, nos momentos em que não estive concentrado no que Deus (por intermédio da pastora) me dizia, foram respondidos. Sim, temos aqui duas opções: ou a pastora possui incríveis poderes mutantes, ou tudo foi real. E a sincronia perfeita me faz crer no real, mesmo que a fé não seja algo na qual se pode tocar, não é apalpável (sendo "irreal" para olhares ateus).
Quando ela tocou no meu peito e orou, o mal sumiu. Alguém abriu meu corpo e garimpou o que de pior se escondia lá dentro. Meu coração lapidado reluziu e o sorriso firmou-se de vez no rosto. Como posso duvidar se depois daquilo não consegui manter as tristezas de antes. Agradecia a Deus, agradecia a pastora e sorria, foram as poucas coisas que consegui fazer neste momento de fé.
No fim, ainda me questionei por quê do encontro e todo o mais não ter dado certo. De imediato, ela me disse: Deus manda dizer que nada é por acaso. Por isso não é por acaso que você está aqui hoje. Ele te trouxe aqui.
Jason Mraz - God rests in reason
Saí de casa na espectativa de tudo aquilo que estava pra acontecer. Já no meio do caminho recebi uma ligação de uma amiga querida, deveria ter voltado de imediato, mas como estava próximo ao meu destino agradeci o convite, me desculpei e fui até o local combinado com o pessoal. Tolice minha, Deus já havia esquematizado todo um plano para me levar até a igreja (na esquina da minha rua).
Pronto! Eu estava no local e horário combinados, ansioso e nada de aparecerem. Me ligam para dizer que não poderiam vir ao encontro, então entendo que tenho de voltar. Ir na igreja da minha esquina. Ligo para ver se ainda dava tempo, Aline (minha amiga) atende e diz que ainda está lá ajudando a pastora com a arrumação do templo. Hora de ter aquele encontro, que há semanas esperava.
Na entrada da igreja dois casais conversavam. Dois pastores, uma pastora e a esposa de um dos religiosos. Comprimentei a todos e entrei no templo, onde minha amiga estava acompanhada de outra fiel ajeitando o local. O lugar é uma loja pequena, simples e arrumada. Paredes brancas, piso de cerâmica clara e na frente, atrás do altar, um painel com uma paisagem de cachoeira. A abracei e começamos a conversar sobre um casal de amigos que estavam recém-casados.
No meio da conversa a pastora entra na igreja já falando diretamente pra mim. Uma mulher muito simples que jamais imaginaria que ela seria pastora (a visão estereotipada atacando mais uma vez). Ela chegou até mim revelando, como se diz, o que Deus tinha para me falar. Alguns podem duvidar, rir, ou acreditar fervorosamente, mas apenas leiam e no final concluam o que bem entenderem. Tive uma criação católica e envolvimento com grupos da igreja. Mas na fase adulta abri meus horizontes e busquei o conhecimento em outras religiões.
Sem seguir doutrinas eu apenas conheci o que as outras religiões pregavam. Me encantei pelos "conceitos" do Kardecismo e pelas vestimentas, a história e a música do Candomblé e da Umbanda, mas não aderi a nenhuma dessas religiões. Como está na moda dizer: apenas trabalho minha espiritualidade. Minha fé, minhas crenças profetizadas de dentro do meu quarto e do meu coração me valem muito.
A pastora, que nunca me viu e que não conhece meus anseios (minhas histórias, meus sonhos) me aliviou e me disse tudo aquilo que eu questionei durante minhas orações. Respostas que me impregnaram de uma felicidade que não se pode expressar em textos. Meu sorriso desde então ficou estampado e mais largo (quase bobo, como é quase sempre).
O encontro, o "lance", foi tão fantástico que os poucos pensamentos que tive, nos momentos em que não estive concentrado no que Deus (por intermédio da pastora) me dizia, foram respondidos. Sim, temos aqui duas opções: ou a pastora possui incríveis poderes mutantes, ou tudo foi real. E a sincronia perfeita me faz crer no real, mesmo que a fé não seja algo na qual se pode tocar, não é apalpável (sendo "irreal" para olhares ateus).
Quando ela tocou no meu peito e orou, o mal sumiu. Alguém abriu meu corpo e garimpou o que de pior se escondia lá dentro. Meu coração lapidado reluziu e o sorriso firmou-se de vez no rosto. Como posso duvidar se depois daquilo não consegui manter as tristezas de antes. Agradecia a Deus, agradecia a pastora e sorria, foram as poucas coisas que consegui fazer neste momento de fé.
No fim, ainda me questionei por quê do encontro e todo o mais não ter dado certo. De imediato, ela me disse: Deus manda dizer que nada é por acaso. Por isso não é por acaso que você está aqui hoje. Ele te trouxe aqui.
Jason Mraz - God rests in reason
Momento Martha Medeiros
A dor que dói mais (Martha Medeiros)
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Salve Hebert Vianna!
Poucos artistas tiveram uma história tão cheia de tramas e enredos como o nosso aniversariante de hoje. Entre as dificuldades Herbert Vianna renasceu e comprovou o status de grande ícone da música popular e do pop rock nacional.
Filho de militar, irmão do sociólogo Hermano Vianna, o vocalista dos Paralamas do Sucesso construiu ao longo dos seus 49 anos de vida, uma bem sucedida carreira. Fruto da geração do rock anos 80, Herbert é uma das figuras mais queridas no cenário musical.
Salve Herbert Vianna! Salve Os Paralamas! Salve a música brasileira!
Ira! e Os Paralamas do Sucesso - Envelheço na cidade
Herbert Vianna e Zélia Duncan - Partir, Andar
Herbert Vianna e Renato Russo - Nada por mim
Os Paralamas do Sucesso e Marisa Monte - O amor não sabe esperar
Leoni e Herbert Vianna - Por que não eu?
Fernanda Abreu e Herbert Vianna - Veneno da Lata
Gal Costa e Herbert Vianna - Lanterna dos Afogados
Daniela Mercury e Herbert Vianna - Só pra te mostrar
Titãs e Os Paralamas do Sucesso (part. Samuel Rosa) - O Beco
Herbert Vianna e Sandra de Sá - Vamos viver
Os Paralamas do Sucesso e Nando Reis - Pétalas
Herbert Vianna e Cássia Eller - Mr. Scarecrow
Os Paralamas do Sucesso e Frejat - Uns Dias
Filho de militar, irmão do sociólogo Hermano Vianna, o vocalista dos Paralamas do Sucesso construiu ao longo dos seus 49 anos de vida, uma bem sucedida carreira. Fruto da geração do rock anos 80, Herbert é uma das figuras mais queridas no cenário musical.
Salve Herbert Vianna! Salve Os Paralamas! Salve a música brasileira!
Ira! e Os Paralamas do Sucesso - Envelheço na cidade
Herbert Vianna e Zélia Duncan - Partir, Andar
Herbert Vianna e Renato Russo - Nada por mim
Os Paralamas do Sucesso e Marisa Monte - O amor não sabe esperar
Leoni e Herbert Vianna - Por que não eu?
Fernanda Abreu e Herbert Vianna - Veneno da Lata
Gal Costa e Herbert Vianna - Lanterna dos Afogados
Daniela Mercury e Herbert Vianna - Só pra te mostrar
Titãs e Os Paralamas do Sucesso (part. Samuel Rosa) - O Beco
Herbert Vianna e Sandra de Sá - Vamos viver
Os Paralamas do Sucesso e Nando Reis - Pétalas
Herbert Vianna e Cássia Eller - Mr. Scarecrow
Os Paralamas do Sucesso e Frejat - Uns Dias
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Zélia Duncan
Momento Manoel de Barros
"A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Canções Amigas
É engraçado como o tempo passa rápido, mas ainda insistimos em medí-lo e marcá-lo. Me lembro do dia 28 de julho de 2003 quando entrei pela primeira vez na sala da faculdade. Jamais imaginaria viver tudo o que viví ao lado de todas aqueles 49 colegas de classe e tantos professores e outros colegas e amigos de corredores e laboratórios. Amanda (ou mandinha) foi uma dessas gratas e grandes surpresas que a vida me reservou.
Quantas histórias, quantos planos e quantas boas risadas dadas juntos, hein? Confissões, choros, silêncios, fé e tantas outras coisas também preencheram estes sete anos. Que venham mais sete, mais setenta e quanto mais tempo tivermos pela frente. Espero poder estar por perto, espero poder ter você por perto também. É... você me faz bem.
Luiza Possi - Me faz bem
Quantas histórias, quantos planos e quantas boas risadas dadas juntos, hein? Confissões, choros, silêncios, fé e tantas outras coisas também preencheram estes sete anos. Que venham mais sete, mais setenta e quanto mais tempo tivermos pela frente. Espero poder estar por perto, espero poder ter você por perto também. É... você me faz bem.
Luiza Possi - Me faz bem
domingo, 2 de maio de 2010
Momento Santo Agostinho
"O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros."
"Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser."
"O supérfluo dos ricos é propriedade dos pobres."
"O orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande mas não é sadio."
"O que mais Deus odeia depois do pecado é a tristeza, porque nos predispõe ao pecado."
"Com a corrupção morre o corpo, com a impiedade morre a alma."
"Nas coisas necessárias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, a caridade."
"Creio para compreender, e compreendo para crer melhor."
"Pois o Deus Todo-Poderoso, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir nas suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal."
"Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser."
"O supérfluo dos ricos é propriedade dos pobres."
"O orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande mas não é sadio."
"O que mais Deus odeia depois do pecado é a tristeza, porque nos predispõe ao pecado."
"Com a corrupção morre o corpo, com a impiedade morre a alma."
"Nas coisas necessárias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, a caridade."
"Creio para compreender, e compreendo para crer melhor."
"Pois o Deus Todo-Poderoso, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir nas suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal."
Momento Fausto Fawcet
Odalisca Andróide*
Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador.
*fragmento do texto Disco Voador, de Fausto Fawcet
Maria Bethânia - Odalisca Andróide/ Tocando em frente
Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador.
*fragmento do texto Disco Voador, de Fausto Fawcet
Maria Bethânia - Odalisca Andróide/ Tocando em frente
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