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terça-feira, 15 de novembro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Os temperos da vovó

Certa vez, saindo de casa, ouvi minha vó cantarolando alguma canção que não me era estranha. Parei atrás da porta, quietinho ouvi e acompanhei, apenas movendo os lábios: "Existiria a verdade, verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você".

Ela cantava na cozinha, preparando o almoço e temperando tudo com suas lembranças, saudades e histórias. Eu, atrás da porta, do lado de fora, a estava dublando e tentava me alimentar daqueles sentimentos cantados. Saí contente, satisfeito por mais um desses momentos em que ouço minha vó, ou qualquer um dos meus, cantando antigas canções.

Ainda não sei ao certo o que essas antigas canções me despertam, mas sempre me fazem sentir uma inexplicável nostalgia de um tempo não vivido. No final da minha rua, dobrando a esquina, continuava a repetir aquela última parte da canção. Entrei no ônibus e segui por todo o dia com a música na minha cabeça, como um mantra.

De volta, já no fim da tarde, entrei na cozinha assoviando o final da mesma canção. Sorrindo, ela começou a cantar e eu a acompanhei. Naquele mesmo instante entendi a letra, fiz a digestão sentimental daquele pequeno trecho. Percebi como seriam as coisas se todos fossem iguais a minha amada e adorada avó.

Maysa - Se todos fossem iguais a você

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Momento Ferreira Gullar

Subversiva

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

A força de uma oração

A prece traz a serenidade para a resolução dos problemas. A oração é uma prática que acende a esperança de que tudo se acertará e funciona como uma meditação equilibrando corpo, mente e alma.

Hábito dos mais saudáveis que deve ser rotineiro. Cultivá-lo traz harmonia também para o ambiente em que nos encontramos: lar, emprego e etc. Não existe nisso uma explicação tão sobrenatural assim. É apenas a busca pelos bons pensamentos atraindo assim as boas coisas para perto de nós. Para uns, mantra; para outros, meditação; para boa parte de nós, oração.

Conheci uma senhora, amiga de igreja de minha vó, que passou por uma situação das mais difíceis e a fé foi sua grande companheira até o fim. Ainda muito jovem, ela descobriu estar com um câncer de mama. Filhos pequenos, viúva, ela pedia em suas preces para que Deus não deixasse o pior lhe acontecer e que só morresse quando todos seus filhos estivessem criados e não necessitassem dos seus cuidados.

Curou-se e viveu bem, cuidando de sua família. Viu filhos formarem suas famílias, netos crescerem e até alguns bisnetos nascerem quando, outra vez, foi surpreendida pelo diagnóstico de outro câncer, dessa vez na coluna. Uma nova luta foi travada pela sua cura. Agora com a experiência de uma vida inteira, de já ter superado um câncer e com a fé ainda mais forte e sóbria, ela se pôs serena diante do novo problema.

As dores eram terríveis, a locomoção foi se tornando impossível com o passar do tempo. O tumor se espalhou para outras partes do seu pequeno corpo idoso e delicado. Um dia recebemos a notícia de que a senhora havia falecido. Comoção, sensação de alívio pelo fim do sofrimento e um exemplo deixado para todos nós.

Durante todo o período do tratamento a senhora permaneceu firme em suas orações e dessa vez não fez pedidos. Com a ciência de que tinha feito tudo por sua família pedia apenas força para enfrentar as dificuldades do tratamento e que fosse feito aquilo que deveria acontecer conforme a vontade divina.

Nas últimas semanas, onde as dores estavam mais fortes e insuportáveis. Ela apenas repetia uma oração aprendida ao longo dos anos que diz assim: "Jesus, filho de Davi, tende piedade de mim que sou uma pecadora". Dificilmente se ouvia lamentos. Alguns podem dizer que a oração não a poupou do sofrimento, mas trouxe a serenidade para suportá-lo.

Por tão pouco nos vemos desesperados. Bradando e duvidando das forças divinas que muitas vezes dizemos que confiamos e acreditamos. Buda, Alá, Oxalá, Deus... todos existem, todos estão a nos ouvir e nos atender. Ainda que só consigamos acreditar neles quando tudo caminha bem, a fé neles é o que nos fortalece e traz o necessário para buscar as soluções.

Elis Regina - Se eu quiser falar com Deus

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Momento Pedro Juan Gutiérrez

"Sou um sedutor. Eu sei. Assim como existem os alcoólicos irrecuperáveis, os jogadores, os viciados em cafeína, em nicotina, em maconha, os cleptomaníacos etcétera, sou viciado em sedução. Às vezes o anjinho que tenho dentro de mim tenta me controlar e diz assim: 'Não seja tão filho-da-puta, Pedrito. Não percebe que está fazendo essas mulheres sofrerem?'. Mas aí aparece o diabinho e o contradiz: 'Vá em frente. Elas ficam felizes assim, nem que seja só por um tempo. E você também fica feliz. Não se sinta culpado'.

É um vício. Sei que a sedução é um vício igual a outro qualquer. E não existe nenhum Sedutores Anônimos. Se existisse, talvez pudessem fazer algo por mim. Se bem que não tenho certeza. Seguramente eu inventaria pretextos para não comparecer a suas sessões e ter de ficar lá na caradura na frente de todo mundo, botar a mão na Bíblia e dizer serenamente: 'Meu nome é Pedro Juan. Sou um sedutor. E faz hoje vinte e sete dias que não seduzo ninguém'."

domingo, 25 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Auto-Protesto

Mais do que eles possam chocar a qualquer um, eu me espanto imensamente com meus desenganos. Repuguino meus erros, por mais que saiba que (enquanto na condição de ser humano) estarei sujeito a eles.

Dói esse vício nojento em persistir naquilo que me faz tão mal. Mas dói mais ainda saber que o mal, de certa forma, vem de quem quero tanto bem. Acordar tenso, com a cabeça preocupada a cada instante não é o recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Parece existir uma teimosia cruel dentro de mim que me faz trilhar os caminhos mais torturantes. Sim, é tortura querer um beijo que traz tudo isso no final. Um orgasmo que já não alivia como antes.

Ainda existem os prazeres. Prazer que foi até melhor e maior um dia. O carinho e o afeto no sexo e no beijo de antes já se esvaíram ralo abaixo. E pra piorar nem eu levo fé que se possa resgatar tudo isso algum dia. E eu, mais do que qualquer pessoa possa imaginar me pergunto: Por quê?

Se não for tortura é, no mínimo, masoquismo ou loucura em estágio avançado. Tenho essa consciência, o que torna tudo pior. Mas há algo que me prende. Amarração do amor?, já levantaram essa hipótese. Quem sabe não seja, não posso eliminar isso do quadro de possibilidades. Se fosse já seria uma boa explicação.

Como me libertar? Como respirar sossegado? Tenho tido muita pena do meu algoz, mas me esquecido de quem é quem nesse meu regime escravagista. Preciso relembrar-me em que ponta do chicote estou. Sou eu o meu torturador. Por vezes penso até que reforçar as preces possa ser outro artifício eficaz ao meu alento.

Me falta coragem, me falta deixar de ser covarde e parar de trocar minha felicidade por medo ou qualquer outra coisa. Além de louco, covarde, viciado, acho que tenho prostituído meu bem-estar. Em troca desse abuso nem tenho recebido tanto prazer assim, tampouco dinheiro.

Repensando todo o discurso, pena sinto mesmo é de mim. Sou um fraco! Mas isso vai mudar, vou me sabotar. E será bem antes que muitos tomem conhecimento dessa fraqueza. O amor não vai me destruir.


Zélia Duncan e Fernanda Takai - Boas razões

terça-feira, 13 de setembro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Felicidade, a culpa é sua

Nesse ata e desata da vida ficam sempre as perguntas pairando no ar. Sem saber se vai ou se fica, se sim ou se não, doce ou salgado, quente ou frio, muito ou pouco... levamos os dias. Mas afinal, o que queremos da vida?

Entre quereres e poderes dificilmente vamos ter uma opção que caiba nos dilemas da razão e da emoção. As mais românticas podem se derreter pelas flores e declarações recheadas de amor de algum ex-namorado dos mais calhordas.

Mas elas sabem que não deveriam, nem mesmo, ouvir o que eles têm pra dizer por todo o sofrimento que já foi causado. Ainda assim algumas, ou muitas, vão se seduzir. Outras vão desprezar as investidas, mas não haverá um meio termo. Alguma que possa se seduzir e desprezar simultâneamente.

Talvez venha daí a resposta pra pergunta feita lá em cima: Queremos ser felizes! A ideia do sofrimento, da tristeza, é abominada por todo mundo. A busca pela realização é um saga que todos nós queremos. Inclusive aqueles que se dizem os mais felizes, buscam por mais dessa felicidade.

A romântica, busca esse amor ilusório enquanto a racional, busca a fidelidade e o respeito, mais até do que as flores e a declaração de amor. Faço então uma nova pergunta, o que nos faz feliz? Onde está nossa felicidade?

Essa nossa constante transferência de responsabilidade da felicidade é o que nos causa tanto mal. Acreditar que o "ser feliz" depende sempre de outros e não de nós é o que gera a decepção, a expectativa depositada noutro.

Muitas vezes o outro nos decepciona por, talvez, acreditarmos que felicidade é algo alheio a nós. Felicidade não vem de fora pra dentro, o processo é inverso. O que alguém pode fazer por nossa felicidade é despertá-la dentro de nós.

Me questiono, volta e meia, por me ver nessa situação. Antes de atribuir a felicidade a quem quer que seja é importante lembrar que sentimentos são feitos pra serem sentidos. Por isso, sempre que impossível, quero sentir-me feliz.

Marcelo Jeneci - Felicidade

domingo, 4 de setembro de 2011