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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Possessivos

Eu não te pertenço, não me pertenço, não percebo que não sou propietário, tão pouco produto de consumo. Será que a definição de humanidade, o que faz cada homem e mulher ser humano está nessa falsa ideia de posse alheia? No achar que corpos, olhares e sentimentos prendem-se ou dedicam-se exclusivamente a uma pessoa, vamos vivendo nossas dores que atropelam sentimentos e mais do que fraturas deixam mágoas e lamentos hemorrágicos.

Há na humanidade um certo "Uso Capião", ou direito de posse adquirido pelo tempo em que estamos em certas camas e corações. Ingênuo engano daqueles que, mesmo depois do fim, insistem em ver invisíveis possibilidades. Sem sacar que os lances nem sempre são laços eternos. Chega o momento em que afrouxam-se os nós e as pontas vão cada uma para o seu lado.

Só mesmo o espiritismo para explicar a possessão de um corpo por outra entidade, mas fora isso não conheço outra forma que não seja igual ao opressor e violento escravagismo. Nem sinhôs, nem sinhás, é apenas a sua vida que te pertence. É preciso repetir para si e para os outros esse pequeno lembrete, de não temos escravos que atendam à nossa demanda sentimental e afetiva.

Querer não é um contrato vitalício. Uns vão, outros vem e no meio dessas idas e vindas muitas vezes ficamos ali, parados, como pais que perderam seus filhos na multidão sem saber bem pra onde ir, esperando a volta das crianças. Inertes! Pertencentes ao reino animal, precisamos estar atentos ao fato de que apenas árvores permanecem paradas esperando as estações retornarem.

Frejat - N

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Momento Ferreira Gullar

Cantiga para não morrer
(Ferreira Gullar)

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Momento Augusto Cury

Augusto Cury - O que é ser feliz?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Momento Chico Xavier

"É exatamente disso que a vida é feita, de MOMENTOS.

Momentos que TEMOS que passar, sendo bons ou ruins, para o nosso próprio aprendizado. Nunca esquecendo do mais importante: Nada nessa vida é por acaso.


Absolutamente nada. Por isso, temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível.

A vida nem sempre segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser."

sábado, 24 de dezembro de 2011

Pequenas histórias natalinas

Sempre me lembro de muitas histórias vividas na infância quando chega este período de fim de ano. Me lembro especialmente de um (ainda mais) pequeno Vini se achando adulto o suficiente para beber vinho, espumante e similares. No final, não conseguindo, alguém gritava: Só quando você for adulto.

Fazer o quê? Me contentava com o Guaraná Antarctica naquelas que, eram imensas, garrafas de vidro de 2 litros. Hoje, quando vou beber um refri, os mais novos da família me dizem: O refri é das crianças! kkkkkkkkkkkkkk

Enfim, Feliz Natal!

Arnaldo Antunes e Erasmo Carlos - Sou uma criança

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vamos voar em 2012?

Doze meses se foram e com eles tantas coisas passaram. Pessoas, momentos e histórias que me lembraram que ainda estou vivo. Quando se chora, ri e se tem esperança é porque a maquininha do coração ainda está a pleno vapor. Pulsa e sente tudo o que se pode sentir.

Quando tudo vai mal os minutos se arrastam, parecem não ter pressa. Mas quando as coisas vão bem, voam. Posso dizer que tive um ano metade arrastado, metade corrido. Aliás, bem mais corrido do que o contrário.

Não foi um ano ruim, pelo contrário, foi o melhor. A partir da 'fase ruim' muitas coisas boas vieram, mas me exigiram as mudanças necessárias para que isso acontecesse. Aquelas mudanças que de tempos em tempos nos sacodem, nos tiram da zona de conforto e exige levantar acampamento e buscar novo abrigo. Meu 2011 foi um tempo de aprendizado.

Entendi o que precisava mudar, daí o ano passou correndo e terminou. Como se tivesse apenas fechado meus olhos para começar a sorrir e ao abrí-los os meses sumiram. Fui e, ainda estou sendo, muito feliz.

De repente a vida é apenas um 'jogo' onde as nossas escolhas trazem consequências, sejam elas boas ou ruins. Mesmo quando tudo parece ir mal, isso é apenas um estímulo para a(s) mudança(s) necessária(s). E a calmaria seja o resultado da escolha certa. O brinde por apararmos as arestas que a vida cobra que aparemos.

Quando vai mal precisamos pôr os pés no chão e caminhar. Quando vai bem levantamos voo e, mais leves, ultrapassamos os obstáculos.

Talvez o ano de todos tenha sido assim com muitos aprendizados. Talvez ainda se arraste, esperando a mudança. Ou, melhor ainda, pode ter voado, sendo um ano tranquilo do começo ao fim. Tenha sido ele como for, vamos sorrir e começar os planos para 2012.

Cada novo dia que temos é a oportunidade de pedir perdão e amarmos uns aos outros. Sendo assim, verdadeiramente felizes. Se um novo dia é capaz de tanto, imagine só um novo ano? Quanto amor e quanta felicidade poderemos ter? Do que 12 meses são capazes de fazer em nossas vidas?

Como nos disse Chico Xavier:
"Você nasceu no lar que precisava,
Vestiu o corpo físico que merecia,
Mora onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com suas posses,
Possui os recursos financeiros coerentes com suas necessidades...
nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas,


Seu ambiente de trabalho é o que você elegeu espontaneamente para sua realização,
Teus parentes, e amigos são as almas que você mesmo atraiu, com sua afinidade.
Portanto, seu destino está constantemente sob seu controle.


Você escolhe, recolhe, elege, atrai, busca, expulsa,
modifica tudo aquilo que te rodeia a existência.
Seus pensamentos e vontades são a chave de seus atos e atitude...
São fontes de atração e repulsão na sua jornada de vivência.


Não reclame nem se faça de vítima.
Antes de tudo, analise e observe.
A mudança está em suas mãos.


Reprograme sua meta, busque o bem e viverá melhor.
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim"

Que 2012 voe para todos e nos traga o aprendizado merecido e seus bons frutos.
Amor, paz, bem e saúde para cada um de nós, nossos familiares e todas as pessoas fundamentais em nossas vidas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

365 dias por ano

De repente quando todos começam sua contagem regressiva e até eu faço minha retrospectiva, o ano (que seguia sem sinais de mais algum acontecimento) se mostra vivo. Ele te levanta, te sacode, te redireciona, te faz olhar e replanejar os dias que ainda faltam para completar 2011. Ainda há muito tempo, e isso não é necessariamente ruim, nem necessariamente bom, isso é vida, sujeita a qualquer 'mudança climática'. Tudo pode, ou não, ser.

Num espanto par e me pergunto sobre o quanto fiz nesse dezembro? O que conquistei, o que perdi, o que tentei, o que temi, o que sei, o que sorri, o que duvidei, o que descobri, o que chorei, o que sofri, o que enfrentei, o que entendi, o que imaginei, o que percebi, o que machuquei, o que matei, o que cicatrizei, o que ouvi, o que vi, o que revi, o que parti, o que construi, o que derrubei, o que ergui, o que enganei, o que dividi, o que uni, o que lembrei, o que esqueci, o que vivi?

Tantos questionamentos, com seus entendimentos me vieram a cada dúvida. O que reforça a certeza sobre 2011 ter sido um dos anos mais importantes em minha vida. Não que faltassem acontecimentos para constatar isso. O que mais tive foram temporais e dias ensolarados, mas para mim o livro do ano já estava fechado.

Talvez seja essa teimosia juvenil de acelerar o tempo. Querer ser senhor das horas, atropelar os dias e viver em função do futuro. Se fosse mais maduro, de um safra mais antiga, degustaria melhor o meio mês que ainda me é oferecido. Já até programei meu celular para me lembrar amanhã cedo: "Vinicius, o ano tem 365 dias e só acaba no dia 31 de dezembro!"

Wagner Moura e Alinne Moraes - Tempo Perdido

terça-feira, 15 de novembro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Os temperos da vovó

Certa vez, saindo de casa, ouvi minha vó cantarolando alguma canção que não me era estranha. Parei atrás da porta, quietinho ouvi e acompanhei, apenas movendo os lábios: "Existiria a verdade, verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você".

Ela cantava na cozinha, preparando o almoço e temperando tudo com suas lembranças, saudades e histórias. Eu, atrás da porta, do lado de fora, a estava dublando e tentava me alimentar daqueles sentimentos cantados. Saí contente, satisfeito por mais um desses momentos em que ouço minha vó, ou qualquer um dos meus, cantando antigas canções.

Ainda não sei ao certo o que essas antigas canções me despertam, mas sempre me fazem sentir uma inexplicável nostalgia de um tempo não vivido. No final da minha rua, dobrando a esquina, continuava a repetir aquela última parte da canção. Entrei no ônibus e segui por todo o dia com a música na minha cabeça, como um mantra.

De volta, já no fim da tarde, entrei na cozinha assoviando o final da mesma canção. Sorrindo, ela começou a cantar e eu a acompanhei. Naquele mesmo instante entendi a letra, fiz a digestão sentimental daquele pequeno trecho. Percebi como seriam as coisas se todos fossem iguais a minha amada e adorada avó.

Maysa - Se todos fossem iguais a você

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Momento Ferreira Gullar

Subversiva

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

A força de uma oração

A prece traz a serenidade para a resolução dos problemas. A oração é uma prática que acende a esperança de que tudo se acertará e funciona como uma meditação equilibrando corpo, mente e alma.

Hábito dos mais saudáveis que deve ser rotineiro. Cultivá-lo traz harmonia também para o ambiente em que nos encontramos: lar, emprego e etc. Não existe nisso uma explicação tão sobrenatural assim. É apenas a busca pelos bons pensamentos atraindo assim as boas coisas para perto de nós. Para uns, mantra; para outros, meditação; para boa parte de nós, oração.

Conheci uma senhora, amiga de igreja de minha vó, que passou por uma situação das mais difíceis e a fé foi sua grande companheira até o fim. Ainda muito jovem, ela descobriu estar com um câncer de mama. Filhos pequenos, viúva, ela pedia em suas preces para que Deus não deixasse o pior lhe acontecer e que só morresse quando todos seus filhos estivessem criados e não necessitassem dos seus cuidados.

Curou-se e viveu bem, cuidando de sua família. Viu filhos formarem suas famílias, netos crescerem e até alguns bisnetos nascerem quando, outra vez, foi surpreendida pelo diagnóstico de outro câncer, dessa vez na coluna. Uma nova luta foi travada pela sua cura. Agora com a experiência de uma vida inteira, de já ter superado um câncer e com a fé ainda mais forte e sóbria, ela se pôs serena diante do novo problema.

As dores eram terríveis, a locomoção foi se tornando impossível com o passar do tempo. O tumor se espalhou para outras partes do seu pequeno corpo idoso e delicado. Um dia recebemos a notícia de que a senhora havia falecido. Comoção, sensação de alívio pelo fim do sofrimento e um exemplo deixado para todos nós.

Durante todo o período do tratamento a senhora permaneceu firme em suas orações e dessa vez não fez pedidos. Com a ciência de que tinha feito tudo por sua família pedia apenas força para enfrentar as dificuldades do tratamento e que fosse feito aquilo que deveria acontecer conforme a vontade divina.

Nas últimas semanas, onde as dores estavam mais fortes e insuportáveis. Ela apenas repetia uma oração aprendida ao longo dos anos que diz assim: "Jesus, filho de Davi, tende piedade de mim que sou uma pecadora". Dificilmente se ouvia lamentos. Alguns podem dizer que a oração não a poupou do sofrimento, mas trouxe a serenidade para suportá-lo.

Por tão pouco nos vemos desesperados. Bradando e duvidando das forças divinas que muitas vezes dizemos que confiamos e acreditamos. Buda, Alá, Oxalá, Deus... todos existem, todos estão a nos ouvir e nos atender. Ainda que só consigamos acreditar neles quando tudo caminha bem, a fé neles é o que nos fortalece e traz o necessário para buscar as soluções.

Elis Regina - Se eu quiser falar com Deus

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Momento Pedro Juan Gutiérrez

"Sou um sedutor. Eu sei. Assim como existem os alcoólicos irrecuperáveis, os jogadores, os viciados em cafeína, em nicotina, em maconha, os cleptomaníacos etcétera, sou viciado em sedução. Às vezes o anjinho que tenho dentro de mim tenta me controlar e diz assim: 'Não seja tão filho-da-puta, Pedrito. Não percebe que está fazendo essas mulheres sofrerem?'. Mas aí aparece o diabinho e o contradiz: 'Vá em frente. Elas ficam felizes assim, nem que seja só por um tempo. E você também fica feliz. Não se sinta culpado'.

É um vício. Sei que a sedução é um vício igual a outro qualquer. E não existe nenhum Sedutores Anônimos. Se existisse, talvez pudessem fazer algo por mim. Se bem que não tenho certeza. Seguramente eu inventaria pretextos para não comparecer a suas sessões e ter de ficar lá na caradura na frente de todo mundo, botar a mão na Bíblia e dizer serenamente: 'Meu nome é Pedro Juan. Sou um sedutor. E faz hoje vinte e sete dias que não seduzo ninguém'."