Uma notícia sobre a morte de dois jovens em minha cidade me deixou preocupado. Não os conhecia, talvez um deles eu saiba quem seja, mas apenas de vista. Se for de fato quem penso que seja, já o vi uma dúzia de vezes em festas, ou pelas ruas da cidade. Mas acredito que minha preocupação tenha a ver com a forma como eles morreram, ou até mesmo por serem jovens.
Pensei em mim, jovem ainda e motorista, que também faz o mesmo trajeto e que, volta e meia, acelera para chegar logo em casa. Me aliviei por não ser dependente das drogas para ter uma noite divertida, o que quase sempre é um agravante em acidentes de trânsito. Diria até mais, é um fator decisivo em acidentes de trânsito, de madrugada, nos fins de semana.
Na mesma noite Whitney Houston também morreu. Afogada, devido os calmantes, ou pela mistura dos remédios com o álcool? Ficam as perguntas a serem respondidas daqui semanas. Independente das coincidências e diferenças que possam haver entre os dois casos, sei que são acontecimentos assim que nos alertam para a vida. Quanto a colocamos em risco? Quanto a desperdiçamos, a desafiamos, ou mesmo a desprezamos?
Pra piorar minha tensão, reparei que ultimamente há um certo tom de despedida em meu discurso. “Pronto, meu nome tá no topo da lista”, pensei deitado em minha cama. E se houver de fato uma premonição nisso tudo?, tratei logo de levantar e pegar o laptop pra rascunhar qualquer texto que se torne póstumo. Até mesmo uma ligeira pontada no coração que volta e meia acontece, resolveu dar as caras hoje.
Logo me veio a pergunta: Como você quer morrer? A resposta óbvia é, “não quero morrer de jeito nenhum”. Mas entre tantas terríveis e possíveis maneiras que cabem à morte, acho que a escolha seria pela maneira menos dolorida e angustiante, como qualquer um escolheria se fosse possível.
Pronto, escolhida a maneira. Agora precisaria definir a data. Isso seria algo indefinido pra qualquer um. Nos momentos de raiva, ou tristeza já quis a morte, então essa data sofreria constantes mudanças só por isso. Uma escolha razoavelmente interessante seria da morte logo após o nascimento, para não ter raciocínio nem expectativas quaisquer sobre a vida. Mas como disse acima que não queria passar por este momento, optaria por nunca morrer. Enfim, tendo de definir prazos iria querer o mais distante possível.
Tentei pensar em mais coisas para me questionar e depois de muito tempo me veio a palavra, Onde. Nunca havia pensado em local para morrer. Deitado em minha cama? Talvez fosse melhor vendo o pôr-do-sol, na beira da praia, numa cachoeira, em um belo bosque, no jardim, na rede sob a sombra de uma árvore... comecei a imaginar tantos lugares que de repente me vi sorridente e criando expectativas sobre minha morte.
O que levaria comigo? Outro sorriso veio, seguido por uma gargalhada. Tantas histórias surgiram, tantas pessoas, tantos cheiros, gostos, cores..., mas levaria apenas as lembranças. E só de lembrar já me trazia uma felicidade imensa de ter vivido boas histórias em minha vida.
O trágico deu lugar ao lúdico. Tornar a morte bela foi só uma questão de pergunta. Me dei conta que mesmo a morte tem lá suas coisas boas. Se é que podemos ver dessa maneira. E para acabar com toda alegria me perguntei: Quem eu queria ver antes de morrer? O nó na garganta trouxe alguns nomes à cabeça, mas dizer um apenas seria injustiça. Preferi optar por Deus. Acho que vê-Lo seria, antes de mais nada, um bom sinal.
Legião Urbana - Música Ambiente
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
A quem interessa a paz?
Nos últimos dias, jovens que tentaram evitar crimes foram vítimas da violência. Um espancado por defender um morador de rua, outro também espancado, mas até a morte, por tentar evitar o furto do veículo de um amigo. Quantas histórias violentas ainda serão escritas?
Nos dois casos, as vítimas foram covardemente agredidas por defenderem o certo. Contrariando preconceitos, antes que alguém diga algo sobre desigualdades sociais e coisas do tipo, os vilões foram jovens de classe média.
Gente que recebeu o mínimo de condições para ter o essencial. Na verdade preciso reformular a frase, gente que no mínimo teve de tudo, menos o essencial: educação e respeito. Mas para quem realmente interessa a paz?
Enquanto violência for o mais lucrativo dos negócios, não há motivos para diminuí-la ou extinguí-la. Há? A violência, apesar dos pesares, movimenta bilhões e se auto sustenta. Fabrica-se uma arma e para se defender dessa única arma é necessário outra, e mais outra, e mais outra, etc.
Afinal, quantas fardas, munições, coturnos, armamentos, carros, blindagens, alarmes, grades, cameras, aviões, muros, guaritas, granadas, condecorações, tanques, coletes, seguranças, policias, prisões, exércitos e delegacias são necessárias para a eficácia da paz?
Paz é um pouco mais do que faixas e passeatas.
Paz é, antes de mais nada, aquele mínimo que disse acima: educação e respeito.
Paulo Miklos - A paz é inútil para a nós
Nos dois casos, as vítimas foram covardemente agredidas por defenderem o certo. Contrariando preconceitos, antes que alguém diga algo sobre desigualdades sociais e coisas do tipo, os vilões foram jovens de classe média.
Gente que recebeu o mínimo de condições para ter o essencial. Na verdade preciso reformular a frase, gente que no mínimo teve de tudo, menos o essencial: educação e respeito. Mas para quem realmente interessa a paz?
Enquanto violência for o mais lucrativo dos negócios, não há motivos para diminuí-la ou extinguí-la. Há? A violência, apesar dos pesares, movimenta bilhões e se auto sustenta. Fabrica-se uma arma e para se defender dessa única arma é necessário outra, e mais outra, e mais outra, etc.
Afinal, quantas fardas, munições, coturnos, armamentos, carros, blindagens, alarmes, grades, cameras, aviões, muros, guaritas, granadas, condecorações, tanques, coletes, seguranças, policias, prisões, exércitos e delegacias são necessárias para a eficácia da paz?
Paz é um pouco mais do que faixas e passeatas.
Paz é, antes de mais nada, aquele mínimo que disse acima: educação e respeito.
Paulo Miklos - A paz é inútil para a nós
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Fazeres
Já me disseram muitas coisas. Já me disseram o que fazer, como fazer e onde fazer. Já me disseram até o que não deveria ser feito, mas algumas vezes não justificaram os motivos para isso.
Ignorei e fiz, porque precisava fazer; porque nada me impedia de fazê-lo. Ainda não sei o que me virá como resultado, mas tenho certeza de que se eu não tivesse feito nada, nada aconteceria.
Cássia Eller e Fábio Allman - Faça o quiser fazer
Ignorei e fiz, porque precisava fazer; porque nada me impedia de fazê-lo. Ainda não sei o que me virá como resultado, mas tenho certeza de que se eu não tivesse feito nada, nada aconteceria.
Cássia Eller e Fábio Allman - Faça o quiser fazer
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Salmos
Salmo 13
1. Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?
2. Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?
3. Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça na morte;
4. Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários não se alegrem, vindo eu a vacilar.
5. Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração.
6. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.
1. Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?
2. Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?
3. Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça na morte;
4. Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários não se alegrem, vindo eu a vacilar.
5. Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração.
6. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.
domingo, 29 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Últimos capítulos sobre a história do amor
De repente o amor se perde. Resolve se esconder e leva aquele friozinho na barriga, aquela ânsia por um telefonema, pelo horário em que se vai encontrar a pessoa amada.
Parece loucura, mas um dia tudo some. Você se questiona, tenta, tenta, tenta e percebe que de fato aquelas reações todas já não existem.
No primeiro momento vem a culpa, a dúvida, o medo de sair da zona de conforto e voltar à estaca zero. Então você resolve fingir que tudo está igual como era antes.
No momento seguinte vem a impaciência. Os defeitos tornam-se incômodos, deixam de ter a ternura de antes e viram uma espécie de dor de cabeça chata e persistente.
No final, como um campo minado, qualquer movimento aciona o dispositivo e as explosões surgem sucessivamente. Multilando e matando tantas histórias.
Percebe-se que haviam mais ideais e ilusões do que realismo ao enxergar o que se viveu. Viver feliz para sempre torna-se, então, uma frase de contos de fada.
Será que um dia encontro quem me complete?, você volta a se fazer a velha pergunta de sempre.
Legião Urbana - Antes das seis
Parece loucura, mas um dia tudo some. Você se questiona, tenta, tenta, tenta e percebe que de fato aquelas reações todas já não existem.
No primeiro momento vem a culpa, a dúvida, o medo de sair da zona de conforto e voltar à estaca zero. Então você resolve fingir que tudo está igual como era antes.
No momento seguinte vem a impaciência. Os defeitos tornam-se incômodos, deixam de ter a ternura de antes e viram uma espécie de dor de cabeça chata e persistente.
No final, como um campo minado, qualquer movimento aciona o dispositivo e as explosões surgem sucessivamente. Multilando e matando tantas histórias.
Percebe-se que haviam mais ideais e ilusões do que realismo ao enxergar o que se viveu. Viver feliz para sempre torna-se, então, uma frase de contos de fada.
Será que um dia encontro quem me complete?, você volta a se fazer a velha pergunta de sempre.
Legião Urbana - Antes das seis
domingo, 22 de janeiro de 2012
Momento Mahatma Gandhi
"O que pensais, passais a ser."
"As enfermidades são os resultados não só dos nossos atos como também dos nossos pensamentos."
"Acreditar em algo e não o viver é desonesto."
"O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo f ato de ninguém a ver."
"O homem cava seu túmulo com o garfo diariamente."
"O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente, que há no mundo."
"As enfermidades são os resultados não só dos nossos atos como também dos nossos pensamentos."
"Acreditar em algo e não o viver é desonesto."
"O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo f ato de ninguém a ver."
"O homem cava seu túmulo com o garfo diariamente."
"O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente, que há no mundo."
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Possessivos
Eu não te pertenço, não me pertenço, não percebo que não sou propietário, tão pouco produto de consumo. Será que a definição de humanidade, o que faz cada homem e mulher ser humano está nessa falsa ideia de posse alheia? No achar que corpos, olhares e sentimentos prendem-se ou dedicam-se exclusivamente a uma pessoa, vamos vivendo nossas dores que atropelam sentimentos e mais do que fraturas deixam mágoas e lamentos hemorrágicos.
Há na humanidade um certo "Uso Capião", ou direito de posse adquirido pelo tempo em que estamos em certas camas e corações. Ingênuo engano daqueles que, mesmo depois do fim, insistem em ver invisíveis possibilidades. Sem sacar que os lances nem sempre são laços eternos. Chega o momento em que afrouxam-se os nós e as pontas vão cada uma para o seu lado.
Só mesmo o espiritismo para explicar a possessão de um corpo por outra entidade, mas fora isso não conheço outra forma que não seja igual ao opressor e violento escravagismo. Nem sinhôs, nem sinhás, é apenas a sua vida que te pertence. É preciso repetir para si e para os outros esse pequeno lembrete, de não temos escravos que atendam à nossa demanda sentimental e afetiva.
Querer não é um contrato vitalício. Uns vão, outros vem e no meio dessas idas e vindas muitas vezes ficamos ali, parados, como pais que perderam seus filhos na multidão sem saber bem pra onde ir, esperando a volta das crianças. Inertes! Pertencentes ao reino animal, precisamos estar atentos ao fato de que apenas árvores permanecem paradas esperando as estações retornarem.
Frejat - N
Há na humanidade um certo "Uso Capião", ou direito de posse adquirido pelo tempo em que estamos em certas camas e corações. Ingênuo engano daqueles que, mesmo depois do fim, insistem em ver invisíveis possibilidades. Sem sacar que os lances nem sempre são laços eternos. Chega o momento em que afrouxam-se os nós e as pontas vão cada uma para o seu lado.
Só mesmo o espiritismo para explicar a possessão de um corpo por outra entidade, mas fora isso não conheço outra forma que não seja igual ao opressor e violento escravagismo. Nem sinhôs, nem sinhás, é apenas a sua vida que te pertence. É preciso repetir para si e para os outros esse pequeno lembrete, de não temos escravos que atendam à nossa demanda sentimental e afetiva.
Querer não é um contrato vitalício. Uns vão, outros vem e no meio dessas idas e vindas muitas vezes ficamos ali, parados, como pais que perderam seus filhos na multidão sem saber bem pra onde ir, esperando a volta das crianças. Inertes! Pertencentes ao reino animal, precisamos estar atentos ao fato de que apenas árvores permanecem paradas esperando as estações retornarem.
Frejat - N
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Momento Ferreira Gullar
Cantiga para não morrer
(Ferreira Gullar)
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento
(Ferreira Gullar)
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento
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