Alarm
sábado, 22 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Último post!?
Uma lista grande de coisas vêm me acontecendo desde o fim de Setembro. Tudo de ruim resolveu passar por mim e tirar um sarro do meu juízo. Perdas, derrotas, fracassos, tristezas, mágoas... que algumas vezes no meu dia não sei em qual delas pensar primeiro. É claro que o dia começa pelas ausências e pelo coração disparado, pensando em mais um dia vazio pela frente. O restante vem chegando conforme as horas passam e as atividades rotineiras vão nos lembrando de tudo o que nos falta.
Minha vida ainda não parou. Continua a saculejar pra lá e pra cá, revirando tudo e por vezes nem me dando tempo de respirar. Dizer sim no automático e depois me questionar, esquecer quase tudo que me dizem ou que deveria lembrar, lembrar da morte da minha mãe e surtar, dormir mal, passar um dia não tão melhor assim, não ter vontade de fazer nada, tomar remédios para tentar ficar sóbrio diante da vida e ainda me olhar no espelho e não me reconhecer.
Acho que a lição da temporada 2012 do seriado da minha vida tem a ver com sanidade mental, ou maturidade sentimental. Paciência, amor, saudade, raiva e tristeza nunca foram tão bem compreendidos e bem sentidos por mim (nos seus significados mais plenos). Hoje tento domá-los e dosá-los, mas na melhor das hipóteses tenho apenas conseguido perceber quão grandes e intensos são cada um desses sentimentos. Quão pequeno sou diante da destruição que esse furacão de sensações causa em minha vida.
O exercício diário de paciência tem sido uma lição na qual ando errando muito. A irritação exagerada por coisas tão medíocres que antes passariam por mim como pequenos divertimentos diários, mas que hoje parecem ofensas cruéis. Ou mesmo a vivência do amor em suas mais variadas vertentes, que me alimenta e me fortalece a cada novo dia. Amor companheiro, amor amigo, amor familiar e o amor paternal. Como é perturbador viver tantas coisas que se tornaram incontroláveis, enquanto também se vive outras tantas surpreendentes.
Por causa dessa inconstância, temo enlouquecer antes que termine cada novo dia. Em casa a ausência materna é tão presente que fere e acaba com tudo. A cachorra que passou dias sem comer, a TV que ninguém assiste, o marido que se escorou pelas paredes para não cair, a planta que morreu, o rádio que se calou, a mãe que quer morrer pra acompanhar a filha, a neta baleada, a sogra que não para de chorar e um filho quase a perder a fé em Deus.
Não sou nenhum doente terminal morrendo e sentindo dores que não passam mesmo medicadas. Não perdi tudo e todos de maneira violenta. Não estou a ver meus filhos morrerem de fome. Posso listar algumas dezenas de situações piores do que a minha, mas ninguém poderá dizer que não existe tanto sofrimento no que venho passando. Como já ouvi tantas vezes: Cada um sabe onde o calo aperta. E o meu calo aperta no peito, bem forte e pesado.
Falei tanto sobre a saudade aqui no blog, mas foi presunção minha pensar que a conhecia, ou que a havia sentido. Saudade não é falta, não é ausência, não é tristeza e não são lembranças. Saudade é tudo isso, duas vezes maior e pior. É uma dor fela da puta que não pára, aumenta, dilacera, queima, lateja e apenas nos adormece por alguns minutos em nosso dia para voltar maior no dia seguinte. Saudade é a dor da certeza de que você jamais terá aquilo de volta.
Há dias venho remoendo o fim do blog. Como um ruminante, guardo a ideia num canto qualquer e sempre que posso trago à tona para mastigar e tentar digerir. Por quê faria isso? Falta de leitores, falta de criatividade, falta de inspiração, falta de ânimo, falta de tesão... Não faltam motivos para encerrar meus devanios virtuais. Minha cabeça nunca esteve tão sobrecarregada como agora e minha alma nunca se sentiu tão pesada.
Esse texto, por exemplo, é, disparado, um dos piores postados aqui. Ele não segue uma linha de raciocínio e apenas traz um monte de informações jogadas ao acaso num desabafo de ideias e frustações. Os tempos de inspiração e textos "legíveis" se foram.
A impressão é de que o que ficou por aqui foi sofrimento, que traz impaciência, alimenta a raiva, motiva um choro, dói a cabeça, piora a gastrite e volta na saudade, que gera mais sofrimento, trazendo mais impaciência, alimentando outra vez a raiva, motivando novos choros, doendo a cabeça, atacando a gastrite e enlouquecendo enquanto se sente mais saudade, mais sofrimento, mais impaciência... mais solidão.
Zeca Baleiro e Margareth Menezes - Último post
Minha vida ainda não parou. Continua a saculejar pra lá e pra cá, revirando tudo e por vezes nem me dando tempo de respirar. Dizer sim no automático e depois me questionar, esquecer quase tudo que me dizem ou que deveria lembrar, lembrar da morte da minha mãe e surtar, dormir mal, passar um dia não tão melhor assim, não ter vontade de fazer nada, tomar remédios para tentar ficar sóbrio diante da vida e ainda me olhar no espelho e não me reconhecer.
Acho que a lição da temporada 2012 do seriado da minha vida tem a ver com sanidade mental, ou maturidade sentimental. Paciência, amor, saudade, raiva e tristeza nunca foram tão bem compreendidos e bem sentidos por mim (nos seus significados mais plenos). Hoje tento domá-los e dosá-los, mas na melhor das hipóteses tenho apenas conseguido perceber quão grandes e intensos são cada um desses sentimentos. Quão pequeno sou diante da destruição que esse furacão de sensações causa em minha vida.
O exercício diário de paciência tem sido uma lição na qual ando errando muito. A irritação exagerada por coisas tão medíocres que antes passariam por mim como pequenos divertimentos diários, mas que hoje parecem ofensas cruéis. Ou mesmo a vivência do amor em suas mais variadas vertentes, que me alimenta e me fortalece a cada novo dia. Amor companheiro, amor amigo, amor familiar e o amor paternal. Como é perturbador viver tantas coisas que se tornaram incontroláveis, enquanto também se vive outras tantas surpreendentes.
Por causa dessa inconstância, temo enlouquecer antes que termine cada novo dia. Em casa a ausência materna é tão presente que fere e acaba com tudo. A cachorra que passou dias sem comer, a TV que ninguém assiste, o marido que se escorou pelas paredes para não cair, a planta que morreu, o rádio que se calou, a mãe que quer morrer pra acompanhar a filha, a neta baleada, a sogra que não para de chorar e um filho quase a perder a fé em Deus.
Não sou nenhum doente terminal morrendo e sentindo dores que não passam mesmo medicadas. Não perdi tudo e todos de maneira violenta. Não estou a ver meus filhos morrerem de fome. Posso listar algumas dezenas de situações piores do que a minha, mas ninguém poderá dizer que não existe tanto sofrimento no que venho passando. Como já ouvi tantas vezes: Cada um sabe onde o calo aperta. E o meu calo aperta no peito, bem forte e pesado.
Falei tanto sobre a saudade aqui no blog, mas foi presunção minha pensar que a conhecia, ou que a havia sentido. Saudade não é falta, não é ausência, não é tristeza e não são lembranças. Saudade é tudo isso, duas vezes maior e pior. É uma dor fela da puta que não pára, aumenta, dilacera, queima, lateja e apenas nos adormece por alguns minutos em nosso dia para voltar maior no dia seguinte. Saudade é a dor da certeza de que você jamais terá aquilo de volta.
Há dias venho remoendo o fim do blog. Como um ruminante, guardo a ideia num canto qualquer e sempre que posso trago à tona para mastigar e tentar digerir. Por quê faria isso? Falta de leitores, falta de criatividade, falta de inspiração, falta de ânimo, falta de tesão... Não faltam motivos para encerrar meus devanios virtuais. Minha cabeça nunca esteve tão sobrecarregada como agora e minha alma nunca se sentiu tão pesada.
Esse texto, por exemplo, é, disparado, um dos piores postados aqui. Ele não segue uma linha de raciocínio e apenas traz um monte de informações jogadas ao acaso num desabafo de ideias e frustações. Os tempos de inspiração e textos "legíveis" se foram.
A impressão é de que o que ficou por aqui foi sofrimento, que traz impaciência, alimenta a raiva, motiva um choro, dói a cabeça, piora a gastrite e volta na saudade, que gera mais sofrimento, trazendo mais impaciência, alimentando outra vez a raiva, motivando novos choros, doendo a cabeça, atacando a gastrite e enlouquecendo enquanto se sente mais saudade, mais sofrimento, mais impaciência... mais solidão.
Zeca Baleiro e Margareth Menezes - Último post
sábado, 17 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Momento Divaldo Franco
Se alguém pretende magoá-lo, e você não aceita a ofensa, ele não o conseguirá, por mais o tente.
Se outrem enunciou cruel calúnia para desmoralizá-lo, e ele mente, como é óbvio, você prosseguirá como antes.
Se alguma pessoa de temperamento áspero não simpatiza com você, e a sua é uma atitude de compreensão, de forma alguma você será afetado pelas suas vibrações negativas.
Se um amigo de largo tempo desertou da sua companhia, acusando-o injustamente, e você se encontra com a consciência tranquila, não prosseguirá a sós.
Se você foi acusado por perversidade ou inveja de alguém, e se permanece consciente da sua honorabilidade, nada mudará em sua vida.
Se você se vê a braços com inimigos ferrenhos, mas não revida o mal que lhe desejam, conseguirá expressiva vitória na sua marcha ascensional.
Se apupado e desrespeitado, você percebe que o fazem por despeito e sentimentos inferiores, não se detendo na torpe situação, você é um vencedor.
Se algumas criaturas demonstram desagrado ante a sua presença, e você consegue desculpá-las, a sua é a postura adequada.
* * *
Nunca tome para você as agressões dos outros, mesmo quando citado nominalmente.
A grande maioria dos indivíduos vê o seu próximo mediante a projeção dos próprios conflitos, e nem sequer dão-se conta da insensatez que os domina.
É fácil identificar nos outros ou transferir as próprias torpezas e insânias, raramente os tesouros das virtudes que escasseiam.
Mantenha-se em paz, não se considerando tão importante, que seja sempre motivo da agressão e da maldade dos outros.
Sempre haverá opositores e vítimas na sociedade.
Que você seja a tranquilidade de consciência a serviço do Bem libertador.
Se você assim proceder, o mal dos outros nunca lhe fará mal, mas o seu bem a todos fará muito bem.
(do espírito Marco Prisco, psicografado por Divaldo Franco)
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Adeus - II
Meu corpo estava cansado ao extremo, emocional e psicologicamente pela perda de minha mãe e fisicamente pela noite em claro no aeroporto do Rio Grande do Norte e as pouco mais de duas horas de viagem. Um banho longo, um suco, uma fruta e estava "pronto" para seguir para o cemitério.
Não sei o que havia naquele dia. Se Sol, se chuva... de alguma forma cheguei lá e apenas recebi abraços e palavras de inúmeros amigos e familiares.Tantos rostos e vozes conhecidas e queridas apareceram naquele e nos dias seguintes. Por mais triste que fossem aqueles momentos, o alento daqueles que nos querem bem sempre será um conforto ao coração.
Amigos de longa data de minha mãe também vieram. Estiveram ali para se despedir. Não a vi, quis lembrar-me da última vez em que me despedi e viajei. Minha despedida foi 11 dias antes, mas dias depois do velório nada daquilo parecia ser verdade. Ainda tenho a certeza, mesmo hoje, que daqui dias ou horas ela voltará de alguma viagem.
Uma vizinha e amiga de minha mãe prestou ainda uma última homenagem. Durante o sepultamento puxou uma canção que ouvi algumas dezenas de vezes minha mãe cantarolar. Todos acompanharam, choraram e entenderam que aquilo que cantavam narrava a vida daquela de quem se despediam. Uma vida vivida sem vergonha de ser quem se era, de ser feliz...
Gonzaguinha - O que é, o que é
Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Não sei o que havia naquele dia. Se Sol, se chuva... de alguma forma cheguei lá e apenas recebi abraços e palavras de inúmeros amigos e familiares.Tantos rostos e vozes conhecidas e queridas apareceram naquele e nos dias seguintes. Por mais triste que fossem aqueles momentos, o alento daqueles que nos querem bem sempre será um conforto ao coração.
Amigos de longa data de minha mãe também vieram. Estiveram ali para se despedir. Não a vi, quis lembrar-me da última vez em que me despedi e viajei. Minha despedida foi 11 dias antes, mas dias depois do velório nada daquilo parecia ser verdade. Ainda tenho a certeza, mesmo hoje, que daqui dias ou horas ela voltará de alguma viagem.
Uma vizinha e amiga de minha mãe prestou ainda uma última homenagem. Durante o sepultamento puxou uma canção que ouvi algumas dezenas de vezes minha mãe cantarolar. Todos acompanharam, choraram e entenderam que aquilo que cantavam narrava a vida daquela de quem se despediam. Uma vida vivida sem vergonha de ser quem se era, de ser feliz...
Gonzaguinha - O que é, o que é
Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Adeus - I
Enquanto na TV homenagens eram prestadas a uma falecida apresentadora, cantora e atriz, eu já me encontrava triste sem saber ao menos o motivo. Coloquei minha mala sobre a cama e a fiz para voltar. Mesmo que ainda faltasse tanto tempo para retornar, quis (sem saber o motivo) deixar tudo pronto para minha volta.
Na rua, comprei a lembrança que faltava. Um quadro retratando a santa ceia, algo que minha mãe sonhara por tantos meses. Enfim, achei um que lhe agradaria. Peguei o celular para avisá-la, mas hesitei no último segundo. Que tal fazer uma surpresa? Desliguei e fui dar um passeio noturno à beira-mar, um último brinde e depois descansar. Ainda assim algo parecia estranho desde o sábado pela manhã.
O telefone toca, minha mãe!? Pelo adiantado da hora achei estranho, mas o que poderia ter acontecido? Com certeza ela me perguntaria sobre algo relativo à viagem e se alguém iria me buscar do aeroporto. Atendi brincando e perguntando o quê ela queria. Do outro lado meu irmão aos prantos me pergunta onde estou, me pede pra ser forte e avisa que nossa mãe havia desencarnado...
Não me lembro bem o que aconteceu depois disso. Com muita dificuldade e passado algum tempo cheguei ao hotel aos prantos, sentei na cama e rezei pela alma da minha mãe. Minutos depois enviei duas ou três mensagens e recebi dezenas de telefonemas e mensagens.
Outra vez minha memória falha e agora já estou a caminho do aeroporto. Perto da meia noite alguém me liga, mais choro, mais inércia, mais nada. Uma noite sentado, sob um ar condicionado me congelando e eu tremendo de medo. Não queria voltar, mas também sabia que fazia parte da vida enterrar meus mortos.
Já de volta à Brasília, meus primos me esperavam. Choramos, nos abraçamos e eu ainda parecia estar dormindo. Esperava acordar ou ver ao chegar sorrindo e me dizer que tudo não passou de uma brincadeira. Até agora estou esperando.
Em casa outra sessão de choros a cada novo abraço e desejo de me reconfortar. Me vi tentando reconfortar tantos, a começar pelos meus avós e pelo meu irmão deitado em minha cama, dopado pelos remédios de tarja preta e como se quisesse meu perdão, jurou ter feito de tudo para salvá-la.
A casa revirada e suja descrevia toda a tragédia ocorrida ali horas atrás. Talvez depois de tudo isso, meu pai tenha descreditado ainda mais que Deus possa existir. Não que ele precisasse de novos argumentos, isso ele têm de sobra, mas talvez agora ele tivesse motivos reais para descrer. Ao me ver, veio emocionado me abraçar. Não sei ao certo se foi eu quem o acalmou, ou se ele me deixou nervoso.
Não houveram despedidas, tudo repentino como ela queria que fosse sua partida. Mas tenho a certeza que nem mesmo ela queria que fosse tão doloroso para todos nós. Agora seríamos apenas nós dois (eu e meu pai) e toda falta que minha mãe deixou. Terceiro elemento que se faz muito mais presente e preenchedor de espaços dentro dos nossos dias daqui por diante.
Alcione e Maria Bethânia - Sem Mais Adeus
Na rua, comprei a lembrança que faltava. Um quadro retratando a santa ceia, algo que minha mãe sonhara por tantos meses. Enfim, achei um que lhe agradaria. Peguei o celular para avisá-la, mas hesitei no último segundo. Que tal fazer uma surpresa? Desliguei e fui dar um passeio noturno à beira-mar, um último brinde e depois descansar. Ainda assim algo parecia estranho desde o sábado pela manhã.
O telefone toca, minha mãe!? Pelo adiantado da hora achei estranho, mas o que poderia ter acontecido? Com certeza ela me perguntaria sobre algo relativo à viagem e se alguém iria me buscar do aeroporto. Atendi brincando e perguntando o quê ela queria. Do outro lado meu irmão aos prantos me pergunta onde estou, me pede pra ser forte e avisa que nossa mãe havia desencarnado...
Não me lembro bem o que aconteceu depois disso. Com muita dificuldade e passado algum tempo cheguei ao hotel aos prantos, sentei na cama e rezei pela alma da minha mãe. Minutos depois enviei duas ou três mensagens e recebi dezenas de telefonemas e mensagens.
Outra vez minha memória falha e agora já estou a caminho do aeroporto. Perto da meia noite alguém me liga, mais choro, mais inércia, mais nada. Uma noite sentado, sob um ar condicionado me congelando e eu tremendo de medo. Não queria voltar, mas também sabia que fazia parte da vida enterrar meus mortos.
Já de volta à Brasília, meus primos me esperavam. Choramos, nos abraçamos e eu ainda parecia estar dormindo. Esperava acordar ou ver ao chegar sorrindo e me dizer que tudo não passou de uma brincadeira. Até agora estou esperando.
Em casa outra sessão de choros a cada novo abraço e desejo de me reconfortar. Me vi tentando reconfortar tantos, a começar pelos meus avós e pelo meu irmão deitado em minha cama, dopado pelos remédios de tarja preta e como se quisesse meu perdão, jurou ter feito de tudo para salvá-la.
A casa revirada e suja descrevia toda a tragédia ocorrida ali horas atrás. Talvez depois de tudo isso, meu pai tenha descreditado ainda mais que Deus possa existir. Não que ele precisasse de novos argumentos, isso ele têm de sobra, mas talvez agora ele tivesse motivos reais para descrer. Ao me ver, veio emocionado me abraçar. Não sei ao certo se foi eu quem o acalmou, ou se ele me deixou nervoso.
Não houveram despedidas, tudo repentino como ela queria que fosse sua partida. Mas tenho a certeza que nem mesmo ela queria que fosse tão doloroso para todos nós. Agora seríamos apenas nós dois (eu e meu pai) e toda falta que minha mãe deixou. Terceiro elemento que se faz muito mais presente e preenchedor de espaços dentro dos nossos dias daqui por diante.
Alcione e Maria Bethânia - Sem Mais Adeus
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Momento Adélia Prado
Tão bom aqui
Me escondo no porão
para melhor aproveitar o dia
e seu plantel de cigarras.
Entrei aqui para rezar,
agradecer a Deus este conforto gigante.
Meu corpo velho descansa regalado,
tenho sono e posso dormir,
Tendo comido e bebido sem pagar.
O dia lá fora é quente,
a água na bilha é fresca,
acredito que sugestionamos elétrons.
Eu só quero saber do microcosmo,
O de tanta realidade que nem há.
Na partícula visível de poeira
Em onda invisível dança a luz.
Ao cheiro de café minhas narinas vibram,
Alguém vai me chamar.
Responderei amorosa,
Refeita de sono bom.
Fora que alguém me ama,
Eu nada sei de mim.
Texto extraído do livro “A duração do dia”, Ed. Record, 2010 - Rio de Janeiro (RJ), pág. 09.
Me escondo no porão
para melhor aproveitar o dia
e seu plantel de cigarras.
Entrei aqui para rezar,
agradecer a Deus este conforto gigante.
Meu corpo velho descansa regalado,
tenho sono e posso dormir,
Tendo comido e bebido sem pagar.
O dia lá fora é quente,
a água na bilha é fresca,
acredito que sugestionamos elétrons.
Eu só quero saber do microcosmo,
O de tanta realidade que nem há.
Na partícula visível de poeira
Em onda invisível dança a luz.
Ao cheiro de café minhas narinas vibram,
Alguém vai me chamar.
Responderei amorosa,
Refeita de sono bom.
Fora que alguém me ama,
Eu nada sei de mim.
Texto extraído do livro “A duração do dia”, Ed. Record, 2010 - Rio de Janeiro (RJ), pág. 09.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Noites de Agosto
O vento forte correu por toda casa, bateu portas, abriu janelas, levantou a poeira e acordou a criança que chorou, mas ninguém quis niná-la. Assustado, correu para ver o que havia acontecido.
Logo o choro se foi e a pequena alma adormeceu, acarinhada por seu anjo da guarda (talvez). Observou da porta a criança se acalmando com o som das folhas da mangueira que corriam na calçada, embaixo da janela. No quarto ao lado, os outros nem se moviam. No chão a garrafa de cachaça indicava o motivo deles não terem acordado.
Lá fora o tempo revolto era ainda mais calmo que dentro de seu peito.
Como um vigia dos sonos juvenis, andava entre os lixos e os jovens deitados pelo piso sujo. Enquanto as camas vazias serviam de guarda-roupas para as vestes encardidas, a juventude estava jogada e embriagada.
Tudo estava fora do lugar. Copos descartáveis espalhados pelo chão, roupas arremessadas para fora do varal e o coração se apertava, na tentativa da fazer correr uma lágrima qualquer. Seguia a passos lentos com sua ronda, enquanto o vento continuava a correr.
A noite foi fria, longa e seca dentro e fora do coração acelerado. Pronto!, os olhos úmidos aliviavam o tempo seco e tudo lá dentro ficou um pouco mais desacelerado. Chorou, dormiu, sonhou e pela manhã conseguiu até cantar uma canção triste.
O Sol não nasceu, só o vento chegou trazendo as nuvens, na tentativa de estender a noite dia-a-fora. Fechando o casaco protegeu a garganta e ao longe uma luz avermelhada se esforçava para romper o horizonte e ultrapassar a parede espessa nublada.
Tudo era estranho. Nada fazia sentido. Em casa, dormiu de verdade e sonhou com o fim do mundo. Tomou alguns remédios, viu histórias tristes na tv e abriu a cortina para saber se o mundo ainda estava inteiro.
Adriana Calcanhoto - Metade
Logo o choro se foi e a pequena alma adormeceu, acarinhada por seu anjo da guarda (talvez). Observou da porta a criança se acalmando com o som das folhas da mangueira que corriam na calçada, embaixo da janela. No quarto ao lado, os outros nem se moviam. No chão a garrafa de cachaça indicava o motivo deles não terem acordado.
Lá fora o tempo revolto era ainda mais calmo que dentro de seu peito.
Como um vigia dos sonos juvenis, andava entre os lixos e os jovens deitados pelo piso sujo. Enquanto as camas vazias serviam de guarda-roupas para as vestes encardidas, a juventude estava jogada e embriagada.
Tudo estava fora do lugar. Copos descartáveis espalhados pelo chão, roupas arremessadas para fora do varal e o coração se apertava, na tentativa da fazer correr uma lágrima qualquer. Seguia a passos lentos com sua ronda, enquanto o vento continuava a correr.
A noite foi fria, longa e seca dentro e fora do coração acelerado. Pronto!, os olhos úmidos aliviavam o tempo seco e tudo lá dentro ficou um pouco mais desacelerado. Chorou, dormiu, sonhou e pela manhã conseguiu até cantar uma canção triste.
O Sol não nasceu, só o vento chegou trazendo as nuvens, na tentativa de estender a noite dia-a-fora. Fechando o casaco protegeu a garganta e ao longe uma luz avermelhada se esforçava para romper o horizonte e ultrapassar a parede espessa nublada.
Tudo era estranho. Nada fazia sentido. Em casa, dormiu de verdade e sonhou com o fim do mundo. Tomou alguns remédios, viu histórias tristes na tv e abriu a cortina para saber se o mundo ainda estava inteiro.
Adriana Calcanhoto - Metade
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Amanhã, talvez
Um corpo cansado que se levanta em meio a um temporal. Foi apenas um susto, era um sonho. Pesadelo, talvez. As mãos procuram pelos olhos pesados de sono e os esfregam para que o coração se acalme e possa crer que tudo não passou de uma divagação noturna.Os pés tateiam o chão buscando as sandálias gastas, mas o corpo teima em permanecer imóvel.
Em uma manhã fria onde nem mesmo os cachorros queriam latir e permaneciam encolhidos nos tapetes, nas entradas de suas residências, esperando sobras do café da manhã ou um afago qualquer. Não haviam motivações, nem razões, que o fizessem acreditar que sair dali fosse o melhor naquele dia.
A água gelada repelia ainda mais o despertar. Assim que seu rosto se molhou pareceu retomar a consciência. Reconheceu-se diante do espelho e notou as marcas do cansaço e das noites mal dormidas há quase um ano. Todos se despediam, saíam e a casa vazia era mais um motivo para que ele não entedesse por onde ia sua vida.
Lembrou-se do sonho. Salvou os seus, pensou que aquilo podia ser verdade. Que estivesse mesmo em meio ao caos em uma ilha qualquer. A tentativa era a de encontrar algo de interessante, mas o esforço da imaginação não superou a realidade dos seus dias enfadonhos.
A TV servia apenas para distrair os pensamentos, o rádio já não tocava nada que lhe agradasse e as pessoas, na tentativa de serem diferentes, se vestiam com as mesmas roupas e falavam das mesmas coisas.
O telefone toca e sua chefe tenta simpaticamente trazer explicações e uma falsa sensação de que "tudo foi resolvido". Ele apenas sorri, agradece e desliga o telefone sabendo que nada mudará. Sabendo que ninguém, além dele, realmente poderá mudar sua vida.
Queria gritar, mas não tinha o mínimo de vontade. Andou por toda a casa, olhou para a poeira sobre os móveis e o vento arrastando o lixo na rua, lá fora. Arastando os pés, voltou para o quarto e viu na cama o alento para aquele dia. Onde está o sentido das coisas? Se acomodou, virou-se, ajeitou a coberta e tentou retomar seus sonhos até que um dia melhor nascesse.
Lobão - Essa noite não
Em uma manhã fria onde nem mesmo os cachorros queriam latir e permaneciam encolhidos nos tapetes, nas entradas de suas residências, esperando sobras do café da manhã ou um afago qualquer. Não haviam motivações, nem razões, que o fizessem acreditar que sair dali fosse o melhor naquele dia.
A água gelada repelia ainda mais o despertar. Assim que seu rosto se molhou pareceu retomar a consciência. Reconheceu-se diante do espelho e notou as marcas do cansaço e das noites mal dormidas há quase um ano. Todos se despediam, saíam e a casa vazia era mais um motivo para que ele não entedesse por onde ia sua vida.
Lembrou-se do sonho. Salvou os seus, pensou que aquilo podia ser verdade. Que estivesse mesmo em meio ao caos em uma ilha qualquer. A tentativa era a de encontrar algo de interessante, mas o esforço da imaginação não superou a realidade dos seus dias enfadonhos.
A TV servia apenas para distrair os pensamentos, o rádio já não tocava nada que lhe agradasse e as pessoas, na tentativa de serem diferentes, se vestiam com as mesmas roupas e falavam das mesmas coisas.
O telefone toca e sua chefe tenta simpaticamente trazer explicações e uma falsa sensação de que "tudo foi resolvido". Ele apenas sorri, agradece e desliga o telefone sabendo que nada mudará. Sabendo que ninguém, além dele, realmente poderá mudar sua vida.
Queria gritar, mas não tinha o mínimo de vontade. Andou por toda a casa, olhou para a poeira sobre os móveis e o vento arrastando o lixo na rua, lá fora. Arastando os pés, voltou para o quarto e viu na cama o alento para aquele dia. Onde está o sentido das coisas? Se acomodou, virou-se, ajeitou a coberta e tentou retomar seus sonhos até que um dia melhor nascesse.
Lobão - Essa noite não
sexta-feira, 27 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Momento Divaldo Franco
Janela das Almas
O sentimento e a emoção normalmente se transformam em lentes que coam os acontecimentos,
dando-lhes cor e conotação próprias.
De acordo com a estrutura e o momento psicológico,
os fatos passam a ter a significação que nem sempre corresponde à realidade.
Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar,
passa a ver o dia com menor intensidade de luz.
Variando a cor das lentes,
com tonalidade correspondente desfilarão diante dos olhos as cenas.
Na área do relacionamento humano,
também, as ocorrências assumem contornos de acordo com o estado de alma das pessoas envolvidas.
É urgente, portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos,
de modo a equilibrar os fatos em relação com eles.
Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma,
a fim de bem observar os sucessos da vilegiatura humana.
De acordo com a dimensão e o tipo de abertura,
será possível observar a vida e vivê-la de forma agradável,
mesmo nos momentos mais difíceis.
Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas,
facultando a usança de lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação.
Coloca, nas tuas janelas, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura,
a fim de acompanhares o mundo e o seu séqüito de ocorrências.
O amor te facultará ampliar o círculo de afetividade,
abençoando os teus amigos com a cortesia, os estímulos encorajadores e a tranqüilidade.
A bondade irrigará de esperança os corações ressequidos pelos sofrimentos e as emoções despedaçadas pela aflição que se te acerquem.
O perdão constituirá a tua força revigoradora colocada a benefício do delinqüente, do mau, do alucinado, que te busquem.
A ternura espraiará o perfume reconfortante da tua afabilidade,
levantando os caídos e segurando os trôpegos,
de modo a impedir-lhes a queda, quando próximos de ti.
As janelas da alma são espaços felizes para que se espraie a luz,
e se realize a comunhão com o bem.
Colocando os santos óleos da afabilidade nas engrenagens da tua alma,
descerrarás as janelas fechadas dos teus sentimentos,
e a tua abençoada emoção se alongará,
afagando todos aqueles que se aproximem de ti,
proporcionando-lhes a amizade pura que se converterá em amor,
rico de bondade e de perdão,
a proclamarem chegada a hora de ternura entre os homens da Terra.
(do espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco)
O sentimento e a emoção normalmente se transformam em lentes que coam os acontecimentos,
dando-lhes cor e conotação próprias.
De acordo com a estrutura e o momento psicológico,
os fatos passam a ter a significação que nem sempre corresponde à realidade.
Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar,
passa a ver o dia com menor intensidade de luz.
Variando a cor das lentes,
com tonalidade correspondente desfilarão diante dos olhos as cenas.
Na área do relacionamento humano,
também, as ocorrências assumem contornos de acordo com o estado de alma das pessoas envolvidas.
É urgente, portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos,
de modo a equilibrar os fatos em relação com eles.
Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma,
a fim de bem observar os sucessos da vilegiatura humana.
De acordo com a dimensão e o tipo de abertura,
será possível observar a vida e vivê-la de forma agradável,
mesmo nos momentos mais difíceis.
Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas,
facultando a usança de lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação.
Coloca, nas tuas janelas, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura,
a fim de acompanhares o mundo e o seu séqüito de ocorrências.
O amor te facultará ampliar o círculo de afetividade,
abençoando os teus amigos com a cortesia, os estímulos encorajadores e a tranqüilidade.
A bondade irrigará de esperança os corações ressequidos pelos sofrimentos e as emoções despedaçadas pela aflição que se te acerquem.
O perdão constituirá a tua força revigoradora colocada a benefício do delinqüente, do mau, do alucinado, que te busquem.
A ternura espraiará o perfume reconfortante da tua afabilidade,
levantando os caídos e segurando os trôpegos,
de modo a impedir-lhes a queda, quando próximos de ti.
As janelas da alma são espaços felizes para que se espraie a luz,
e se realize a comunhão com o bem.
Colocando os santos óleos da afabilidade nas engrenagens da tua alma,
descerrarás as janelas fechadas dos teus sentimentos,
e a tua abençoada emoção se alongará,
afagando todos aqueles que se aproximem de ti,
proporcionando-lhes a amizade pura que se converterá em amor,
rico de bondade e de perdão,
a proclamarem chegada a hora de ternura entre os homens da Terra.
(do espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco)
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
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