Temperamento impulsivo
(Clarice Lispector)
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
sábado, 31 de julho de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Liberdade
De todos os vícios que ele possuía o pior era o de não amá-la. Ela já não conseguia suportar uma vida tão pouca, tão pequena por parte dele. Um homem descomprometido com seus compromissos familiares. Alguém que nunca quis, verdadeiramente, assumir um lar e uma família.
Ela se cansou. Ela não queria, acompanhada, viver uma vida sozinha e frustrada. As promessas nem chegaram ao altar e por vezes ela acreditava que por isso ele era daquela maneira. Mas o altar não santifica ninguém em vida. Os santos que lá estão já morreram há muito tempo.
Silenciosamente ela juntou suas coisas. Roupas, brincos e sapatos aos poucos encheram o porta-malas do carro. Sua filha acomodou-se no banco de trás e esperou quieta a mãe terminar de ajeitar tudo. Ela juntou suas lembranças e mágoas e partiu.
Ela mudou. Mudou sua vida e seu endereço. Sabia que aquele era o fim do conto de fadas. Agora ela queria, sozinha, viver uma vida feliz e despreocupada com sua filha. Numa estória que se repetiu. Uma sina que passou de geração em geração na sua família, mas que sempre foi superada em todos os casos.
Ainda embriagado ele acordou com as botas sujas ainda nos pés e o cigarro apagado na mão. Assustado gritou pela esposa, mas a voz ecoou pelas paredes da sua casa. Agora só sua, teria todo o espaço para viver a vida sem o peso familiar. Ele não teve tempo de vê-la partir. Correu, ligou e no fim chorou e fumou sua solidão. A vida livre que queria estava a seu dispor.
Ela seguia pela estrada. Olhava pelo retrovisor e sorria para sua pequena, que retribuía o sorriso e a felicidade da mãe em viver uma nova fase na sua vida. Acabou. Sem ignorâncias, sem brutalidades, sem decepções. Talvez naquele momento todos tenham conseguido o que tanto queriam. Cada um agora viveria com sua liberdade.
Barão Vermelho - Cigarro Aceso no Braço
Ela se cansou. Ela não queria, acompanhada, viver uma vida sozinha e frustrada. As promessas nem chegaram ao altar e por vezes ela acreditava que por isso ele era daquela maneira. Mas o altar não santifica ninguém em vida. Os santos que lá estão já morreram há muito tempo.
Silenciosamente ela juntou suas coisas. Roupas, brincos e sapatos aos poucos encheram o porta-malas do carro. Sua filha acomodou-se no banco de trás e esperou quieta a mãe terminar de ajeitar tudo. Ela juntou suas lembranças e mágoas e partiu.
Ela mudou. Mudou sua vida e seu endereço. Sabia que aquele era o fim do conto de fadas. Agora ela queria, sozinha, viver uma vida feliz e despreocupada com sua filha. Numa estória que se repetiu. Uma sina que passou de geração em geração na sua família, mas que sempre foi superada em todos os casos.
Ainda embriagado ele acordou com as botas sujas ainda nos pés e o cigarro apagado na mão. Assustado gritou pela esposa, mas a voz ecoou pelas paredes da sua casa. Agora só sua, teria todo o espaço para viver a vida sem o peso familiar. Ele não teve tempo de vê-la partir. Correu, ligou e no fim chorou e fumou sua solidão. A vida livre que queria estava a seu dispor.
Ela seguia pela estrada. Olhava pelo retrovisor e sorria para sua pequena, que retribuía o sorriso e a felicidade da mãe em viver uma nova fase na sua vida. Acabou. Sem ignorâncias, sem brutalidades, sem decepções. Talvez naquele momento todos tenham conseguido o que tanto queriam. Cada um agora viveria com sua liberdade.
Barão Vermelho - Cigarro Aceso no Braço
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Momento Alice Ruiz
"Por uma só fresta.
Entra toda a vida.
Que o sol empresta."
"Quantas coisas um sonho quer dizer e não diz?"
"Poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim, diz."
"O que você jogou fora é para poucos."
"Que o breve seja de um longo pensar.
Que o longo seja de um curto sentir.
Que tudo seja leve de tal forma que o tempo nunca leve"
"Pra que a gente acorde, é fundamental sonhar."
"A vida não tá certa nem errada, aguarda apenas nossa decisão."
Entra toda a vida.
Que o sol empresta."
"Quantas coisas um sonho quer dizer e não diz?"
"Poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim, diz."
"O que você jogou fora é para poucos."
"Que o breve seja de um longo pensar.
Que o longo seja de um curto sentir.
Que tudo seja leve de tal forma que o tempo nunca leve"
"Pra que a gente acorde, é fundamental sonhar."
"A vida não tá certa nem errada, aguarda apenas nossa decisão."
terça-feira, 27 de julho de 2010
Momento Chico Xavier
A sua irritação não solucionará problema algum.
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não modifica a vida.
A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.
A sua tristeza não iluminará os caminhos.
O seu desânimo não edificará ninguém.
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade.
As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.
Não estrague o seu dia.
Aprenda a sabedoria divina,
A desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre.
Para o infinito bem!
André Luiz (Mensagem psicografada por Chico Xavier)
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não modifica a vida.
A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.
A sua tristeza não iluminará os caminhos.
O seu desânimo não edificará ninguém.
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade.
As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.
Não estrague o seu dia.
Aprenda a sabedoria divina,
A desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre.
Para o infinito bem!
André Luiz (Mensagem psicografada por Chico Xavier)
Nova Geração - parte IV
Com toda a boa educação começo pelas meninas. Bruna Caram e Roberta Campos, as duas jovens e talentosas cantoras vão se acomodando no cenário musical brasileiro. Com certeza as duas fazem parte da nova safra da MPB.
Bruna Caram - Essa menina
Roberta Campos - Varrendo a Lua
Fecho a seleção de hoje com o talento de Tiago Iorc. O jovem destacou-se dentro da nossa música com dois singles em inglês. Na suas brilhantes versões para os clássicos: My Girl e Ticked to Ride. Aqui, ele mostra que também sabe (e muito bem) cantar em português. No vídeo abaixo ele conta com a participação especialíssima de Maria Gadú (outra nova pérola da MPB). Na época em que foi gravado o vídeo a cantora ainda não havia conseguido a consagração nacional.
Tiago Iorc e Maria Gadú - Fora da Lei
Bruna Caram - Essa menina
Roberta Campos - Varrendo a Lua
Fecho a seleção de hoje com o talento de Tiago Iorc. O jovem destacou-se dentro da nossa música com dois singles em inglês. Na suas brilhantes versões para os clássicos: My Girl e Ticked to Ride. Aqui, ele mostra que também sabe (e muito bem) cantar em português. No vídeo abaixo ele conta com a participação especialíssima de Maria Gadú (outra nova pérola da MPB). Na época em que foi gravado o vídeo a cantora ainda não havia conseguido a consagração nacional.
Tiago Iorc e Maria Gadú - Fora da Lei
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Momento Pedro Juan Gutiérrez
"Se estou rodeado de silêncio, eu sou eu. E isso me basta. Minha vida se dispersa continuamente. Como um rio que sai do leito e transborda sobre a terra. Então, tenho de abandonar muitas coisas e pensar no que é útil e bom. Só assim controlo as águas e as faço voltar ao seu leito. É como um pêndulo. Foi sempre assim. Já me acostumei a viver com essas inundações que arrasam tudo, e depois a calma, o controle, a solidão, o silêncio. É como uma longa aprendizagem. Infinita. Desconfio que nunca se concluirá."
"Sempre vivi como se fosse interminável. Quero dizer que destruo tudo continuamente (...)
Talvez seja o hábito de não cultivar, não guardar, não prever. Pouco a pouco foi aumentando o peso sobre minhas costas. Escombros demais. Dessa forma, adquiri o costume de me aproveitar de tudo e de todos. Um maldito senso pragmático da vida.
Passo a vida fazendo contas. Calculando quanto entrego e quanto me dão em troca. Eu achava que era um cara bom, mas essa mania de matemática me fez ficar desolado, virei terra. Daí apareceu uma bela garota em minha vida, que focalizou em mim seus olhos e me passou uma mensagem telepática de amor. E eu acreditei.
Tinha de acreditar. Quando a gente se sente tão sozinho capta muito rapidamente uma mensagem assim e a leva com cuidado até o coração e a deposita ali e se entusiasma e acredita que já está tudo resolvido."
"Sempre vivi como se fosse interminável. Quero dizer que destruo tudo continuamente (...)
Talvez seja o hábito de não cultivar, não guardar, não prever. Pouco a pouco foi aumentando o peso sobre minhas costas. Escombros demais. Dessa forma, adquiri o costume de me aproveitar de tudo e de todos. Um maldito senso pragmático da vida.
Passo a vida fazendo contas. Calculando quanto entrego e quanto me dão em troca. Eu achava que era um cara bom, mas essa mania de matemática me fez ficar desolado, virei terra. Daí apareceu uma bela garota em minha vida, que focalizou em mim seus olhos e me passou uma mensagem telepática de amor. E eu acreditei.
Tinha de acreditar. Quando a gente se sente tão sozinho capta muito rapidamente uma mensagem assim e a leva com cuidado até o coração e a deposita ali e se entusiasma e acredita que já está tudo resolvido."
sábado, 24 de julho de 2010
O que temos de sentimentos pra hoje?
Rafa, minha amiga loira e gata (mas muito inteligente), me questionou sobre os sentimentos que me envolviam naquele momento. "Putz!", exclamei sorrindo. Precisei de tempo pra pensar e tentar ordenar os sentimentos aqui dentro antes de responder algo. Tentei ordenar, mas não deu. "Mágoa, amor, raiva, alívio, tristeza, alegria, medo... Porra Rafa, sei lá! Não sei mesmo.", rí e cocei a cabeça tentando me entender. Fiz mais uma pausa estratégica na minha oratória (gostei dessa frase) e tentei explicar tudo o que se passava na minha cabeça com relação aos fatos de 2010.
"Rafa entendi, nesse meio tempo, que a vida sempre vem em ciclos. Alternando entre bons e maus momentos. Época de preparar e plantar na terra, em seguida a época de combater todas as pragas e doenças que devastam, muitas vezes, boa parte dessa plantação e o último período, de colheita dos bons frutos que resistiram ao ataque. Também acho esse exemplo bobo. Simplório demais, mas queira ou não é a melhor maneira de entender a vida. Pelo menos para mim. Se você cuidar bem de tudo as pragas não farão grandes estragos. É inevitável que elas venham, mas pode-se controlar o tamanho do prejuízo.
Quantos turbilhões vieram na minha vida recentemente. Um tsunami passou por aqui e devastou tudo. Mudou a paisagem radicalmente, mas mudou pra melhor. Me colocou de frente com os meus medos. Mostrou em quem eu poderia confiar, que pra minha surpresa foi de quase 100%. Eu sei com quem lido e é exagero dizer que me surpreendi. Mas o ser humano está suscetível aos erros e tropeços e sempre é bom fazer todas as previsões, boas ou ruins. Seja nos planos de comunicações (como um bom comunicador) ou na vida (como um bom "vivente"). Por isso soube de quem esperar apoio, acolhimento, força e frustração.
A vida me deu alguns toques, tentou me poupar de um bocado dessas coisas, mas como diz o músico, poeta, ídolo oitentista, baixista, compositor e gaúcho, Humberto Gessinger, 'se eu soubesse antes o que sei agora erraria tudo exatamente igual'. Não existe nada como as situações fodidas pra que a gente enxergue com todas as minúcias quem é quem no jogo da vida. Ser posto em xeque, mas ainda sair vencedor na partida de xadrez não tem preço (assim como na propaganda de cartões de crédito).
Sei que a experiência foi de toda válida, mas dolorosa. Dor tão forte que nem um daqueles meus bons berros poderia tirar isso daqui de dentro. Enfim, dói, dói, dói, mas não mata e nem aleija. É lapada ardida que caleja e engrossa o couro. No começo parece sem fim, impossível de carregar, mas com o tempo vai se acomodando pela casa e vira membro da família. Com os dias a dor quer ter a sua independência e liberdade e só nos procura pra saciar algum desejo. Talvez a dor também tenha sua libido aguçada, sinta um tesão masoquista em nos sacanear, mas logo goza e vai embora.
Tirando os contras, que todo mundo sabe: Eita vidinha boa pra ensinar! Em mais esta grande lição na minha vida acho que o número de atualizações pra versão Vini 2.5 estiveram na casa dos milhares. Os próximos usuários vão ter disponível um pacote completo com todas as qualidades das versões anteriores e a correção de quase todos os defeitos apresentados. Ainda ficaram alguns, mas só os mais malandros."
Concluí minha tentativa de resposta e de explicação com o que tenho de mais certo: "Este é o melhor momento da minha vida! No espiritual, no físico, no familiar, no social, na escrita, no poético, nos estudos, no mental, na saúde... por mais que possa não parecer. Sei de tudo o que me rolou de ruim, mas sei que todo esse bem que estou vivendo e o fato de (agora) eu ser um cara bem mais centrado, por causa desse "mal", é algo tão grande e tão bom que o Vinicius de 2009 jamais pensaria em estar ou ter algo tão valioso assim. É o meu auge, saca? Esse é o meu momento e essa paz é fruto das decisões difíceis que precisei tomar de lá pra cá. Ainda têm muitas pontas pra aparar, mas isso é o acabamento da obra que a gente faz por partes, aos poucos, em cada cômodo.
Meu grande lance em tudo isso foi me manter racional. Preservar, sabe-se lá como, a razão sobre todo o resto. Se deixasse o restante sobressair teria sido uma lição mais doída. E não troco as dores de hoje, com as dúvidas e um 'achismo' de que ontem era um tempo melhor. Em nada foi melhor, porque hoje a cabeça funciona leve e de uma maneira que nunca funcionou antes. A cabeça de agora tem mais respostas do que dúvidas", pelo sorriso e o movimento com a cabeça concordando com o que eu dizia, acho que me fiz entender.
Caminhávamos observando o fim de um dia bonito e gelado. Crianças, velhos, jovens, casais, famílias, cachorros e uma paisagem linda como pano de fundo. Se fosse uma novela global, ou um daqueles filmes de milhões de dólares este seria um ótimo cenário. Além da figuração e da locação muito bem escolhida, nós dois estávamos bonitos e arrumadinhos, em harmonia com o set de filmagens. Dois jovens falando sobre amores, vida, lições, casamentos e projetando o que o futuro tinha para nos reservar.
Djavan - Lambada de Serpente
"Rafa entendi, nesse meio tempo, que a vida sempre vem em ciclos. Alternando entre bons e maus momentos. Época de preparar e plantar na terra, em seguida a época de combater todas as pragas e doenças que devastam, muitas vezes, boa parte dessa plantação e o último período, de colheita dos bons frutos que resistiram ao ataque. Também acho esse exemplo bobo. Simplório demais, mas queira ou não é a melhor maneira de entender a vida. Pelo menos para mim. Se você cuidar bem de tudo as pragas não farão grandes estragos. É inevitável que elas venham, mas pode-se controlar o tamanho do prejuízo.
Quantos turbilhões vieram na minha vida recentemente. Um tsunami passou por aqui e devastou tudo. Mudou a paisagem radicalmente, mas mudou pra melhor. Me colocou de frente com os meus medos. Mostrou em quem eu poderia confiar, que pra minha surpresa foi de quase 100%. Eu sei com quem lido e é exagero dizer que me surpreendi. Mas o ser humano está suscetível aos erros e tropeços e sempre é bom fazer todas as previsões, boas ou ruins. Seja nos planos de comunicações (como um bom comunicador) ou na vida (como um bom "vivente"). Por isso soube de quem esperar apoio, acolhimento, força e frustração.
A vida me deu alguns toques, tentou me poupar de um bocado dessas coisas, mas como diz o músico, poeta, ídolo oitentista, baixista, compositor e gaúcho, Humberto Gessinger, 'se eu soubesse antes o que sei agora erraria tudo exatamente igual'. Não existe nada como as situações fodidas pra que a gente enxergue com todas as minúcias quem é quem no jogo da vida. Ser posto em xeque, mas ainda sair vencedor na partida de xadrez não tem preço (assim como na propaganda de cartões de crédito).
Sei que a experiência foi de toda válida, mas dolorosa. Dor tão forte que nem um daqueles meus bons berros poderia tirar isso daqui de dentro. Enfim, dói, dói, dói, mas não mata e nem aleija. É lapada ardida que caleja e engrossa o couro. No começo parece sem fim, impossível de carregar, mas com o tempo vai se acomodando pela casa e vira membro da família. Com os dias a dor quer ter a sua independência e liberdade e só nos procura pra saciar algum desejo. Talvez a dor também tenha sua libido aguçada, sinta um tesão masoquista em nos sacanear, mas logo goza e vai embora.
Tirando os contras, que todo mundo sabe: Eita vidinha boa pra ensinar! Em mais esta grande lição na minha vida acho que o número de atualizações pra versão Vini 2.5 estiveram na casa dos milhares. Os próximos usuários vão ter disponível um pacote completo com todas as qualidades das versões anteriores e a correção de quase todos os defeitos apresentados. Ainda ficaram alguns, mas só os mais malandros."
Concluí minha tentativa de resposta e de explicação com o que tenho de mais certo: "Este é o melhor momento da minha vida! No espiritual, no físico, no familiar, no social, na escrita, no poético, nos estudos, no mental, na saúde... por mais que possa não parecer. Sei de tudo o que me rolou de ruim, mas sei que todo esse bem que estou vivendo e o fato de (agora) eu ser um cara bem mais centrado, por causa desse "mal", é algo tão grande e tão bom que o Vinicius de 2009 jamais pensaria em estar ou ter algo tão valioso assim. É o meu auge, saca? Esse é o meu momento e essa paz é fruto das decisões difíceis que precisei tomar de lá pra cá. Ainda têm muitas pontas pra aparar, mas isso é o acabamento da obra que a gente faz por partes, aos poucos, em cada cômodo.
Meu grande lance em tudo isso foi me manter racional. Preservar, sabe-se lá como, a razão sobre todo o resto. Se deixasse o restante sobressair teria sido uma lição mais doída. E não troco as dores de hoje, com as dúvidas e um 'achismo' de que ontem era um tempo melhor. Em nada foi melhor, porque hoje a cabeça funciona leve e de uma maneira que nunca funcionou antes. A cabeça de agora tem mais respostas do que dúvidas", pelo sorriso e o movimento com a cabeça concordando com o que eu dizia, acho que me fiz entender.
Caminhávamos observando o fim de um dia bonito e gelado. Crianças, velhos, jovens, casais, famílias, cachorros e uma paisagem linda como pano de fundo. Se fosse uma novela global, ou um daqueles filmes de milhões de dólares este seria um ótimo cenário. Além da figuração e da locação muito bem escolhida, nós dois estávamos bonitos e arrumadinhos, em harmonia com o set de filmagens. Dois jovens falando sobre amores, vida, lições, casamentos e projetando o que o futuro tinha para nos reservar.
Djavan - Lambada de Serpente
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Momento Ferreira Gullar
Dois e dois: quatro (Ferreira Gullar)
Como dois e dois são quatro
Como teus olhos são claros
como é azul o oceano
como um tempo de alegria
e a noite carrega o dia
- sei que dois e dois são quatro
mesmo que o pão seja caroe a liberdade, pequena.
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Momento Clarice Lispector
A perfeição (Clarice Lispector)
O que me tranquiliza
é que tudo o que existe
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
O que me tranquiliza
é que tudo o que existe
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Amistoso
Amigos, venham a mim. Suplico quase que em uma prece a presença física de quem me causa um enorme apego sentimental. Substantivo um tanto quanto abstrato, mas de valor tão concreto que torna-se imprescindível. Me faz bem ter em volta tudo isso, todas as vozes e desejos de me ver bem.
Personificados em seres extremamente humanos, homens e mulheres que erram, acertam, riem, choram, zangam, acalmam, perdoam e conjugam comigo outros tantos verbos e sentimentos. Amigo é possessivo, é substancialmente o melhor adjetivo pra quem nos quer bem e pra quem queremos também.
Onde estão? Onde precisarmos, onde estivermos. Acompanha o sujeito nas melhores orações da sua vida. Tenho tantas coisas para falar sobre eles, mas me basta apenas dizer que tenho muitos. Dizer que são os melhores, ou ainda que estão presentes até dentro de casa.
Lembrar dos meus amigos é fazê-lo com um sorriso sincero e imenso no rosto. Viagens, bons momentos, diversão e força quando mais precisei (e preciso). E a certeza de que os dez anos (ou mais, ou menos) que nos conhecemos e conservamos essa amizade, estiveram entre os melhores das nossas vidas. Parabéns e obrigado aos verdadeiros e sinceros amigos pelo nosso dia (20/07).
Armandinho - Amigo
Personificados em seres extremamente humanos, homens e mulheres que erram, acertam, riem, choram, zangam, acalmam, perdoam e conjugam comigo outros tantos verbos e sentimentos. Amigo é possessivo, é substancialmente o melhor adjetivo pra quem nos quer bem e pra quem queremos também.
Onde estão? Onde precisarmos, onde estivermos. Acompanha o sujeito nas melhores orações da sua vida. Tenho tantas coisas para falar sobre eles, mas me basta apenas dizer que tenho muitos. Dizer que são os melhores, ou ainda que estão presentes até dentro de casa.
Lembrar dos meus amigos é fazê-lo com um sorriso sincero e imenso no rosto. Viagens, bons momentos, diversão e força quando mais precisei (e preciso). E a certeza de que os dez anos (ou mais, ou menos) que nos conhecemos e conservamos essa amizade, estiveram entre os melhores das nossas vidas. Parabéns e obrigado aos verdadeiros e sinceros amigos pelo nosso dia (20/07).
Armandinho - Amigo
Encontros Internacionais - 12
A copa do mundo de 2010, realizada na África do Sul, acabou. Um saldo positivo para o país do continente africano (apesar de alguns problemas apontados) e a seleção da Espanha tornou-se campeã mundial de futebol pela primeira vez.
Dessa vez não deu para o Brasil na copa marcada pelo som das Vuvuzelas. Mas entre as surpresas sonoras surgidas com o campeonato veio o encontro musical do Skank com Knaan, em uma das versões da música oficial da competição mundial.
Skank e Knaan - Wavin' Flag
Dessa vez não deu para o Brasil na copa marcada pelo som das Vuvuzelas. Mas entre as surpresas sonoras surgidas com o campeonato veio o encontro musical do Skank com Knaan, em uma das versões da música oficial da competição mundial.
Skank e Knaan - Wavin' Flag
terça-feira, 20 de julho de 2010
Momento Miguel Torga
Livro de horas (Miguel Torga)
Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão em leme da nau
Nesta deriva em que vou.
Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.
Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!
Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão em leme da nau
Nesta deriva em que vou.
Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.
Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Momento Fernando Pessoa
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
domingo, 18 de julho de 2010
Momento Carpinejar
Poemas de Um Terno de Pássaros ao Sul
(Fabrício Carpinejar)
Fragmento I
Pouco crescemos
no que aprendemos,
o sabor
de um livro antigo
está em jovem
esquecê-lo.
Eu alterei
a ordem do teu ódio.
Fiz fretes de obras
na estante.
Mudava os títulos
de endereços
em tua biblioteca
e rastreavas, ensandecido,
aquele morto encadernado
que ressuscitou
quando havias enterrado
a leitura,
aquele coração insistente,
deixando atrás uma cova
aberta na coleção.
Sou também um livro
que levantou
dos teus olhos deitados.
Em tudo o que riscavas,
queria um testamento.
Assim recolhia os insetos
de tua matança,
o alfabeto abatido
nas margens.
Folheava os textos,
contornando as pedras
de tuas anotações.
Retraído,
como um arquipélago
nas fronteiras azuis.
Desnorteado,
como um cão
entre a velocidade
e os carros.
Descia o barranco úmido
de tua letra,
premeditando
os tropeços.
Sublinhavas de caneta,
visceral,
impaciente com o orvalho,
a fúria em devorar as idéias,
cortar as linhas em estacas da cruz,
marcá-las com a estada.
Tua pontuação delgada,
um oceano
na fruta branca.
Pretendias impressionar
o futuro com a precocidade.
A mãe remava
em tua devastação,
percorria os parágrafos a lápis.
O grafite dela, fino,
uma agulha cerzindo
a moldura marfim.
Calma e cordata,
sentava no meio-fio da tinta,
descansando a fogueira
das folhas e grilos.
Cheguei tarde
para a ceia.
Preparava o jantar
com as sobras do almoço.
Lia o que lias,
lia o que a mãe lia.
Era o último a sair da luz.
fonte: www.carpinejar.com.br
(Fabrício Carpinejar)
Fragmento I
Pouco crescemos
no que aprendemos,
o sabor
de um livro antigo
está em jovem
esquecê-lo.
Eu alterei
a ordem do teu ódio.
Fiz fretes de obras
na estante.
Mudava os títulos
de endereços
em tua biblioteca
e rastreavas, ensandecido,
aquele morto encadernado
que ressuscitou
quando havias enterrado
a leitura,
aquele coração insistente,
deixando atrás uma cova
aberta na coleção.
Sou também um livro
que levantou
dos teus olhos deitados.
Em tudo o que riscavas,
queria um testamento.
Assim recolhia os insetos
de tua matança,
o alfabeto abatido
nas margens.
Folheava os textos,
contornando as pedras
de tuas anotações.
Retraído,
como um arquipélago
nas fronteiras azuis.
Desnorteado,
como um cão
entre a velocidade
e os carros.
Descia o barranco úmido
de tua letra,
premeditando
os tropeços.
Sublinhavas de caneta,
visceral,
impaciente com o orvalho,
a fúria em devorar as idéias,
cortar as linhas em estacas da cruz,
marcá-las com a estada.
Tua pontuação delgada,
um oceano
na fruta branca.
Pretendias impressionar
o futuro com a precocidade.
A mãe remava
em tua devastação,
percorria os parágrafos a lápis.
O grafite dela, fino,
uma agulha cerzindo
a moldura marfim.
Calma e cordata,
sentava no meio-fio da tinta,
descansando a fogueira
das folhas e grilos.
Cheguei tarde
para a ceia.
Preparava o jantar
com as sobras do almoço.
Lia o que lias,
lia o que a mãe lia.
Era o último a sair da luz.
fonte: www.carpinejar.com.br
sábado, 17 de julho de 2010
O assassinato do amor
Crime passional virou o assunto da moda há algumas semanas. Aliás, este tipo de crime volta e meia torna-se tema de jornais, programas matinais, vespertinos e noturnos. Debates sobre leis, amores doentios, crimes brutais, agressões contra mulheres e toda a ladainha que possa envolver a temática. Mas por que insistem em creditar à paixão tal violência?
Tudo bem, paixão é mesmo arrebatadora e muitas vezes nos tira algumas noções e a própria razão. Mas nunca me tornei violento por simplesmente me apaixonar por alguém. Paixão é algo efêmero que deveria partir tão rápido quanto nos arrebatou. Ou deveria tornar-se em amor com o passar do tempo. Esse sentimento desperta algo de bom em cada um.
Paixões acendem, despertam desejos. Por isso defendo que estes crimes não são, jamais, passionais. Injustamente o nomeiam assim. É, no mínimo, um crime irracional. Não. Se é crime perdeu-se há muito a razão para cometê-lo. Mas não é um crime qualquer, este quase sempre vem seguido de uma covardia e uma crueldade bem maior do que a habitual.
Seria paixão matar sua companheira, esquartejar e alimentar os animais com o corpo? Ou seria matar com tiros na nuca, depois jogar o carro com o corpo dentro em um lago? Ciúmes, vingança, orgulho e tantas outras coisas são apontadas como justificativas, mas não me digam que o excesso de amor ou de gostar foi o motivador para as brutalidades modernas.
Ainda que amor demais cause este mal, por favor despenso amores grandiosos assim. Pode me amar menos, não acharei ruim, nem acharei pouco. O mundo está doente e aos poucos estamos nos acostumando e fazendo de fatos tão brutais algo comum. A nossa indiferença é um dos maiores males. A falta de amor é apenas o resultado lógico para a tragédia anunciada.
Quando o amor falta algo ruim preenche o espaço. Assim como acontece com uma vasilha aberta lançada dentro d'água. O líquido inunda seu interior, expulsa todo o ar e a carrega para o fundo. Na verdade o amor jamais matou alguém. O amor foi assassinado à sangue frio e ninguém fez nada.
The Black Eyed Peas - Where is the love?
Tudo bem, paixão é mesmo arrebatadora e muitas vezes nos tira algumas noções e a própria razão. Mas nunca me tornei violento por simplesmente me apaixonar por alguém. Paixão é algo efêmero que deveria partir tão rápido quanto nos arrebatou. Ou deveria tornar-se em amor com o passar do tempo. Esse sentimento desperta algo de bom em cada um.
Paixões acendem, despertam desejos. Por isso defendo que estes crimes não são, jamais, passionais. Injustamente o nomeiam assim. É, no mínimo, um crime irracional. Não. Se é crime perdeu-se há muito a razão para cometê-lo. Mas não é um crime qualquer, este quase sempre vem seguido de uma covardia e uma crueldade bem maior do que a habitual.
Seria paixão matar sua companheira, esquartejar e alimentar os animais com o corpo? Ou seria matar com tiros na nuca, depois jogar o carro com o corpo dentro em um lago? Ciúmes, vingança, orgulho e tantas outras coisas são apontadas como justificativas, mas não me digam que o excesso de amor ou de gostar foi o motivador para as brutalidades modernas.
Ainda que amor demais cause este mal, por favor despenso amores grandiosos assim. Pode me amar menos, não acharei ruim, nem acharei pouco. O mundo está doente e aos poucos estamos nos acostumando e fazendo de fatos tão brutais algo comum. A nossa indiferença é um dos maiores males. A falta de amor é apenas o resultado lógico para a tragédia anunciada.
Quando o amor falta algo ruim preenche o espaço. Assim como acontece com uma vasilha aberta lançada dentro d'água. O líquido inunda seu interior, expulsa todo o ar e a carrega para o fundo. Na verdade o amor jamais matou alguém. O amor foi assassinado à sangue frio e ninguém fez nada.
The Black Eyed Peas - Where is the love?
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